09 julho 2011

Uma festa no castelo encantado - Por: Emerson Monteiro


Nesta quinta-feira, 07 de julho de 2011, compareci à festa de lançamento do áudio livro O mistério das treze portas no castelo encantado da ponte fantástica, de autoria do escritor cratense José Flávio Pinheiro Viera, com ilustrações de Reginaldo Farias, no Cine Teatro Salviano Arraes, antigo Cine Moderno, em Crato. Algo de beleza surpreendente pela produção entremeada dos mais diversos recursos cênicos a cargo da direção bem sucedida de Luiz Carlos Salatiel, abastecida nas performances refinadas de cantores, músicos e atores de nosso filão artístico-cultural.

A vontade que tenho seria pegar um pedaço de cada cena, junto de sons e iluminações, da animação dos presentes, do alegre clima reinante, falas, músicas, colar numa sequência imaginária e recompor o que ali vim encontrar de mágico e puro, bem nos moldes da mitologia regional de outras épocas, de quando havia sonhos soltos pelo ar. As histórias ouvidas na bagaceira do Sítio São Vicente, dos seus avós, no pé da Serra do Araripe, Zé Flávio as revive no seu primoroso trabalho, conservação fantástica dessa ponte que une o escritor e o tempo, acendendo de volta o sidério das horas fascinantes desfrutadas no passado longínquo.

Nisso, através da condução cênica de um Mateus (Cacá Araújo) e de uma Catarina (Kelvya Maia), figurantes buscados nos folguedos populares nordestinos, enquanto contracenavam suas tiradas cômicas, desempenharam o papel de mestres de cerimônia da inusitada solenidade. O auditório superlotado viajou embalado no clima mítico estabelecido e povoado pelas personagens trazidas ao palco nas letras das composições musicais interpretadas por ícones fortes da atual música cratense. Desfilaram com imensa fidelidade, a mim que conheci a maioria delas, as figuras de Maria Caboré, Canena, Tandô, Capela, Padre Verdeixa, O Rei da Serra, Vicente Finim, Noventa, Príncipe Ribamar, Zé de Matos, heróis do panteão da história popular de Crato, resgate por demais merecido e imortalizador das gentes eternas, gravadas na memória etnológica das populações caririenses.

Os intérpretes os quero denominar um a um, dada a qualidade oferecida e a integração com a proposta de tanto zelo em uma noite inolvidável. Foram Amélia Coelho, Lifanco, Ibbertson Nobre, Luiz Fidelis, Pachelly Jamacaru, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, João do Crato, Leninha Linard, Abidoral Jamacaru e vários outros.

Por tudo o que vi nessa ocasião a causar espécie no sentimento dos agraciados com o evento, deixo aqui o meu registro do projeto teatral, musical e literário de J. Flávio Vieira, que além do próprio valor foi também vencedor do I Prêmio Rachel de Queiroz, da Secretária de Cultura do Ceará. O livro de belas feições gráficas, nas cores e nos traços de Reginaldo Farias, chega acompanhado de um CD com 15 faixas, totalizando a proposta inovadora.

5 comentários:

  1. Emersom
    Não vejo a hora de ter meu exemplar dessa preciosidade do Zé Flavio, enrequecido com tantas participações especiais desses amigos que ajudam dar ao Cariri o destaque na cultura regional.
    Na próxima semana teremos o nosso Luciano Carneiro fazendo a sua estréia na Cesta Básica da Cultura e Conhecimento,bilingue, que ao lado de Josenir, Nicodemos, Nezite Alencar,Normando, Professor Eugenio, já desfilam com seu trabalho reconhecido, em tão boa hora.
    Em breve a fila andará,e teremos Wiliam Brito, Ernani,Edesio, Aldemar,e tantos outros que emprestam seu talento à poesia popular.

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  2. Pois é, parabéns ao nosso querido Zé Flávio por este maravilhoso livro.

    Entretanto, eu quero cuidar pessoalmente de um projeto da GRANDE ARTE, A MÚSICA, tão relegada ao décimo plano e vinda a reboque de outras. Diferentemente da palavra escrita, óbvia, e da linguagem visual, a lingagem transcendental da Música só é compreendida por muito poucos, e por isso mesmo tem pouco público nesses CONFINS, não causa estardalhaço quando acontecem eventos, a não ser aqueles ligados a outras artes, e aí vem novamente a reboque de Dança, de Folguedos, de Folclore, e da Poesia.

    É preciso que hajam concertos, formas auditivas da música enquanto arte pura, abstrata, que une a mente ao cosmos, livre de qualquer associação BANAL e atrelada como jumento a uma carroça.

    Dihelson Mendonça

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  3. Elmano e Dihelson,

    Cultura independente e heroísmo só
    crescem no pântano suorento dos raros. Acho até que seja para ser assim, quais outras missões maiores.

    Abraço.

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  4. Parabéns a o Ze Flavio e a todos que colaborarão e se apresentarão por esta produção e em especial a idéia de valorizarem as personagens de rua que aqui em Crato viveram e hoje formam a história nostálgica e verdadeira dessa cidade que poderia lembra-los dedicando algumas rua aos mais significativos.

    Abraço

    Gabí

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  5. Zé Flávio... parabéns pelo lançamento desta maravilhosa obra. Com certeza as escolas prtecisam adqurir diversos exemplares para trabalhar em sala de aula com os nossos alunos.

    Abraços.
    Maria Otilia

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