01 janeiro 2012

Em seu primeiro ano fora do poder, Lula lutou para “desencarnar” do cargo e viveu drama do câncer


O primeiro ano do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fora do poder foram marcados por sua luta para “desencarnar” da função. Mesmo após passar o cargo à sucessora, Dilma Rousseff, ele continuou a dar pitacos sobre alguns dos principais temas do país: foi consultado sobre saídas de ministros, tentou emplacar a reforma política e palpitou sobre o andamento de programas e iniciativas do atual governo.

Em outubro, porém, a descoberta de um tumor na laringe interrompeu sua agitada rotina, obrigou-o a sair de cena e lançou dúvidas sobre o papel que ele desempenhará em 2012, ano que será importante para o xadrez político por causa das disputas municipais. Brasileiro sem cargo público mais influente da República, Lula repousou a faixa presidencial no peito de Dilma no dia 1º de janeiro já confessando a dificuldade que teria para voltar à vida comum depois de dois mandatos que o alçaram à condição de celebridade, tanto aqui como lá fora.

A primeira providência tomada foi tirar férias e fugir das câmeras para se acostumar com a vida nova. Aos poucos, e sem dar muita bola para a imprensa, Lula voltou a despachar no instituto que criou antes de chegar à Presidência, que fica em São Paulo. Depois, passou a viajar o mundo para dar palestras (pelas quais embolsou cerca de R$ 3,5 milhões) e receber homenagens - foram sete títulos de doutor honoris causa. Entre uma viagem e outra, Lula fazia o de sempre: política. Tentou liderar uma frente de partidos e parlamentares em prol da reforma política, mas a articulação não foi suficiente para convencer o Congresso a avançar no assunto.

Em São Paulo, dobrou a resistência de alguns grupos do PT e lançou o ministro da Educação, Fernando Haddad, na disputa pela prefeitura da capital paulista, apesar do favoritismo de Marta Suplicy, bem colocada nas pesquisas.

Em maio, viajou às pressas a Brasília para tentar apagar o incêndio causado por denúncias contra Antonio Palocci, o então ministro-chefe da Casa Civil. Palocci, que também foi homem forte de Lula, afastou-se do cargo sob a suspeita de, irregularmente, aumentar seu patrimônio em 20 vezes entre 2006 e 2010. Para a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, professora da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), a atitude de Lula no caso Palocci pegou mal. Em sua avaliação, o episódio criou uma faísca na relação entre a presidente e o antecessor.

- Essa ida de Lula a Brasília gerou a impressão de que a presidente não conseguiria gerir a turbulência, mas Lula foi convocado porque Palocci não era qualquer ministro, ele foi um coordenador da campanha vitoriosa de Dilma.

Na opinião da cientista política Roseli Aparecida Martins, da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), naquele momento, deu-se início a um distanciamento paulatino de Lula em relação às decisões de Brasília. Roseli lembra que a queda de Palocci precedeu a famosa “faxina” empreendida por Dilma em seu gabinete. A limpeza teve início com a saída de Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes, em julho. Ao todo, deixaram o governo seis ministros envolvidos em denúncias, além de funcionários do primeiro escalão dos próprios ministérios e de estatais e outras instituições ligadas a eles.

- Diante das suspeitas, ela não se empenhou em continuar com eles.

Para Maria do Socorro, foi “depois das denúncias e da queda dos ministros que começou a construção de uma nova imagem da presidente, descolada de Lula”. O cientista político José Paulo Martins Júnior, da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), concorda. Para ele, “a queda dos ministros ajuda Dilma a tomar as rédeas de seu próprio governo”.

- Ela recebeu uma herança do Lula, mas agora ela abre caminho para ter um governo com a cara dela.

Fonte: R7

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