29 janeiro 2012

Coluna Armando Rafael - Notícias do Cariri



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Edição 27 a 29 de janeiro de 2012

Pura verdade




"Na minha infância, o Cariri cearense lembrava o paraíso. Hoje parece o inferno com milhares de carros e motos circulando para cima e para baixo”. Esta frase foi escrita por Ronaldo Correia de Brito – escritor, dramaturgo e médico cearense que viveu em Crato e hoje está radicado em Recife – na sua última crônica: “Tapem os ouvidos e não chamem à polícia”, publicada em vários jornais brasileiros, no último domingo, 22. Como Ronaldo não mora mais em Crato, ele não imagina que além de motos e carros, agora proliferam também os “paredões de sons” nos bagageiros de veículos que percorrem, à noite, as cidades do Cariri...

Dupla homenagem

Fruto de um convênio entre o Governo do Ceará–Prefeitura de Crato foram iniciados os trabalhos de asfaltamento da Rua Fábio Pinheiro Esmeraldo, a via que dá acesso ao Campus de Ciências Agrárias da UFC, no bairro Vila Padre Cícero, em Crato, com início no futuro Centro de Convenções do Cariri (o “Cuscuzão”). Fábio Pinheiro Esmeraldo já recebeu duas homenagens da Câmara de Vereadores. A outra é uma pracinha – localizada ao lado do canal do Rio Granjeiro, próximo à Igrejinha de Fátima – que também tem seu nome.

A requalificação de Crato

Tem prosseguimento as obras do Projeto de Requalificação das Praças Centrais de Crato, agora chegando às Praças da Sé e Alexandre Arraes. Pouca gente sabe que, dentro desse projeto – ora em execução pelo Governo do Estado, com financiamento do Banco Mundial – está prevista, ainda, a recuperação ambiental e urbanização do bairro do Seminário, o mais populoso de Crato. Há quem aposte, no entanto, que esta última parte do projeto não será iniciada em 2012, e sim em 2013. Será?

A história do bairro

Localizado na colina entre o Rio Granjeiro e o Rio Batateira, o bairro do Seminário surgiu a partir da construção do Seminário São José, em 1875. Até aquela data a área era chamada de Granjeiro. Após a construção do Seminário São José (uma epopeia para a época), e devido a sua localização privilegiada, surgiu o novo bairro – agora denominado “do Seminário”, atraindo grande número de pessoas para lá. A maioria das pessoas -- de baixa renda -- que lá se fixaram, construiram casas modestas em pequenos lotes. Hoje, a zona urbana que herdou o nome de Granjeiro é o bairro mais elegante de Crato, situado em outra região da cidade, longe do atual e proletário bairro do Seminário.

Explosão urbana & problemas

Este processo de ocupação do bairro do Seminário foi intensificado nos últimos 50 anos. Mas, ainda hoje, o bairro do Seminário não tem infraestrutura de drenagem e esgotamento sanitário, apesar de ser o maior contingente eleitoral de Crato. É ali que as eleições são decididas. Para onde a população do Seminário virar, sai o vitorioso do pleito. Existe lá uma área de degradação ambiental, resultado do aparecimento de enormes buracos causados pela erosão do solo, provocando desabamento de casas (nas temporadas de chuvas) e a destruição da mata nativa. Para resolver o problema o atual prefeito de Crato fez constar no Plano de Requalificação Urbana (PRU) um projeto de recuperação ambiental e urbanização daquela área citadina. . Esse projeto, dado o alto custo para execução não pode ser feito unicamente com recursos do município. Por isso foi encampado pelo Governo do Ceará, através da Secretaria das Cidades.

Voçorocas chamadas “vulcões”
A recuperação ambiental e urbanização do bairro do Seminário preveem obras para recuperação das áreas de voçorocas (ou simplesmente “vulcões”, como são popularmente conhecidos pela população esses fenômenos de erosão); trabalhos de drenagem e contenção de cheias e replantio da vegetação nativa. Prevê ainda: construção de uma avenida paisagística ( com visão panorâmica da Chapada do Araripe) que passará pelas Ruas Padre Lemos, São João, Monsenhor Alboíno, e Manoel Almino de Lima; instalação de mobiliário urbano (bancos, lixeiras, postes de iluminação urbana e sinalização); áreas de estímulo a caminhadas, passeios de bicicleta e demais atividades voltadas ao lazer.

Pouca vergonha
De mal a pior. A campanha que o Ministério da Saúde vai divulgar no próximo carnaval inclui até travestis. Num dos cartazes que será distribuído tem uma foto – e como fundo a cidade de Ouro Preto (MG) – onde um rapaz e um travesti formam um par, e abaixo a frase: “Isso rola muito, mas a camisinha não pode faltar.” Deprimente! No lado oposto, a Campanha da Fraternidade em 2012 terá como tema: “Fraternidade e Saúde Pública”. Já o lema da campanha será: "Que a saúde se difunda sobre a Terra". Qualquer semelhança com o estado da saúde pública brasileira não é mera coincidência...

Transposição só em 2015

Anunciada para ser entregue ainda no governo do ex-presidente Lula, a transposição do Rio São Francisco não será entregue nem no atual governo de dona Dilma Rousseff. As autoridades federais já admitem que só depois de 2014 a obra possa ser concluída. A transposição é alvo de pelo menos 10 (dez) investigações do Ministério Público Federal (MPF). A maior parte desses inquéritos concentra-se em Pernambuco. Entre os contratos suspeitos estão o 34/2008, que será retomado na primeira quinzena de fevereiro, e o 29/2008. O primeiro teve reajuste de 14,6% do valor inicial, que passou de R$ 235,5 milhões para R$ 269,9 milhões. O aumento contratual do segundo foi de 21% (de R$ 250,9 milhões para R$ 303,6 milhões).

“Luíza ainda não voltou do Canadá”

Talvez o leitor não faça ideia de quem é Luiza. Mas, certamente, já leu ou escutou esta frase: “Luiza está no Canadá”. Ela foi muito divulgada no twitter e no facebook. E o que significa? Trata-se de um comercial de um empreendimento imobiliário na Paraíba. No vídeo, o dono do empreendimento fez questão de reunir a família toda para apresentar o lançamento do novo prédio, “menos a Luíza, que está no Canadá”. A frase, completamente desnecessária no anúncio, caiu no gosto popular e, de imediato, ganhou a WEB.

Petistas não esquecem os tucanos

Pois não é que frase da Luíza provocou até a demissão de um assessor da Secretaria de Comunicação da Presidência da República? Tudo porque o assessor de dona Dilma usou, indevidamente, o twitter da Presidência e em tom de gozação em cima do ex-governador José Serra sapecou lá:: “Com a volta da Luiza, quem tá indo para o Canadá é o Serra.” Meia hora depois o comentário foi retirado da conta da Presidência e substituído por este mea culpa: “Pedimos desculpas a todos pela publicação não autorizada, hoje, neste perfil, do retuíte indevido de um site humorístico". Por sua vez, José Serra levou tudo na esportiva e declarou à imprensa que a mensagem, retirada do ar com pedido de desculpas, não era motivo para demissão do responsável. “Aceito a desculpa pelo que aconteceu com o twitter do Planalto. O autor reconheceu o erro e não há motivo para demiti-lo. Assunto encerrado”, escreveu Serra em seu perfil no Twitter.

Torpedos

1 – A igreja-matriz de São Miguel, localizada no bairro do mesmo nome em Crato, ostenta hoje novo e belo visual. Graças ao pároco, padre Antônio José. Ele construiu novo altar em estilo colonial (branco com desenhos dourados); mandou restaurar a imagem barroca de padroeiro São Miguel (que lembra as obras sacras do Aleijadinho) e construiu a Capela do Santíssimo. Pequena, mas de bom gosto.

2 – Fez mais. Padre Antônio José adquiriu pequenos vitrais para o templo; colocou novas portas de madeira na igreja e fez a nova fachada, digna de um templo católico. Construiu a secretaria da paróquia. E pretende comprar uma bancada de madeira (a atual é de cadeiras de plástico) e construir uma torre naquele templo. Merece ser ajudado não só pelos seus paroquianos, mas por todos os cratenses que amam esta cidade.

3 – Pense numa eficiência. Um cartão de Natal, postado no dia 26 de dezembro de 2011, por Daniel Walker nos Correios (ACF-Aurino Mendonça) de Juazeiro do Norte, chegou à minha caixa postal, em Crato, no dia 19 de janeiro de 2012. Crato dista 12 km de Juazeiro. E o envelope, para ser entregue, demorou – no percurso – exatos... 25 dias!

4 – Parece que é a sina das obras do governo Cid Gomes em Crato. Não é que já pararam os trabalhos de reabertura dos acessos na Avenida Padre Cícero, em território cratense? Há quem afirme que tão logo seja definido o candidato do governador à Prefeitura de Crato, as obras recomeçam. Será?

5 – Neste mês de janeiro de 2012 completou 1 (um) ano que a nota abaixo foi publicada nesta coluna em 2011: “Continuam paralisadas as obras do edifício da nova Cadeia Pública de Crato, obra do Governo do Estado construída em terreno doado pela Prefeitura Municipal. As obras ocupam uma área de onze mil e trezentos metros quadrados, no bairro Barro Branco, próximo ao novo Cemitério Anjo da Guarda, a 3 quilômetros do centro da cidade. A construção foi orçada em R$ 2 milhões e 870 mil reais e terá capacidade para abrigar 127 detentos”.

6 – Pois é. Um ano depois, “Tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes”, ou melhor, nas obras da nova Cadeia Pública de Crato. Em tempo: precisam ser melhoradas as condições de acesso ao novo e bonito cemitério de Crato – o Anjo da Guarda – localizado no Barro Branco.

7 – A primeira pesquisa de 2012 nos mostra que a inflação está subindo, e, o que é pior, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) o maior aumento é nos alimentos: arroz e o feijão. Tem mais: a seca que assola o Rio Grande do Sul, um dos maiores produtores de grãos do país, pode piorar o cenário...

6 comentários:

  1. Prezado Armando.

    O cariri mudou muito. Na ultima edição do Jornal do Cariri tem uma manchete bem espalhafatosa: "Cariri se fortalece com a liderança de Guimarães".

    Pobre cariri. Pra quem já teve Antonio de Alencar Araripe, Filemon Teles, Wilson Gonçalves, Leão Sampaio, Wilson Roriz, Adauto Bezerra, Mauro Sampaio, Humberto Bezerra. É o fim da estrada.

    Abraços.

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  2. Morais:

    Acrescentaria a sua relação das autênticas lideranças do Cariri os nomes respeitáveis de Ossian de Alencar Araripe (ex-prefeito de Crato e 5 vezes deputado federal) e Leão Sampaio, de Barbalha, 8 (oito) vezes deputado federal que nessa avacalhação da República chegou a ser “constituinte” de 4 (quatro) constituições republicanas: a de 1934 (durante a ditadura de Getúlio Vargas), a de 1937 (para “legalizar” a ditadura de Getúlio Vargas) a de 1946 ( processo de redemocratização posterior a ditadura Vargas) e a de 1967 (na vigência da ditadura militar).

    Hoje não temos lideranças políticas do porte daquelas por você citadas. Também essa decadência à “era Lula da Silva” onde os alienígenas e paraquedistas vêm em buscas dos “currais” eleitorais do Cariri.

    Outro dia li um comentário na imprensa onde o ácido jornalista se refere assim: “Cariri, região de anões políticos”.
    Dói, mas é a realidade nua e crua...

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  3. Por falar na “esculhambação” jurídica desta República, até agora já tivemos 6 constituições republicanas depois do golpe militar de 15 de novembro de 1889. Elas foram instauradas ou promulgadas em: 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988. Esta última – a vigente – foi a que durou mais: já está com 23 anos . Com exceção da atual todas as outras foram rasgadas.

    Já durante o Império do Brasil – no regime monárquico – que durou de 1822 a 1889 (67 anos) tivemos uma única constituição, que nunca foi violada, que previa o regime parlamentarista, garantia ampla liberdade de imprensa e revezamento dos partidos políticos no governo.

    Segundo o jurista Afonso Arinos a Constituição do Império foi a melhor quer o Brasil teve...

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Sei que posso estar comentando algo "fora do lugar" mas o espaço da RFESA continua com os mesmos problemas. A maconha rola solta todas as noites regadas a vinho, violão e vários grupos adolescentes vestidinhos de preto. Acho graça que isso não acontece tarde da noite não. A parte das 19:00 h você pode passar por lá para sair defumado de maconha. "Faz o que tu queres pois é tudo da lei"?

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