04 junho 2011

Homenagem a ICÓ - Em maio de 1864, faleceu Dr. Pedro Théberge

Sic ut in radii of aurora, lucet in animi et in veribus egregius heroes

Assim como brilha os raios da alvorada,
brilha a coragem e a força dos egrégios heróis


Luan Sarmento, 31 de Maio de 2011



Dr. Pedro Franklim Théberge
Pedro Franklin Théberge nasceu em Marcé, na França, no ano de 1811. Thebérge, ingressou na cidade do Icó em 1845, acompanhado de sua esposa Elisa Soulé Theberge e seu filho Henrique Theberge, que logo mais se tornou um dos fundadores da Academia Cearense de Letras. A população icoense neste período histórico girava em torno de 15.000 habitantes.

Rico em um potencial cultural e artístico admirável, Théberge foi o idealizador da construção do Teatro da Ribeira dos Icós em 1860, cujo o nome é uma homenagem aos nativos e donos primitivos das terras do Icó. Théberge também financiou toda a construção do teatro, considerado por todos um monumento de grandeza histórica, simbólica, artística e cultural, na qualidade de casa da arte.

O teatro expressa em sua arquitetura as marcas do estilo neoclássico, movimento artístico e cultural surgido no século XVIII, que significou uma nova (neo) manifestação que buscou resgatar as características da arquitetura das artes clássicas da Europa Ocidental, em forma de crítica ao caráter dramático do estilo barroco, predominantemente presente em monumentos importantes da burguesia, não aceito por aqueles cuja a cultura era baseada nos princípios do iluminismo e racionalismo que se apresentavam em oposição ao dogmatismo e dramaticidade do barroco.

A cólera morbus, infecção contraída através de uma bactéria alojada em águas e alimentos contaminados que, após a ingestão, afeta fatalmente o organismo intestinal humano causando diarréia, dores, hipotensão, taquicardia, anúria e hipotermia, foi uma doença terrível, que deixou uma marca de mais de 100 falecidos por dia na cidade do Icó, fazendo do nobre médico francês improvisar o seu teatro em uma enfermaria para então assim, juntamente com outro médico conhecido como Rufino Alencar, diagnosticarem e tratarem daqueles que foram contaminados pela letal moléstia.

O pesquisador Monte enfatiza a questão do cemitério do Icó, ter sido uma iniciativa do próprio Théberge, personalidade ilustre e marcante na história dessa linda cidade conhecida por ''cidade dos sobrados''. Faleceu no dia 08 de maio 1864, vítima da cólera. Seus restos mortais repousam no Santuário do Senhor do Bonfim em Icó. (ver abaixo)

* Adendo Icó é Notícia - O estudioso em História de Icó, Miguel Porfírio (in memoriam), esclarece sobre a situação no volume II de "Icó em Fatos e Memórias" - "As urnas funerárias foram retiradas da parede, e por muito tempo ficaram abandonadas em algum canto daquele templo, sendo levadas como dizíamos antes, por uma alma caridosa, D. Adélia Nogueira, esposa de Horário Nogueira, e sepultadas no cemitério local".


Foto do site Icó é Notícia




Teatro da Ribeira dos Icós - Edificado na cidade de Icó (CE), pelo Francês Pedro Théberge, em 1860. É o teatro mais antigo do estado do Ceará. Foto de Arthur Luiz Andrade

A CÓLERA


Santuário de Nossa Senhora da Conceição (XVIII) e
o cemitério público de Icó (XIX). Construções ainda existentes.
Foto provavelmente produzida na década de 1920 ou 1930,
fornecida pelo historiador Monte.


Segundo estudos elaborados por Sarmento, em um levatamento de dados realizado dentro do antigo cemitério icoense, em busca de datas e escritos da arte tumular, provavelmente esse antigo cemitério começou a existir em meados do século XIX, devido às datas quase apagadas pela ação do tempo nas lápides dos túmulos em estilo gótico abandonados. Essas mesmas datas nos jazigos mais antigos, coincidem com tempo da cólera e a presença de Théberge na cidade.

De acordo com fontes de pesquisas disponíveis a palavra ''cemitério'' vem do latim ‘’coemeteirum‘’ derivada do grego ''κοιμητήριον'', ''kimitírion'' atribuído o significado de ''pôr a jazer'' também denominado ‘’campo-santo’’.

Em tempos antigos, a prática dos sepultamentos fora dos templos cristão era atribuída para os ''não-cristãos'' praticantes de outras religiões, havendo até mesmo uma visão preconceituosa de tal procedimento funerário, caso algum cristão fosse sepultado fora do templo.

Em algumas cidades antigas, foi à contaminação da cólera e outras pragas o motivo para a criação de cemitérios em regiões distantes. Em outras, foi à questão sanitária dos corpos estarem no mesmo ambiente dos vivos dentro das igrejas. Já em outras, foi o crescimento da zona urbana que favoreceu a criação do ‘’campo-santo’’ em áreas próximas aos templos religiosos.

Prática oriunda da Europa em Icó, os mortos eram sepultados dentro de suas próprias igrejas e podemos citar o caso da família Montes do século XVIII na Matriz de Nossa Sra. do Ó, da família Nogueira do século XIX no mesmo templo, da família libertadora de escravos Pinto Albuquerque na Igreja do Monte e demais membros da sociedade icoense que jazem no Santuário do Senhor do Bomfim e do Rosário. Prática também ocorrida em capelas particulares, situação da família Antero na Capela do Sagrado Coração (XIX) outra família libertadora de escravos.

Na época da cólera, devido ao número de mortes em grande massa, muitos foram os sepultamentos em covas coletivas nas proximidades da Igreja do Monte, localidade isolada e distante do centro da cidade, já que era costume da época sepultar aqueles morreriam de doenças graves em localidades distante da civilização, comprovando então, relatos de pessoas que ao construírem suas casas nesta região em meados da década de XX, encontrarem restos mortais, e de outras que lavavam roupas na lagoa da torre que se encontravam no caminho com as sepulturas. Vejamos o relato abaixo:

(Trabalho realizado por Luan Sarmento em busca de datas do século XIX no antigo cemitério do Icó)


Em uma entrevista ao blog D. Josefa Maria de Sousa, expressou: ''Moro aqui desde o ano de 1958 e morava em uma casinha de taipa ao lado da Igreja do Monte. Eu via da janela da minha casa as catatumbinhas e alí (apontou para os comércios da avenida principal e para a região do lado esquerdo do cemitério) também tinha mais.

Quando agente ia lavar roupa na lagoa da torre, agente via mais catatumbinhas e montinhos de barro pela região do monte, nas laterais e atrás da igreja, tudo fora do cemitério. Aqui não tinha nada, era tudo mato, isolado. Tinha também a casa da pólvora, preta, caindo os pedaços e era de muitos anos atrás. '
' Relato de D. Josefa, 72 anos.

LAGOA - A lagoa da torre era um lago que existia ao lado da Igreja do Monte, onde hoje se encontra o Centro Gerencial e recentemente foi secada. Surgiu esta denominação quando aqui se estabeleceram bandeirantes da Casa da Torre da Bahia, para criar gado, riqueza econômica do século XVIII em Icó, civilização dos criadores de gado.

A Casa da Torre era uma poderosa instituição pioneira na pecuária no Nordeste do Brasil colonial, que adentrava nos sertões para explorar as terras e cultivar riquezas, estimando-se que a Igreja do Monte foi iniciativa de um ou dois membros do grupo em 1750. Nossa Senhora da Conceição é padroeira de Portugal.

* Textos de Luan Sarmento - Bacharelando em Serviço Social - publicado no blog Icó Arte Barroca

Colaboradores:
Historiador Altino Afonso Medeiros Monte
Genildo Angelim
D. Josefa Maria do Sousa
Texeira Alenca


Referências:

COUTO. Padre Francisco de Assis. a história do Icó, sua genuína crônica, primeira parte 1682 a 1726. Iguatu: 1962. 98 p.
LIMA. Miguel Porfírio de.Icó em fatos e memórias. Icó: vol. 1, 1995. 215 p.
LIMA. Miguel Porfírio de. Icó em fatos e memórias. Icó: vol. 2, 1998 159 p.
http://www.icoenoticia.com/2009/08/ha-145-anos-falecia-o-idealizador-do-1.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Site - A enciclopédia livre.

Fonte do Artigo: Site Icó é Notícia - YURI GUEDES - Colaborador

Leia mais no site HISTÓRIA DO CARIRI - www.historiadocariri.com

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