26 novembro 2011

Crato: reflexões sobre o momento atual - Por: Teresa Melo Santos


Tenho constatado, por meio de matérias publicadas neste blog, a presença de comentários que deixam entrever um clima de certo "baixo astral" que estaria dominando a população cratense, em decorrência da perda de investimentos públicos e privados, ao longo dos anos. Da cidade estariam não só sendo retirados serviços já instalados, como novos serviços e obras estariam sendo postergados ou canalizados para outras cidades do estado.

Essa onda de escassos investimentos, comparativamente ao que estaria ocorrendo em outras cidades do Ceará (Juazeiro do Norte, Iguatu, por exemplo) traria, como natural consequência, uma redução da importância do Crato, que já foi considerado um polo irradiador de desenvolvimento em suas múltiplas expressões: econômica, social, educacional, cultural, etc. Como cratense de nascimento e residente nessa cidade até os dezenove anos de idade, posso afirmar que, de fato, a cidade de então apresentava uma dinâmica e uma energia empreendedora que lhe conferiam destaque no interior do Nordeste.

A ser verdadeiro o aludido "baixo astral", gostaria de dirigir-me aos meus conterrâneos no sentido de trazer-lhes algumas reflexões e, em especial, um alerta. Dentre os aspectos para reflexão, um se refere à propalada ideia de uma RMC (Região Metropolitana do Cariri) que, para ser justa e produtiva, requer um tratamento adequado e equânime para cada cidade participante. Assim, no meu entender, os investimentos deveriam contemplar, de forma proporcional, todos os municípios integrantes dessa região. Ocorrendo o contrário, é possível que se estabeleça um desequilíbrio no crescimento desses municípios.

Um outro aspecto que desejo aludir é, na verdade, um alerta. O desânimo, a descrença, a perda de energia, da capacidade de reagir e lutar, com consequente desmobilização da sociedade constituem, a meu ver, as piores armas a serem usadas no combate a esse pretenso estado de coisas. Creio que uma profunda análise, permeando aspectos políticos, sociológicos e econômicos, seria de grande ajuda para o entendimento de variáveis que poderiam estar atuando no sentido de arrefecer o ânimo da cidade. Como diz o poeta pernambucano Carlos Pena Filho, "é do sonho dos homens que uma cidade se inventa". Deixar de sonhar e lutar por uma cidade dinâmica, empreendedora, de pulso firme e forte representatividade política para a busca de melhoris que beneficiem toda a população seria a pior perda que o Crato poderia sofrer.

Portanto, entender o que estaria se passando, com plena clareza e isençâo, creio que representa um passo importante para uma "virada", uma recriação da cidade como destaque no Ceará e no Nordeste, como já ocorreu outrora e não faz tanto tempo. É preciso pensar estrategicamente e com inteligência o presente e o futuro da cidade.

Achei muito sugestiva a denominação dada pelos estudantes da Escola Melvin Jones ao Crato: Flor do Semiárido; bendita sejas, ó terra de Alencar", no sarau promovido recentemente. Para que uma flor desabroche em toda sua beleza há que se ter o cuidado permanente, a vigilância continuada, regá-la e adubá-la adequadamente. Assim deve ser com cidade na qual se vive. Sem cuidado e sem amor a flor do semiárido tenderá a fenecer.

Aos cratenses, povo de fibra e de garra, o meu apelo para que unam forças e competências em prol das conquistas a que têm direito, com o fim de carrear projetos e obras estruturadoras que atinjam toda a população. O Crato necessita e merece.

Teresa Melo Santos
Endereço Completo: Rua Afonso Celso
Cidade: Recife

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