14 abril 2011

UMA REFLEXÃO PARA NÓS EDUCADORES -Por Maria Otilia


Vimos nestes últimos dias a grande repercussão da tragédia ocorrida em uma escola municipal do Rio de Janeiro. Nas inúmeras matérias e entrevistas apenas foi evidenciado a atitude comportamental do "jovem matador", inclusive ex-aluno desta escola. Precisamos levantar uma reflexão da escola que desconhece os seus alunos, que não buscam conhecer o meio em que vivem fora da escola, seu comportamento retraído ou expansivo em demasia. Que na maioria das vezes cumpre apenas uma das suas funções sociais que é a de propiciar conhecimentos universais necessários a formação academica dos seus alunos. Por outro lado nos últimos anos, as famílias estão repassando para as escolas o papel que é seu.O papel de cuidar, de dar os primeiros ensinamentos de valores éticos, respeito, tolerancia, gratidão ,etc.

De acordo com alguns estudiosos, a escola, na figura do professor, precisa compreender o aluno e seu universo sociocultural. Conhecer esse universo é de grande eficácia para o trabalho do professor que atua no plano universal, cultural e pessoal, já que existem, para a espécie humana, processos mentais próprios, mas que podem variar de acordo com as culturas nacionais, regionais, e até em momentos históricos específicos. Segundo Wallon a escola comete erros porque desconhece as características do funcionamento da mente humana em suas fases de desenvolvimento; erra por não conhecer conteúdos culturais que possam contextualizar concretamente os alunos, e erra, ainda, por desconhecer as histórias de vida de cada um. Não que seja suficiente conhecer seu universo cultural, mas com certeza é indispensável. Para Piaget, todo processo de desenvolvimento inerente ao ser humano passa pela dimensão social e envolve cognição, afeto e moral. . Segundo ele, durante os últimos 30 anos, tanto psicólogos, quanto educadores, ‘voltaram a atenção’ mais para o papel dos conceitos cognitivos do que para os conceitos afetivos da sua teoria. Ele próprio, mesmo reconhecendo o aspecto afetivo como importante, concentrou sua atenção mais no aspecto cognitivo. Piaget deixa claro que a visão do desenvolvimento intelectual, incluindo o cognitivo, sem levar inteiramente em conta os aspectos afetivos é incompleta.. Ao pesquisar o comportamento da criança, Piaget levou em consideração suas fases de desenvolvimento, cuja compreensão é importante para se entender o desenvolvimento afetivo no processo de aprendizagem, na relação conflitante entre professor e aluno.

No período Sensório-Motor, de impulsos e reflexos instintivos, o recém-nascido busca alimentação e libertação de desconfortos, Piaget diz ser uma fase egocêntrica. Até mais ou menos um ano e meio, não há sentimento de respeito pelo adulto. É a fase do desenvolvimento moral denominada de anomia. Nesta fase, o sentimento forte que começa a se desenvolver no relacionamento entre a criança e os seus tutores é o afeto. Este sentimento é fundamental para a formação futura do respeito. É no segundo ano de vida, que a criança começa a usar os sentimentos para alcançar os fins e experimenta “sucessos” e “fracassos” do ponto de vista afetivo. “O investimento do afeto em outras pessoas é o primeiro passo do desenvolvimento ‘social’ ” (WADSWORTH, 1995:40). Este triste acontecimento na Escola Municipal Tasso da Silveira deve acender um farol vermelho para todas as demais escolas. Vamos abrir as portas para as famílias e comunidade e assim conhecermos mais de perto o contexto social e familiar dos nossos alunos. Como diz o Ministro Fernando Haddad a escola aberta a comunidade é a mais segura. A partir daí a comunidade conhece, respeita, frequenta e busca junto aos educadores possíveis soluções para os seus conflitos.

É hora de cobrarmos políticas públicas de apoio as escolas tais como: implantação de núcleos de atendimento especializados ( psicológos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, assitentes sociais , orientadores educacionais,psicopedagogos , etc. Principalmente para as escolas que tem alunos com necessidades especiais.

Postado por Maria Otilia

5 comentários:

  1. Apesar de não atuar diretamente na área da educação, mas tenho uma formação pedagógica e pós-graduado em psicopedagogia, sempre defendi com os projetos elaborados (como grade curricular), que todas as escolas públicas (municipais/estaduais), tivessem a disposição das mesmas, profissionais especializados para darem suporte ao corpo docente/coordenação/supervisão.Defendo esse pensamento, uma vez que, o professor mesmo com suas competências muitas vezes estão sobrecarregados com tarefas e ficam impossibilitados de analisar o aluno nas suas especificidades. Já o profissional específico, tem um preparo de como identificar, e diagnosticar um aluno dentro do seu mundo muitas vezes até a sua subjetividade.
    Antonio César/ Fortaleza
    Fone (85) 8606.6636

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  2. Parabéns, Maria Otília!

    Um forte abraço

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  3. Cesar, não precisa nem deve publicar seu telefone não, amigo. Preserve a sua PAZ e a sua privacidade. Evitem divulagr endereços e telefones nos comentários. O nome já é suficiente, principalmente quando é bem intencionado.

    Abraço,

    DM

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  4. Dihelson...César é um ex-aluno da Escola Dom Quintino. E gosta muito do blog do Crato, reside em Fortaleza e diariamente acessa este blog.
    Abraços
    Maria Otilia

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  5. Pois é, Otília, exatamente para preservar o Cesar de trotes e outras coisas é que peço que ele não divulgue o telefone.

    Abraços,

    DM

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