13 maio 2012

Xilogravuras de Juazeiro do Norte e livro sobre Antônio Bandeira serão lançados pela UFC

Xilogravura 
O livro “Antônio Bandeira e a poética das cores” e a Coleção Xilogravuras de Juazeiro – Acervo MAUC serão lançados no dia 23 de maio, às 19h, nos jardins da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (Av. da Universidade, 2853 – Campus do Benfica). Projetos da Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC, o livro homenageia os 90 anos de nascimento e os 45 anos do falecimento do pintor cearense Antônio Bandeira (1922-1967), enquanto a coletânea proporciona acesso inédito a álbuns de grandes mestres da xilogravura cearense, guardados há 50 anos no Museu de Arte (MAUC) da Instituição.
“Antônio Bandeira e a poética das cores” reúne artigos sobre a obra do pintor cearense produzidos por professores da UFC e texto editado por Gilmar de Carvalho, pesquisador da tradição e organizador do livro, a partir de entrevista concedida a ele pelo artista plástico Sérvulo Esmeraldo. Os textos aprofundam a vida e o legado artístico de Bandeira, ressaltando aspectos que, em seu conjunto, explicam por que, através da pintura e do desenho, ele se imortalizou. O livro contém, ainda, ilustrações de telas de Bandeira e fotos que se apresentam como um relato iconográfico do homem e do artista, que posa vaidoso, descontraído e informal. “Antônio Bandeira e a poética das cores” é um retrato de corpo inteiro, com impressões, análises e imagens para fixar, na memória dos cearenses, a figura imortal de Antônio Bandeira.

Ligado, desde o início dos anos 1970 à UFC, onde é mantida sala com seu nome no MAUC, o pintor é figura referencial nas artes do século XX. Quando criança, estudou pintura com dona Mundica e se maravilhou diante das fagulhas da fundição do pai e da explo-são de vermelho do flamboyant. Ao congregar tudo isso no abstracionismo, Antônio Bandeira superou paradigmas, quebrou regras e deixou as marcas de uma poética das cores.

COLEÇÃO XILOGRAVURAS – O MAUC detém um dos maiores e mais valiosos conjuntos de matrizes xilográficas do País. No início dos anos 1960, o Reitor Antonio Martins Filho (1904-2002) designou comissão formada pelos artistas plásticos Floriano Teixeira (1923-2000) e Sérvulo Esmeraldo e pelo crítico e historiador de arte Lívio Xavier Jr. para viajar até o Cariri e adquirir tacos e cópias de matrizes. Outro objetivo era encomendar trabalhos aos artistas de extração popular que editavam folhetos de cordel na lendária Tipografia São Francisco, do alagoano José Bernardo da Silva (1901-1972), em Juazeiro do Norte.

Graças à interferência dos emissários da UFC, a xilogravura, que antes servia apenas como ilustração para capas de folhetos, benditos, novenas e rótulos para as manufaturas da região, deixou de ser artesanato e tornou-se arte. A técnica ganhou autores, como Walderêdo Gonçalves (1920-2006), Antonio Lino, José Caboclo e Mestre Noza (1897-1983), artista de referência da escrita na madeira e da escultura em umburana, que dá nome ao atelier de gravura do MAUC, todos nomes da geração pioneira. Foi o MAUC que interferiu, de modo decisivo, na produção xilográfica brasileira ao sugerir aos artistas o formato álbum, trazendo a serialização, o planejamento da edição e o desenvolvimento de um tema, inserindo, assim, a questão da autoria. Cinquenta anos depois, vem a público a edição dos álbuns “Apocalipse”, de Walderêdo Gonçalves; “As Aventuras de Vira-Mundo”, de José Caboclo; e “A Vida do Padre Cícero”, de Antonio Lino; e a reedição de “A Vida de Lanpião (sic) Virgulino Ferreira”, de Mestre Noza, através da Coleção agora lançada. Esses álbuns, tesouro inédito da cultura cearense e nordestina, foram decisivos para a aceitação da xilogravura pelo mercado, atraindo galerias e colecionadores, chamando a atenção das instituições para a arte.

A Coleção “Xilogravuras de Juazeiro – Acervo MAUC” e o livro “Antônio Bandeira e a poética das cores” têm o apoio do Governo Federal, através do Banco do Nordeste.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC

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