04 julho 2012

O estilo de Miguel Costa Barros:

 A Rapadura do Cariri

(Excertos do capítulo “Itaiçaba e Crato” – páginas 38 a 41 do livro “Itaiçaba”
--  publicado em 1995 --  de autoria  do professor Miguel Costa Barros).

Dizem: “Quem bebe a água de Crato vem aqui de novo”. Longe de mim afirmar o contrário. Experimentei, na própria pele, a força desta sentença. De modo diferente. Sem vir a Crato, ainda menino, já saboreava a doçura cratense, a inolvidável rapadura do Cariri (...)
No caminhão Chevrolet, seu Joaquim Romão vinha comercializando sal, os produtos de sua padaria e outros negociáveis, de aceitação por aqui (...)
Quando estirava a trajetória até Crato, daqui saía com carrada completa de rapadura. Ia negociando-a pelo Médio e Baixo-Jaguaribe. Porém ficava reservada uma partida para Passagem de Pedras. Nós a conhecíamos por rapadura do Cariri. Impunha-se pelo seu peso e dimensões. Grande, larga, alta. Chamava atenção a sua altura de quatro dedos. Não era preta nem loira. Digamos mulata. Sabor e doce ímpares. Ainda hoje os mais velhos perguntam pela rapadura boa do Cariri. Com tristeza, tenho que responder que a Usina Manuel Costa Filho e alguns engenhos usam a cana para açúcar e cachaça. Talvez uns seis engenhos produzam rapadura, misturada com açúcar de má qualidade, prática que descaracterizou a renomada rapadura do Cariri. Que espetáculo de sabor e cheiro que tinha (...). Faz tempo, por conseguinte, que conheço a rapadura do Cariri. Desde cinco a seis anos de idade”.

Miguel Costa Barros

 

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