16 novembro 2011

Dilma se reúne com Lupi, que promete se defender


BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff convocou nesta quarta-feira o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, para dar explicações sobre a denúncia de que teria usado um avião alugado por um dirigente de uma organização não-governamental para deslocamentos em 2009.

Lupi havia negado em depoimento na Câmara dos Deputados na semana passada ter relações com o empresário Adair Meira, que integra a direção da ONG Pró-Cerrado. Entretanto, de acordo com a nova denúncia, feita pela revista Veja no fim de semana, o ministro voou na aeronave fretada por Meira e, meses depois, a Pró-Cerrado assinou convênios com o Ministério do Trabalho. No encontro entre Dilma e Lupi, de acordo com duas fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela Reuters, Dilma não tomou a decisão de demitir Lupi, que vem tendo de responder a denúncias há mais de uma semana.

Para Dilma, Lupi disse que tem como provar que não usou aviões de empresários, segundo relato de uma das fontes, que falou sob condição de não ter seu nome revelado. O ministro disse à presidente, de acordo com este relato, que tem condições de se defender e fará isso nos próximos dias. Lupi deve participar de audiência pública no Senado na quinta-feira, na qual poderá prestar novas explicações. Na avaliação do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, com quem Lupi esteve reunido após o encontro com a presidente, as denúncias são "frágeis" e as provas devem "aparecer". Paulinho, que é do mesmo partido do ministro, disse ter ouvido de Lupi um relato da conversa com Dilma e disse a jornalistas que ele permanece no cargo.

"O ministro disse, com todas as letras, que a Dilma quer que ele fique e ele vai ficar", afirmou o deputado. "Vamos continuar enfrentando a crise." O presidente interino do PDT, André Figueiredo, também participou da reunião em que Lupi comentou o encontro com Dilma, que durou mais de uma hora, segundo Paulinho. Segundo o deputado, pedetistas devem se reunir na manhã da quinta-feira, provavelmente antes da audiência pública de Lupi no Senado, para debater a estratégia de enfrentamento.

Antes da denúncia sobre o suposto uso de um avião particular, Lupi já vinha respondendo a denúncias anteriores da revista Veja de que haveria um esquema de arrecadação de propinas junto a ONGs que têm convênios com a pasta. Os recursos obtidos seriam destinados a abastecer o caixa do PDT, de cuja presidência Lupi está afastado temporariamente por conta de seu cargo na Esplanada dos Ministérios. Desde junho, cinco ministros do governo Dilma já deixaram seus cargos em meio a denúncias de irregularidades - Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).

(Reportagem de Jeferson Ribeiro; Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)
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