10 junho 2011

Morre o maestro Cyro Pereira


Morreu ontem, aos 81 anos, o maestro e arranjador Cyro Pereira. Um dos fundadores da Orquestra Jazz Sinfônica e maestro dos famosos festivais de música popular brasileira da Record, ele sofria de câncer. O velório seria realizado a partir das 17 horas de ontem no Memorial da América Latina; até o fechamento desta edição, não havia informações sobre o enterro.

Pereira nasceu no Rio Grande do Sul. Maestro dos famosos festivais da Record, no fim dos anos 1960, trabalhou e colaborou com nomes como Gabriel Migliori, Hervè Cordovil, Lyrio Panicalli e Enrico Simonetti. "O contato com Cyro Pereira foi muito especial, ele era uma pessoa humilde e sincera. Curioso é que xingava se alguém o chamava de maestro", conta o jornalista Irineu Franco Perpetuo, autor da biografia Cyro Pereira, Maestro (DBA, 2005). "Isso porque ele não tinha estudado regência, aprendeu na raça. E o mesmo aconteceu com arranjo e orquestração. Aprendeu na prática, com o Migliori dando dicas e corrigindo."

A atividade, a partir dos anos 50, nas rádios e na televisão, ajudou a formatar uma escola de orquestração. "O Cyro corresponde àquela era em que as programações de rádio e TV eram feitas ao vivo. As emissoras possuíam orquestras, e os arranjadores faziam os arranjos no dia, no calor da hora, para os cantores se apresentarem com elas. Era uma escala industrial de produção de arranjos. Dentro de bases que haviam sido estabelecidas por Pixinguinha e Radamés Gnattali, consolidou-se uma escola brasileira de orquestração para a música popular. Com o fim das orquestras de rádio e TV, essa escola foi preservada e reavivada pela Jazz Sinfônica, em cuja criação o Cyro teve um papel decisivo", lembra Perpetuo.

Para o maestro Fabio Prado, um dos diretores da Jazz Sinfônica, "a riqueza de timbres criada por Cyro para a orquestra se coadunava com seu senso de equilíbrio sonoro". "Em suas obras, tudo é percebido de forma límpida, permitindo que se notem as diferentes texturas harmônicas e de acompanhamento. Não é fácil escrever arranjos para orquestras, manter o discurso musical sempre fluente, sem que um instrumento se sobreponha a outro. Pereira consegue fazer isso de uma forma clara, organizada", escreveu ele em texto que homenageava o músico na ocasião dos seus 80 anos.

João Luiz Sampaio - O Estado de S.Paulo

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