06 março 2012

Hoje se comemora a Revolução Pernambucana de 1817


Permitam-me lembrar aos Cratenses que hoje se comemora a Revolução Pernambucana de 1817, também conhecida como Revolução dos Padres, que nasceu entre outras causas, das idéias iluministas da revolução francesa. O Seminário de Olinda era o berço das causas libertárias. Mas o que teve o nosso Crato a ver com essa revolução? Tudo. A começar por seus protagonistas. Os seminaristas Carlos José dos Santos e José Martiniano de Alencar , filhos de D. Bárbara de Alencar. Eis a história que nos orgulha:

Conhecemos a história da Revolução Pernambucana de 1817 através da ação de grandes homens, defensores dos ideais libertários, idealizadores de uma sociedade livre do domínio português, e governada pelos princípios republicanos. Mas esse momento não é sublime apenas pela participação de grandes homens, mas, também, pela audácia de uma grande Mulher. Bárbara Pereira de Alencar foi a representante feminina na Revolução Pernambucana de 1817 que, juntamente com os seus filhos José Martiniano de Alencar e Tristão Gonçalves de Alencar, lideraram os movimentos no Crato, Ceará.

Pernambucana, naturalizada cratense, Bárbara, ou Dona Bárbara do Crato como era conhecida, nasceu na fazenda Caiçara – antiga fazenda Várzea Grande – localizada no atual município de Exu, em Pernambuco, no dia 11 de fevereiro de 1760. Viveu na fazenda até os 22 anos, quando se
casou, em 1782, com o capitão português José Gonçalves dos Santos, comerciante de tecidos na vila de Crato, região do Cariri, no Ceará, para onde se mudou e passou maior parte da sua vida. Teve quatro filhos: João Gonçalves Pereira de Alencar, Carlos José dos Santos, Joaquina Maria de São José, Tristão Gonçalves Pereira de Alencar e José Martiniano de Alencar. A origem da família Alencar no Brasil é registrada com a chegada do seu avô, Leonel de Alencar Rego juntamente com os irmãos Marta, João Francisco e Alexandre. Originários de Freixieiro de Soutelo, Conselho de Viana do Castelo – Portugal, pisaram em território brasileiro na segunda metade do século XVII e se instalaram na “Casa da Torre” dos Garcia d’Ávila. Iniciaram a colonização do interior do nordeste brasileiro e, no final do século XVII e início do século XVIII, chegaram à região do Cariri, em torno da serra do Araripe, limites dos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí. Leonel e seus irmãos se instalaram na região se tornando posseiros das terras arrendadas da Casa da Torre dos Dias d’Ávila. Leonel de Alencar Rego formou a fazenda Caiçara, onde teve nove filhos, entre eles Joaquim Pereira de Alencar, pai de Bárbara, que herdou a casa da fazenda Caiçara, local onde Bárbara nasceu e viveu até casar-se com José Gonçalves dos Santos, passando a viver no Crato-Ceará. Os ideais do movimento que eclodiram em Pernambuco em 1817, foram difundidos na vila do Crato pela família Alencar, encabeçado pelo seminarista José Martiniano que, juntamente com a sua mãe D. Bárbara, e seu irmão Tristão Gonçalves, lideraram o movimento no Ceará, após três de maio de 1817. O contato de Bárbara e da família com os revolucionários pernambucanos têm origem bem antes ao movimento de 1817. Foi através do seminário de Olinda, onde estudou seus filhos Carlos José dos Santos e José Martiniano, que os ideais de liberdade e republicanismo passaram a fazer parte da vida dos Alencares.

Questionar-se sobre que entendimento teria Bárbara sobre política, república, para participar de um movimento dessa magnitude é natural, se considerarmos o papel desempenhado pela figura feminina da época. Alguns pesquisadores, historiadores interrogam-se sobre qual teria sido de fato a sua relação com o movimento e com os revolucionários. Independente de entender ou não de política ou república, Bárbara sabia que aquele movimento era em prol da liberdade de um povo, e essa era a posição defendida pelos seus filhos e por sua família. Viúva, Bárbara esteve a frente dos negócios e da educação dos seus filhos. É possível dizer que, antes mesmo de 1810, já tivera contato com os revolucionários do Recife. Em carta testamento de caráter político, datada
de dois de outubro de 1810, Dr. Manoel Arruda Câmara, recomenda ao Padre João Ribeiro que fosse atribuído o título de heroína a D. Bárbara do Crato, vencedora que fosse a revolução, e aconselha cuidados no adiantamento do seu filho José Martiniano. Heroína ou não, Bárbara foi presa em nome dos ideais republicanos e da revolução. Perseguida, refugiou-se em uma das propriedades da família no Rio do Peixe, onde foi presa pelo General Alexandre José Leite, em cumprimento da ordem de prisão enviada por Manoel Inácio Sampaio. Bárbara foi enviada para os cárceres de Fortaleza, onde já estavam os seus filhos José Martiniano e Tristão Gonçalves. De Fortaleza, foram encaminhados para o Recife e Salvador, onde estiveram presos até o ano de 1821, quando foi dada a anistia aos presos da revolução de 1817. Nos cárceres baianos, as atenções voltavam-se especialmente para D. Bárbara, um espanto pelo ineditismo do seu caso: uma ré de crime político revolucionário. O título de heroína que lhe foi dedicado não se confere apenas pela sua participação do movimento de 1817, por defender os ideais de um povo livre, de um país republicano, por ter sido presa em nome da revolução, mas por representar a Mulher guerreira e “mostrar o valor cívico e patriótico do espírito feminino”.

Texto publicado no perfil de Nilo Sergio Monteiro no Facebook.


3 comentários:

  1. -- 1 --
    Permitam-me uma rápida reflexão...

    Será que dona Bárbara e seus filhos teriam lutado (e sofrido tanto) se soubessem que um dia a República tão sonhada por eles seria a atual República Brasileira de hoje?

    República implantada através do golpe militar de 15 de novembro de 1889, feito SEM A PARTICIPAÇÃO do povo; o primeiro golpe militar de vários que viriam nos anos seguintes.

    República onde violência campeia – nas cidades e nos campos– ao lado das drogas, com a rotina os assaltos e roubos. República sem uma eficiente SEGURANÇA PÚBLICA, como bem refletiu o escritor Renato Janine Ribeiro: "Quem anda por nossas ruas, com medo até de crianças pequenas, e depois se espanta com a descontração das pessoas EM OUTROS PAÍSES pode sentir o preço que pagamos por não vivermos numa república -- por termos um regime republicano só de nome"
    (continua)

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  2. -- 2 --

    República constantemente desmoralizada pela corrupção crônica e estrutural cometida por parte de diversos dirigentes do governo federal e membros da Câmara de Deputados e Senado da República. E são denúncias de amplo conhecimento e domínio público, já que são divulgadas pela mídia radiofônica, televisada e impressa...

    República que já recebeu os nomes de “República das Alagoas” (no governo do presidente Collor), República do Maranhão (no governo do presidente Sarney) ou da atual “República dos Escândalos”: do “mensalão”, “dos “dólares na cueca”, da roubalheira no DNIT; das propinas na Casa Civil (José Dirceu, Antônio Palocci, Erenice Guerra), nos Correios (Waldomiro Diniz).

    República onde os aposentados recebem baixos salários; onde a saúde e educação públicas são deficientes; onde as estradas são esburacadas; onde as obras ficam inacabadas...

    Que Deus tenha piedade nós, habitantes da República brasileira...

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  3. este texto sobre o crato é bem interessantes para o povo cratense

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