28 dezembro 2011

Contra os gênios da internet. Por: Bruno Garschagen


O desconhecimento sobre determinados conceitos produz confusão e equívocos estridentes. O mínimo que se espera de uma crítica, é que, primeiro, se apresente a definição com que se está a trabalhar e, a partir daí, se apresente os fundamentos do argumento contrário.

Jogar palavras ao vento só faz espalhar as folhas da relva, o que pode inicialmente impressionar os incautos, mas que não resiste ao teste da necessária calma e prudência analítica.

Conservadorismo e liberalismo não são palavras passíveis de serem destacadas de seus significados específicos e exigem um enquadramento adequado. Sem o conhecimento dos instrumentos teóricos básicos, lamento, não há conversa, muito menos debate, só uma mera opinião equivocada, que pode atiçar os gênios da internet, mas que é tão oca como os homens do célebre poema de T. S. Eliot.

Sei bem que a quantidade de gênios no Brasil foi anabolizada pelas redes sociais. Primeiro, dominaram o Orkut, essa expressão máxima da vulgaridade real num espaço virtual; em seguida, promoveram uma invasão bárbara no Facebook e no Twitter. Não há mais idiotas ou estúpidos no Brasil; só gênios; gênios com pedigree e coleira; gênios com carteirinha de sindicato. Quanto mais ignorantes, maior a expressão da sua genialidade individual.

Não há tema que esses gênios da internet não dominem com suprema insipiência e que manifestam com extrema platitude. Não importa para eles conhecer um assunto, mas ter uma opinião histérica a respeito de. Não raro, sua principal fonte de informação e de conhecimento é a opinião de seus camaradas compartilhadas nas redes sociais. Já vi especialistas, de Marx a Mises, que nunca abriram um livro desses autores, mas que escreviam com uma autoridade juramentada.

A dislexia consciente também é uma característica notável porque não se trata de uma doença, mas de uma escolha estratégica de forma a tumultuar a conversa sem ter razão. Quem se atreve ingenuamente a questionar os gênios da internet utilizando os instrumentos vulgares do debate de ideias é bombardeado com questionamentos reiterados daquilo que o interlocutor nunca escreveu e sequer pensou. O objeto específico daquela discussão inicial é completamente soterrado por considerações completamente descabidas, que jogam o assunto para um lado completamente equivocado e desconhecido de antemão.

A desordem, insisto, é estratégica. Sem os instrumentos teóricos básicos adequados, os gênios da internet sabem que não podem se arriscar numa conversação em que são estrangeiros, pois assim seriam obrigados a expor somente sua agressividade gestapiana sem as frases panfletárias utilizadas desordenadamente.

Raramente sou alvo dos gênios da internet porque aprendi a reconhecê-los com a urgência que a minha saúde e sanidade mental exigem. Acredito, como Eric Voegelin afirmou em suas Reflexões Autobiográficas, que aqueles nunca podem ser interlocutores; no máximo, objetos de estudo. Este texto é um alerta às pessoas de boa-fé: é impossível um "debate de ideias" com a reincarnação da barbárie.

Os gênios da internet não podem ser ignorados, porque são perigosos e astutos; devem ser combatidos com os instrumentos que a civilização nos legou em forma de tradição, nunca com as armas que eles escolhem, porque senão rapidamente somos envolvidos por uma espiral inebriante que entorpece o raciocínio e desgasta o espírito. Num eventual encontro verbal com eles, traga sempre a discussão para o seu terreno, ignorando a perturbação que tentam impingir à conversa.

É um erro fatal se deixar levar pelo turbilhão de salitre e breu com aparência de discussão. Quando o gênio da internet tentar puxar a discussão para a trincheira dele, ignore essa tentativa e continue no seu caminho, reto e prudente. Siga apresentando a substância de suas ideias e expondo, violentamente se necessário, a inconsistência e o perigo daquilo que o seu interlocutor destila com a saliva escorrendo pelos caninos.

Lembre-se sempre que os gênios da internet são uma minoria estridente com aparência de maioria dominante. Sua necessidade de atenção e a vacuidade daquilo que manifestam como suposto pensamento são o seu calcanhar de Aquiles. Quanto mais alto o grito, maior a estupidez; quanto mais agressivo o comportamento, mais raso o pensamento; quanto mais alto o nível de intolerância, maior o grau de ignorância.

Os instrumentos mais eficazes contra os gênios da internet são essa tradição da civilização a que damos o nome de ironia, sarcasmo, sátira, zombaria. Os gênios da internet são mal-humorados. Mesmo quando afirmam o contrário, ratificam o mau humor. O uso adequado daqueles instrumentos derrubam um por um como pinos de um boliche histórico.

Quando se deparar com um desses gênios da internet, caro leitor, lembre-se sempre: o bom humor é o que nos salva.
Fonte: http://www.brunogarschagen.com


4 comentários:

  1. Que na verdade, Sávio, nem são tão "gênios", afinal de contas, né ?

    Abraços,

    DM

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  2. O Facebook no Brasil é como entregar uma navalha a um Macaco, pode-se esperar as maiores desgraças. Haverá maior multidão de estúpidos e idiotas do que no Brasil ?

    O Facebook já começa a ser invadido pelos idiotas do Orkut, palhaçadas, vulgaridade, besteiras, pornografia, etc

    O Brasil é um país de idiotas! Não adianta entregar tecnologia para um bando de macacos.

    Abraços,

    DM

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  3. Estamos na era do "Homem Massa". A única diferença é que o idiota de antes, hoje tem internet, frequenta faculdade, se forma, compra carro e por isso quer ser respeitado.

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  4. O Caminho seria a Educação. Falamos sempre isso. Educação que começaria em casa.

    Agora, como uma família de macacos consegue educar um filho ? E cada vez nascendo macacos piores. Duas coisas que não podem andar juntas: Explosão populacional e Miséria = Violência, Banditismo, Atrocidades.

    DM

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