05 maio 2011

NOSSO CRATO E NOSSA GENTE - Siqueira Campos - Por Edilma Rocha


Espírito de liderança, coração generoso, lutador incansável e sempre a procura da modernidade.
Sorridente e de ar feliz, era assim Siqueira Campos no seu terno de linho branco, gravata clara, sapatos bem polidos com o seu automóvel estacionado em frente ao seu estabelecimento comercial.

Manoel de Siqueira Campos, filho de Francisco Siqueira Campos e Clara Câmara Siqueira Campos. Nasceu em 18 de Maio de 1874 na Vila de Porteiras, Estado do Ceará. Logo depois foi levado junto com a família para o Estado do Pernambuco. No sopé da fértil Serra da Baixa Verde, na localidade de Triunfo, inicia suas atividades comerciais. Com sua enorme capacidade de luta e perseverança, estimula os agricultores daquela região financiando sementes para a plantação através de crédito próprio, sempre enfrentando as adversidades do tempo. Improvisava serviços no período das secas para ajudar aos sofridos e chegava a distribuir alimentos do seu armazém para matar a fome da gente que vinha dos sertões para a Baixa Verde, tentando escapar da morte. Era um homem sensível a dor humana e usava da sua inteligencia criando fontes de trabalho aos mais carentes. Homem respeitado e elogiado com honrarias, mas nunca aceitou cargos públicos. E é assim e até hoje, lembrado com saudades e respeito pelos cidadões de Triunfo.

Resolveu expandir seus negócios e investir na região do Cariri. Abriu filiais em Crato, Juazeiro, Barbalha e Missão Velha, mas radicou-se em Crato e Triunfo onde permanecia por temporadas.
Chegou ao Crato em 1910 e aqui encantou-se pela linda filha do Coronel Granja, com quem casou-se e constituiu família. O seu armazém, o maior da cidade ficava na rua do comércio, hoje conhecida como rua Dr. João Pessoa. Podemos dizer que Siqueira Campos foi um dos homens mais progressistas que chegaram em nossa terra, contribuindo para o desenvolvimento local. Na antiga rua da Vala, hoje Tristão Gonçalves, no ano de 1912, instalou a nossa primeira fábrica de bebidas juntamente com um sócio, Manoel Gomes. Fabricavam vinhos de nome "Santos Loups", cujo químico responsável era Deodoro Gomes de Matos. Depois veio a fábrica de doces que servia a toda a região do Cariri.

Na seca de 1915, foi um grande líder a amparar os sertanejos que chegavam, abrindo frente de serviços. Dirigiu as obras do calçamento na rua principal do Crato, onde pagou grande parte do seu próprio bolso, com a intenção de ajudar aquela gente e ao progresso.
Através das estradas dos sertões, trouxe em 1919, o primeiro automóvel para o Crato comprado em Recife e que fez história com a sua chegada triunfante na Princesa do Cariri atraindo muitos curiosos, na companhia do Coronel Passos de Queiroz.
Siqueira Campos teve uma família numerosa e bem sucedida que soube administrar os bens materiais. Ezequiel Siqueira Campos, seu filho, proprietário da Usina Porto Rico, reside em Alagoas; outros filhos estão em Recife, ricos comerciantes; duas filhas vivem em Portugal e trabalham na gastronomia Europeia; Netos e bisnetos seguem a prole do seu patriarca através do comércio e da indústria.

Leva o seu nome a nossa primeira praçinha localizada no coração da cidade do Crato numa justa homenagem. A sua imagem está imortalizada através de um busto que presencia encontros históricos e memórias populares ao longo de tantos anos, mostrando assim a gratidão do povo do Crato a este filho adotivo que em vida deixou aqui a sua bondade e o seu espírito empreendedor.
Faleceu Siqueira Campos em Recife, Pernambuco, em 30 de Junho do ano de 1928, vitimado por paratifo.

Ficamos gratificados em saber que o nome do nosso primeiro benfeitor não foi esquecido pelos cratenses, pois deixar um marco na história através do tempos é qualidade de poucos. E ele deixou o seu entusiasmo, alegria e modernidade até hoje, presente nos visitantes que reinvidicam sempre por melhorias aquela pequena praça.

Edilma Rocha
Fonte - Google, J. Lindemberg de Aquino

6 comentários:

  1. Querida Edilma, parabens pelo espetacular texto nos trazendo a figura marcante de Siqueira Campos, receba nosso abraço,

    Manoel Severo

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  2. Maravilhosa postagem, Edilma! É disso que estamos precisando. É desse tipo de texto que revela a nossa terra, e exalta, que estamos carentes.

    Um forte abraço para você!
    Tiraria meu chapéu, se eu usasse um.

    Dihelson Mendonça

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  3. Excelente postagem.
    Edilma tomou gosto pelo resgate da memória de sua cidade natal e se houve muito bem neste artigo.

    Oportuno ressaltar que ela tem a honestidade de citar as fontes de pesquisa, procura retroagir à mentalidade e costumes da época, o que garante o equilíbrio e imparcialidade dos seus escritos.
    Parabéns Edilma!
    Armando

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  4. Manoel Severo,

    Gosto desta troca de gentilezas com os amigos através dos blogs.
    Acho até que, todos nós que relatamos algum fato, ficamos gratificados com a consideração por parte de pessoas como voce que faz a história do nosso Crato de hoje.
    Obrigada por sua atenção.
    Retribuo o abraço extensivo a linda Daniele que também faz acontecer.

    Edilma

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  5. Dihelson,

    O seu espaço é coisa séria.
    Não me sinto avontade para escrever qualquer assunto. Cada coisa no seu lugar. Prefiro usar o blog do Crato para assuntos que esclareçam os leitores e elevem o nome da nossa cidade.
    Voce como sempre, um cavalheiro e mediador de um espaço informativo de responsabilidade.
    Fico contente em ter contribuido a altura do blog do Crato e me ponho a sua disposição.
    Olha que tirar o chapéu sem nem usa-lo, é para mim consideração demais...

    grande abraço !
    Edilma

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  6. Armando,

    Hoje é só alegria !
    Primeiro Severo, segundo Dihelson e em terceiro voce, que me cobrem de elogios.
    Sou uma amante da história antiga do Crato e possuo muitos livros sobre a nossa terra.
    Não sou uma memorialista como voce, mas procuro me cercar de boas fontes de informações.
    Obrigada pelas palavras de incentivo aos meus escritos.

    Abraço !
    Edilma

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