03 outubro 2011

Carta de um Policial a um Professor - Enviado por Glauco Ribeiro Brito


Carta de um Policial a um Professor

Caro amigo do magistério, é com grande comoção que escrevo esta carta. Mas antes de tudo, infinitas desculpas. Tenho acompanhado sua luta mesmo antes de ingressar na corporação da qual faço parte. Naquela época, eu fazia parte do corpo discente e do movimento estudantil e, vocês já eram chamados de “vagabundos” pelo irmão do atual governador. Hoje o atual os trata melhor do que os ditos vagabundos. Hoje, por ironia da vida, estou na outra face da moeda.

Não estou querendo justificar a atitude de meus companheiros, mas, pense um pouco comigo. Somos regidos por um estatuto que nos obriga a cumprir determinações, muitas vezes, absurdas, em detrimento de cometermos crime de omissão e sermos presos. Os deputados, seus representantes disseram: “Hajam com força!” Imagine se o Comandante ou mesmo os subordinados tivessem se negado a cumprir tal determinação, teriam saído de lá presos; Em tentativas de movimentos na própria polícia, já fora reprimido também pela polícia, pois, se trata de crime, segundo nosso estatuto. Então não é a mesma coisa de seu coordenador dizer: “Faça isso!” e você ter a liberdade de dizer: “Não. Não faço, porque não concordo”. Para você ter uma idéia, o Policial Militar não pode sequer questionar uma atitude do superior, pois, está sujeito a punição.

Você goza (ou pelo menos devia gozar) de todos os direitos previstos na Constituição Federal, no entanto, estes mesmos direitos ainda não foram inseridos no seio de nossa corporação. Você se identificou como Professor Francisco Duarte em sua carta. Eu, ao contrário, já não posso colocar meu nome nesta carta. Não posso exercer o direito da liberdade de expressão.

Tenho certeza que cada pai de família que se encontrava na tropa de choque, estava com o coração partido em saber que sua luta é uma luta justa. No entanto nada podem fazer. Porque nem mesmo por eles, eles podem tomar uma atitude.

Agora estimado professor, peço o seguinte: Cobre de quem realmente deveria dar uma resposta. Onde estava a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia? E da OAB? O Ministério Público? A serviço de quem estão essas organizações? Se fosse um bandido que tivesse sofrido agressão não já teriam cobrado justificação do Governo e do Presidente da Assembléia Legislativa? Portanto, da mesma forma que você questiona se os Policiais agiriam com truculência com gente poderosa, questione dos poderosos essas coisas e não de nós que somos tão oprimidos como você. Como diria Paulo Freire: “É Oprimido reprimindo Oprimido”.

Não posso gritar ou serei preso. Mas posso dizer para que você faça isso. Você foi uma parte muito importante parque eu pudesse estar escrevendo hoje. Mas também posso afirmar que com meu sangue derramado. Você pode (ou podia) caminhar tranqüilo até à escola e dormir sossegado, enquanto velo o seu sono, deixando minha família a minha espera. Se não faço mais e melhor é porque vinha vontade é podada.

Retirado da comunidade do orkut, Policia Militar do Ceará:http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?

Glauco Ribeiro Brito
R. Gétulio Vargas
Cidade: Crato - CE

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