04 outubro 2011

Em entrevista exclusiva ao Blog do Crato, Dep. Sérgio Novais revela as causas da briga interna no PSB


( Reprise )

Exclusiva com o homem que "peita" os Ferreira Gomes dentro do próprio PSB

Nota do Editor - O Blog do Crato realizou uma entrevista exclusiva com o deputado cearense Sérgio Novais, que faz revelações interessantes sobre os bastidores do PSB cearense, além da disputa pelo poder com o clã dos Ferreira Gomes dentro do partido. Confira:

BC - Você tem uma trajetória política muito ligada ao movimento sindical. Como avalia a condução da greve dos professores e o confronto ocorrido na Assembleia Legislativa?

SN - Lamentável que o governo não saiba conduzir as negociações e deixe a situação chegar a esse ponto, com batalhão de choque agredindo violentamente os professores. Os fatos ocorridos na Assembleia são fruto de uma série de erros do governador, que culminaram com o envio de uma mensagem absurda que não agradou a categoria e que foi aprovada em regime de urgência pelos deputados governistas, sem o mínimo de discussão. A manifestação dos professores é legítima e justa. Mas, mesmo assim, o governador insiste em querer de todas as formas aniquilar a única forma de resistência da categoria que é a greve, o que revela uma face autoritária e antidemocrática do governo. Tenho acompanhado a mobilização dos professores. São manifestações como há muito tempo não se via no Ceará. A gestão do governador Cid está fazendo ressurgir a força dos movimentos sindicais e populares.

BC - Quais são as reais causas da briga interna do PSB e como ela deve terminar?

SN - Sempre tivemos divergências com os Ferreira Gomes. Isso é fato e de conhecimento público. Em 2005, quando eles ingressaram no partido, nós atendemos a uma solicitação do então presidente nacional do PSB, saudoso Miguel Arraes, e aceitamos ficar na legenda buscando uma convivência minimamente harmônica e o respeito mútuo. Houve algumas crises menores ao longo do tempo, como em relação à construção do estaleiro em Fortaleza – que divergimos publicamente, mas apesar de tudo estávamos conseguindo manter o nível de diálogo. No entanto, essas divergências se afloraram. O governador lançou, sem conversar com ninguém dentro do PSB, um candidato de outro partido para a prefeitura de Fortaleza (Camilo Santana do PT e secretário das cidades do governo). Uma atitude que desrespeita até a direção nacional que havia definido a candidatura própria em cidades com mais de 500 mil habitantes. Isso causou um desconforto interno e culminou no lançamento da pré-candidatura da deputada estadual Eliane Novais. Além dela, defendíamos que o partido apresentasse outros nomes da legenda. No entanto, o que se viu foi um incômodo dos cidistas com o nome da Eliane e, em seguida, uma forte retaliação, tendo em vista que ela tem feito sérias críticas ao governo do estado na Assembléia, votando contra o governo em várias matérias. Há ainda o claro interesse em assumir o comando do partido e das discussões da sucessão municipal. Sofri a tentativa de golpe da presidência do PSB arquitetada por 20 dirigentes (cidistas e dissidentes do grupo histórico). No entanto, como fui eleito em um congresso, é inconcebível que 20 pessoas queiram me destituir da presidência do PSB. Somente os filiados podem escolher quem deve ser seu representante no partido. Por isso fizemos um novo congresso municipal no último dia 17, na Casa José de Alencar, com quase mil filiados que elegeram um novo diretório do partido em Fortaleza e me reelegeram presidente do PSB de Fortaleza. Já entregamos os resultados do congresso para direção nacional que vai se pronunciar em até 30 dias.

BC - Quais são as principais divergências com o grupo dos Ferreira Gomes?

SN - São muitas. O PSB apóia o piso nacional dos professores. No entanto Cid foi o único governador do partido a pedir a inconstitucionalidade da lei. O PSB não quer um novo imposto da saúde. Mas Cid fez campanha pró-CPMF. Não concordamos com a obra do aquário enquanto as praias estiverem poluídas por falta de saneamento. Mesmo assim o governador defende esse projeto de alto custo sem dialogar com o pensamento do partido e da sociedade. Também discordamos em relação ao tratamento dado aos servidores, às terceirizações ostensivas e com a forma que estão sendo conduzidas as desapropriações das famílias nas comunidades por onde vai passar a obra do VLT. Por fim, queremos transparência no governo e o que se vê é uma completa omissão na apuração dos escândalos dos banheiros e dos créditos consignados por parte do governo e da Assembleia.

BC - Em relação às denúncias feitas pelo ex-vereador Rogério Pinheiro sobre a movimentação financeira do partido, você chegou a mandar uma nota para o blog explicando sua versão dos fatos. Há algo mais a falar sobre mais esse episódio da briga interna do PSB?

SN - Só lamentar a atitude irresponsável de quem faz denúncias graves ao vento sem ter qualquer tipo de prova ou certeza sobre o assunto. Entendo que é mais uma tentativa infeliz de desestabilizar o partido, especialmente partindo de quem está em dívida com as obrigações financeiras do PSB.

BC - E sobre o salário de R$ 22 mil que Ciro recebe do partido?

SN - O presidente do PSB-Ceará, Cid Gomes, comunicou em julho à direção estadual do partido que o Sr. Ciro Gomes seria consultor político do PSB no Estado, com o intuito de organizar o partido nos municípios. O salário é de R$22.170,00 líquido (superior ao de presidente da república) para poucas horas trabalhadas por mês.


Edição: Dihelson Mendonça
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- originalmente 01/10/2011


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