01 junho 2011

Ouroboros - Por: João Marni de Figueiredo




Imune ao próprio veneno, do qual depende para alimentar-se, nunca pressurosa e sempre à sorrelfa, rastejando porque perdeu as pernas, morde. Estive pensando em por qual razão N. Senhora pisa descalça a serpente e a subjuga. Decerto não tem mais medo. Se o teve foi antes, quando engravidou ainda adolescente, e dos olhos atravessados das pessoas. Concebida, zelou pelo fruto com o maior amor de uma mãe. São assim as mulheres, vivendo pelos filhos mesmo sem a reverberação dos seus corações, tratando-os pelo “Inho”: meu filhinho, meu amorzinho, meu inocentizinho...

Não compreendo então porque esbarramos a todo o instante com gente estranha, de língua bífida, talhada assim no capricho pelas lâminas da inveja, da maledicência e da incompetência. Sangue ruim. Ainda bem que longe de generalizações. Imagino se nossa Venerada Descalça vacilasse na vigilância diuturna da gente: “a coisa” sairia por ai, mordendo a todos nós até que não existíssemos mais. Por falta do que fazer, a rastejante se extinguiria também, começando a engolir-se pelo próprio rabo. As cobras bem que não merecem este comentário, mas todos sabemos que não é só em maio que andam juntas. Um perigo!

O milagre é que há tanto a ser feito, Ouroboros, na busca da tal felicidade... Prepararmo-nos para largarmos o couro, crescermos assim a cada estação, deixando para trás tantas coisas desnecessárias e que permitimos no dia a dia que colem na gente esses adornos horríveis que jamais serão moda no paraíso... Até parece que evoluímos no caminho certo, mas estamos mesmo é piorando à medida dos anos sem fim. Nunca nos contentamos, estamos sempre obedecendo à ordem do querer mais, olhando o quintal do vizinho e, à guisa de ajudar, o invadimos e o tomamos. Precisamos renovar a pele, buscando sempre novas amizades e evitando aquelas que já sabemos serem venenosas. Maravilhoso seria se imitássemos o comportamento das crianças, levando a vida menos a sério, esbanjando alegria e a inocência que nunca deveriam ter saído da gente.

A esperança talvez esteja na fortaleza dos corações amorosos e sensatos. Lá, não penetrarão as unhas e os olhos enormes dos muitos de nós. Mas onde estão?

João Marni de Figueiredo
28.05.2011

Um comentário:

  1. Parabéns, João Marni,

    Nesta semana mesmo, depois de muito pensar, eu cheguei à conclusão que eu não sou mais desse planeta.

    Meu pensamento está muito diferente da corrente principal das pessoas que vivem por aqui, preocupados com coisas mundanas e totalmente inúteis. A questão ainda é saber o que é útil e o sentido disso tudo.

    Ainda tenho meu corpo que caminha pela superfície da terra, mas com certeza, minha alma aspira e vive em outros planos.

    Cheguei à conclusão de que toda essa balbúrdia que aqui existe, é necessária. Há que existir a massa de manobra para movimentar o mundo. Há que existir os homens-bomba, que darão a vida por coisas totalmente absurdas, e há que existir acima disso tudo uma sociedade secreta, uma estrutura que sabe destes segredos desde a fundação do mundo, que as sociedades são estratificadas, que não somos todos iguais, que há uma elite privilegiada mesmo, que segue as próprias leis da natureza.

    Não sei se eu estou pronto a essa altura para fazer parte da organização, mas pelo menos, cheguei à conclusão que ela é necessária e que PRECISA existir. Se é a Maçonaria, eu não sei. Mas há conhecimentos secretos e estes não podem vir à luz dos simples animais com cabeça de homem.

    Não sei qual é o próximo passo, se o contacto com alguém pertencente a essa sociedade secreta, uma adbuçao por alienígenas ou o meu transporte deste mundo para outro, mas eu começo a ver que há toda uma estrutura cuidadosamente arquitetada para que tudo funcione da forma que está, que sempre foi, e que sempre será.

    Estou esperando uma reunião na "sala do chefe". Estou pronto.

    Abraços,

    Parabéns pelo excelente artigo.

    Dihelson Mendonça

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