29 janeiro 2012

Pirataria - Por: Sergio Menezes


Muito se tem falado sobre os efeitos nocivos da pirataria; seu conceito – baixo preço/qualidade idem – já está mais que difundido no seio de nossa população. Convenhamos, somos regidos pelo salário-mínimo! Muitos recebem um só, mês a mês! Fazem das tripas coração para ampliar um pouco mais aquele valor. Hora-extra, bico, faxineiro-diarista, e o mais que puder ser. Esse núcleo familiar é constituído de pai, mãe e quatro filhos. Moram num barraco de uma favela próxima. Como vivem? Os pais, vivem trabalhando mas não conseguem viver do trabalho. Os filhos, vendo e vivendo tudo aquilo que lhes é possível!

Estamos no século XXI. Imagina-se que tudo esteja à mão, seja fácil e confortável, custe pouco e não dê muita manutenção. Tudo está disponível e fácil de encontrar! Este produto paga imposto.
O produto pirata segue este mesmo perfil, acrescentando um item indesejado ao produto: baixa qualidade. Mas ao assalariado, não resta outra opção. Aí, a cadeia de taxação do Estado é desmantelada! O produto é vendido sem nota-fiscal e garantia. Isso não interessa ao usuário-comprador-assalariado. Negócio de pobre é feito na rua. Quer, quer. Não quer, tem quem quer! O produto pirata é barato porque reúne condições. Desde antes de sua montagem e comercialização, seu projeto industrial foi copiado sem licença. Entram, em sua produção, componentes de qualidade inferior. Vida útil evidentemente menor. Comercializado sem nota-fiscal, não há como garantir seu funcionamento por um prazo mínimo. Por não ter como arrecadar recursos advindos deste tipo de comércio, o governo tratou de considera-lo ilegal. Aos olhos do consumidor-assalariado, ilegal é trabalhar o mês inteiro e ver que aquilo que se necessita ter, estar eternamente longe de suas posses. Única alternativa: camelódromo! Lá é tudo falsificado. Quando não vem da China, vem do Paraguai. Ali é possível entender o significado da frase “REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA”! Lá é possível ver R$ 10,00, valerem dez reais! Ainda que por um período menor de tempo, é possível a obtenção do contentamento!

A pirataria traz contentamento a uma boa parcela da sociedade. A modernidade a baixo custo. CD, DVD, CD de jogos, eletro-eletrônicos, acessórios diversos, roupas, perfumes, ferramentas, o que precisar, tem. Baratinho!

Depois dos ataques aos sítios oficiais do governo norte-americano,alguns “maus” técnicos em cibernética, denominados “Anonymous”, vêm à público chamar sua atenção para os desdobramentos das novas ações já em curso. SOPA e PIPA, iniciativas para o controle da internet nos EUA, tiveram seus processos arquivados. Surge o mesmo mecanismo na Europa, próximo cenário para as ações do grupo. Com a prisão do controlador do site Megauploads, sob a alegação do não-pagamento dos direitos autorais de todas as obras baixadas no site, desde sua fundação, até hoje. Já somam alguns bilhões de dólares em direitos. Onde está esse dinheiro? As autoridades norte-americanas já deram o seu “jeitinho”, engavetando os processos. E os europeus? Dizem que eles são durões, resta saber até quando. Até lá, certamente, a pirataria estará funcionando. A sua maioir especialidade está em contentar uns e outros.

Sergio Menezes

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