06 junho 2011

Palocci, O Midas do governo - Por: Pedro Cardoso da Costa – Bel. Direito - Interlagos/SP


Quando aparecem gravações de políticos recebendo dinheiro de corrupção, logo surgem os defensores a culpar as imagens. Antes das câmeras, os deslizes eram gravados somente em voz. Aí, alguns negavam as vozes ou não lembravam o ocorrido porque estavam meio grogues de remédio, meio embriagados, ou sonolentos. Esses argumentos eram tão comuns e convincentes quanto às recorrentes justificativas do enriquecimento dos políticos da noite para o dia, cujos exemplos maiores são do Lulinha, filho do ex-presidente e do genial Palocci.

Como dizem nossos políticos, desvios e corrupção existem no mundo todo. E é verdade; embora nunca citem a diferença de que na maioria dos países desenvolvidos ela seja exceção, enquanto por aqui é a regra absoluta e reinante. O fato mais relevante não seria o tratamento igual entre a exceção, lá, da regra, por aqui, mas como o problema é encarado pelos envolvidos e a sociedade lá fora e aqui.

Lá, as instituições apuram os fatos e tratam com maior rigor as pessoas que se aproveitam da função pública para servir de exemplo. Por cá, as autoridades são as primeiras a traçarem defesa prévia e isso foi visto com o procurador-geral da república no caso do enriquecimento do ministro Palocci. Ora, senhor defensor da lei, a regra de que ninguém é culpado sem condenação serve, na mesma proporção, para não inocentar ninguém antes da apuração. Mesmo as apurações marias-moles, ou de faz-de-conta, como são as daqui. Os institutos de pesquisa, que tanto trabalham nas eleições, deveriam perguntar se o brasileiro acredita nas apurações quando os envolvidos são de vereador para cima.

Aqui, as coisas mais absurdas acontecem e são tratadas como se nada de anormal tivesse acontecido. Aqui, nada passa do razoável. No caso do enriquecimento de Palocci, é anormal por si. Não há na história da humanidade quem tenha conseguido multiplicar por 20, em quatro anos, o que levou uma vida inteira de quase 60 anos para conseguir. Somente o roubo, o tráfico ou outra atividade dessa natureza pode gerar fenômeno igual. Como eu, qualquer um que duvidar da regularidade desse enriquecimento, será ridicularizado.

Como Valtaire, defenderei até a morte o direito de ele se explicar, mas não acreditarei numa vírgula do que ele disser. Esse enriquecimento só é aceito pelos políticos brasileiros e suas assessorias, dentre eles, alguns jornalistas. Não me convencerá nem se ele disser que teve mais sorte do que o anão João Alves e ganhara mais de 200 vezes na loteria, a outra forma lícita de enriquecimento relâmpago, além de herança.

O senso do ridículo precisa chegar aos meios políticos e de todos os agentes públicos. A cara-de-pau com que tentam convencer do impossível é de deixar todos descrentes de que este país ainda tenha algum jeito. Aceitar que é mera coincidência a liberação, por um órgão do governo, de milhões para uma empresa no mesmo período em que ela doa milhões para a campanha do candidato do governo federal é simplesmente conveniência ou cinismo, para ser ameno.

Palocci pode muito; pode quase tudo. Pode até ensinar aos seus consultores a ganhar o reino dos céus; mas deve ter feito aula com o delegado Di Rissio, de São Paulo, que comprara um apartamento de mais de 1,5 milhão, e tinha outro acertado por quase o mesmo valor, com um salário de pouco mais de 8 mil reais. Ele pode comprovar documentalmente tudo. Mas é preciso ser insano para acreditar que alguém é capaz de pagar vinte vezes por um serviço apenas pela qualidade do executor. Esse tipo de justificativa precisa de um sonoro e definitivo basta. Este país precisa dar uma basta em muita coisa; nas inexplicáveis coincidências; no enriquecimento descomunal dos políticos, especialmente dos prefeitos, indistintamente, que se tornam gênios após eleitos; nas apurações que nunca resultam em nada, sempre quando o envolvido é do andar de cima. Basta, Brasil, basta!

Da mesma forma que tudo será justificado devidamente, é possível que somente os críticos venham a ser punidos. O mensalão é exemplar. Só a funcionária que não aceitou participar do esquema foi penalizada. Mera coincidência. Daqui a um ano Palocci deverá estar duzentas vezes mais rico apenas com os recursos das indenizações pagas pelos que duvidaram da sua fase de Midas.

Quero declarar ao procurador-geral da República, à senhora presidenta da República, à corriola de senadores e deputados federais e todos os defensores ou coniventes com essa indecência, que este cidadão defende e avoca o seu direito subjetivo de não acreditar numa vírgula sobre a regularidade desse enriquecimento, independentemente da prova que vier, pelo simples fato da impossibilidade. Com todos os pés atrás, aceitaria até o dobro, com exagero absurdo, o tripulo, mas por 20, nunca.

Pedro Cardoso da Costa – Bel. Direito Interlagos/SP

6 comentários:

  1. Explicou...não convenceu!

    Na entrevista que concedeu a Rede Globo – no horário nobre do Jornal Nacional -- Na o ministro Palocci disse que as pessoas precisam ter boa-fé.

    Depois de nova denúncia (a de que mora num “baita” apartamento alugado em nome de um “laranja”) só nos resta perguntar ao Chefe da Casa Civil:

    -- Fé demais ou Fé de menos, ministro?

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  2. Ahahahahahahahahah esse Armando é fogo! Nota 10, cara!

    Ele mora na casa de um laranja. Deve ter enriquecido vendendo suco de laranja... rs rs

    Abraços,

    DM

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  3. Vivian M Cardoso5 de junho de 2011 13:36

    Esse nem devia ter voltado ao governo. Estamos aguardando ele cair fora. Vivian Cardoso

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  4. Cair fora por conta própria ele não vai. E o Governo Sta. Dilma, protetora dos "cala-te boca", é que não vai mandar ele embora mesmo. Mesma coisa do Lula, do escândalo do Mensalão, só quem tá preso nesse país são as secretárias que coitadas, ganharam aquele salário de miséria. Cadeia ainda continua sendo pra Pobre nesse país, infelizmente.

    DM

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  5. É capaz de ser prêso aí nesse escândalo do Palocci a pessoa que fez a denúncia, rsrsrs

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  6. Caro Dihelson,
    Não quero jamais sair da Rede de Blogs do Cariri ou Ceará. Acho até uma despeita me propor sair desta rede que tanto lutamos para agregar a cada dia mais o bloguismo pelo Ceará. O que aconteceu foi que muito leitores estavam reclamando da Rádio entrar no ar mesmo sem sua escolha. Até cheguei a pedir para você colocar um código que o leitor pudesse optar em ouvir ou não a Rádio, já que a nada pode ser imposto na Internet, tudo é de livre e espontânea escolha. Caso tenha este código me passe, por favor. Quanto a logomarca da rede acredito que tenha saído por engano ou por defeito mesmo da estrutura da Blogger dos RastreadoreS.
    A exigência do mural deveria ser opcional, já que é mais direcionado ao Blog do Crato. Acredito que exigido deveria ser apenas a logomarca para dizer que faz parte da Rede de Blogs do Ceará e a Rádio com a opção de ouvir ou não. Dihelson saiba que quanto mais blogs forem agregados na rede melhor para todos nós Blogueiros do Ceará. Talvez tenha um montão de Blogs cearenses doidos para pertencerem a esta rede, mas se recuam diante tanta exigência. Muito cuidado ao manusear esta iniciativa brilhante por que poderá colocar tudo a perder, e isso não será bom nem para a blogosfera cearense, nem para o Blog do Crato e todos do Cariri e nem para os inúmeros Blogs que fazem do Ceará um dos estados do Brasil mais brilhantes, geniais, democráticos, atuantes na blogosfera nacional.
    Cordiais abraços,
    Tiago Viana

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