08 outubro 2011

Nobel da Paz honra mulheres africanas e árabes



OSLO (Reuters) - Declarando que os direitos das mulheres são vitais para a paz mundial, o Comitê do Nobel concedeu o Prêmio da Paz nesta sexta-feira para três mulheres indomáveis que fizeram campanha contra a guerra e a opressão -- uma iemenita e duas liberianas, sendo uma delas a presidente do país.

A liberiana Ellen Johnson-Sirleaf, primeira mulher eleita chefe de Estado livremente na África, dividiu o prêmio de 1,5 milhão de dólares com a compatriota Leymah Gbowee, que mobilizou mulheres contra a guerra civil no país ao organizar uma "greve de sexo", e a iemenita Tawakkul Karman, que considerou seu prêmio como "uma vitória para a Primavera Árabe".

"Não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo a não ser que as mulheres obtenham as mesmas oportunidades que os homens para influenciar o desenvolvimento em todos os níveis da sociedade", disse o presidente do comitê, Thorbjoern Jagland, a repórteres. Karman, jornalista islâmica chamada de "A Mãe da Revolução", tem sido figura central nos protestos na capital Sanaa este ano.

"Esta é uma vitória para o povo iemenita, para a revolução iemenita e todas as revoluções árabes. Esta é uma mensagem de que a era das ditaduras terminou", disse Karman, 32 anos, mãe de três filhos. Como de costume, ela participava de uma manifestação na praça central em Sanaa pedindo a saída do presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, quando recebeu a notícia. Johnson-Sirleaf, 72 anos, ex-economista do Banco Mundial conhecida como "Dama de Ferro" pelos seus oponentes, considerou o prêmio um reconhecimento aos "muitos anos de luta pela justiça, paz e promoção do desenvolvimento" no país do Oeste da África desde uma brutal guerra civil.

"O crédito vai para o povo liberiano", disse Johnson-Sirleaf a repórteres do lado de fora de sua residência, na capital da Libéria. Gbowee, 39 anos, recebeu a notícia ao ligar seu telephone celular após pousar em Nova York para uma turnê literária. "Tudo que escuto em minha mente é a música de louvor a Deus", disse ela. "Meu trabalho é pela minha sobrevivência e de outras mulheres... Com ou sem um Nobel, eu ainda vou fazer o que eu faço porque sou um símbolo de esperança em minha comunidade no continente, em um lugar onde há pouco para se ter esperança."

O movimento dela 'Mulheres Pela Paz' ajudou a acabar com a guerra em 2003. Começando com orações e músicas em um mercado, ela também pediu que viúvas e namoradas dos líderes de facções que neguem sexo a eles até que eles se rendam.

Com agências internacionais

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.