15 abril 2011

Rua Imperador Dom Pedro I – por Armando Lopes Rafael





Existe no conjunto habitacional Mutirão (localizado logo após o bairro Alto da Penha) em Crato, uma pequena rua denominada Imperador Dom Pedro I. Esta justa denominação deveu-se a um projeto do então vereador Emerson Monteiro, aprovado em 1992, e atendeu aos pedidos de monarquistas cratenses feitos aquele edil, o qual – diga-se de passagem –, teve uma honrada e fecunda atuação na Câmara Municipal de Crato.

Dom Pedro I, na opinião de João de Scantiburgo, foi “O maior clarão do Novo Mundo”! Já o historiador Pedro Calmon escreveu que o primeiro imperador brasileiro foi “O maior príncipe do mundo no século XIX”. São opiniões modestas sobre Dom Pedro I! Este, (que aos 25 anos de idade garantiu lugar na história como o homem que fez a Independência do Brasil), por sete vezes recusou outras coroas que lhe foram oferecidas por três países: Grécia (1822 e 1830); Portugal (1826 e 1834) e Espanha (1826, 1829 e 1830). Nessas ocasiões optou por continuar no que ele chamava “Meu amado Brasil”...

Na vida privada Dom Pedro I foi militar autodidata, poeta, músico, jornalista, geopolítico, abolicionista, liberal, legislador, marceneiro, domador de cavalos, um espírito versátil e intuitivo, leal aos amigos, franco e sincero para com todos. Hoje só fala nas suas conquistas amorosas, como se isso fosse um desdouro para um homem viril, do porte de Dom Pedro de Alcântara. Deve-se a Dom Pedro I, dentre tantas e tantas coisas que ainda hoje marcam o Brasil, o Hino da Independência (de sua autoria) a Bandeira do Brasil Império (a qual, com algumas medíocres adaptações, é a mesma da atual República), as cores nacionais: o verde (da Casa de Bragança) e o amarelo (da Casa de Habsburgo da Imperatriz Leopoldina); a Constituição de 1824 (a que mais durou – 67 anos – dentre as sete que já tivemos) e o início das nossas poderosas Forças Armadas. Graças a tudo isso o Brasil não se fragmentou em dezenas de republiquetas insignificantes como ocorreu na América Espanhola.
Sobre a Constituição Imperial de 1824 os mais desavisados dizem que ela foi “outorgada”. Desconhecem que a mesma foi submetida à aprovação de todas as Câmaras Municipais do Brasil, incluindo a de Crato, cidade que – graças ao vereador Emerson Monteiro – denominou uma rua, no arrabalde do Mutirão (antigo Cafundó), de Imperador Dom Pedro I...
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

8 comentários:

  1. --- 1 ---
    Para se conhecer a importância de Dom Pedro I, noutros setores, que não a de Chefe de Estado, o 8º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira – realizada em Juiz de Fora (MG) – resultou num CD de música clássica, onde foi incluído Dom Pedro I, ali cognominado: Príncipe, e músico! Transcrevo um pequeno texto constante da apresentação do CD:
    “Modesto lugar, sem dúvida, na galeria dos autores musicais brasileiros, é a ocupado por Dom Pedro I (1798-1834). Por felicidade, sua obra musical, ou quase toda, chegou até nós. Além do “Credo”, registrado neste CD (na verdade presentes estão duas outras partes do chamado ordinário da missa católica – o Sanctus-Benedictus e o Agnus Dei) deixou o nobre compositor: um “Te Deum”, para quatro vozes e orquestra, executado na Capela Real por ocasião do batizado de sua primogênita, Maria da Glória; uma missa, apresentada em 1829, já na então Capela Imperial; uma abertura de Ópera, executada no Teatro Italiano de Paris, em 1832, presente o autor; o Hino Oficial de Portugal (...)

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  2. --- 2 ---
    Homem a frente do seu tempo, o Imperador Pedro I não acreditava em diferenças raciais e muito menos em uma presumível inferioridade do negro como era comum à época e perduraria até o final da II Guerra Mundial (1945). O Imperador deixava clara a sua opinião sobre o tema: "Eu sei que o meu sangue é da mesma cor que o dos negros". Era também completamente contrário a escravidão e pretendia debater com os deputados da Assembleia Constituinte uma forma de extingui-la. Infelizmente só seu filho – Dom Pedro II – conseguiu acabar com a escravidão negra no Brasil.
    O príncipe era extremamente simples, e enquanto a sociedade da época como um todo considerava qualquer forma de trabalho manual algo relegado somente a escravos, D. Pedro não se importava em trabalhar com as próprias mãos. Fazia questão de manter uma relação direta com o povo, e sentia prazer em estar entre gente comum, como atestam todos os seus biografos.

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  3. --- 3 ---
    Além do seu português nativo, D. Pedro sabia ler, escrever e falar em francês e latim, e compreendia o inglês e o alemão. Até o fim de seus dias dom Pedro I reservou diariamente cerca de duas horas à leitura e ao estudo. Também escreveu diversas poesias. O príncipe sabia tocar instrumentos musicais como: piano, flauta, fagote, trombone, violino, clarinete, violão, lundu e cravo. Tinha grande interesse por atividades que requeressem uma certa habilidade física, como pintura, litografia, escultura e frequentou constantemente as aulas de desenho da Academia de Belas-Artes.
    Era também um excelente mecânico, marceneiro e torneiro, além de desprender bastante tempo a exercícios físicos, equitação e caça.
    Ecce homo!

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  4. Enquanto isso, caso alguém se interesse, nosso tirano e devasso imperador perseguia, sem dó nem piedade, a família Alencar. Não poupou nem a velha senhora, Dona Bárbara, que o diga a Ana Triste. Triste!!! fátima

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  5. --- 1 ---
    Fátima:
    Sem desejar alimentar qualquer polêmica (limito-me a citar a realidade dos fatos) gostaria de lembrar que nem todos os componentes do ilustre clã Alencar do Cariri foram vítimas da dinastia dos Bragança. Por exemplo: um filho de dona Bárbara, José Martiniano de Alencar, em 1825, devido ao fracasso da República do Equador (da qual participar), depois de preso, pediu clemência a Dom Pedro I e foi anistiado.
    Naquele ano, a veneranda matriarca da família, dona Bárbara, já era falecida. A morte desta ocorreu em 28 de agosto de 1833 (antes da República do Equador, portanto), na Fazenda Touro (no Piauí) e dona Bárbara foi sepultada na capela do distrito de Itaguá, em Campos Sales (CE).

    Bom lembrar que José Martiniano de Alencar – um dos grandes homens políticos brasileiros do período Imperial – foi eleito senador pelo Ceará em 1832 (no período das Regências) e deve-se a ele a idealização do “Clube da Maioridade” (cujos componentes se reuniam na casa do senador Alencar), iniciativa responsável pela antecipação da maioridade de Dom Pedro II, que assumiu o Trono com apenas 15 anos de idade. No reinado de Dom Pedro I, José Martiniano de Alencar, além de senador, foi Presidente (hoje se chama governador) do Ceará em duas ocasiões. Aliás, foi um excelente governador, responsável por acabar com o clima de banditismo que infestava a terra cearense.

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  6. --- 2 ---
    Aliás, registra a História, que o senador Alencar certa vez foi ao Palácio Real visitar o herdeiro do Trono Brasileiro, o garoto Pedro II. Foi cumprimenta-lo já que iria voltar ao Ceará para assumir o cargo de Presidente da Província. Dom Pedro II tinha cerca de dez anos, naquela ocasião. O garoto, num gesto de simpatia, entregou a José Martiniano de Alencar três desenho que havia feito em cartolina e disse:
    – Receba-os que foram feitos por mim.

    Alencar agradeceu e presenteou à Câmara Municipal de Crato com aqueles desenhos feitos pelo futuro Imperador brasileiro. Para variar, os vereadores do Crato daquele tempo não preservaram os desenhos, que desapareceram sem deixar vestígios. Esses desenhos bem poderiam estar hoje no Museu Histórico de Crato...

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  7. --- 3 ---

    O fato é ilustrativo porque mostra que José Martiniano de Alencar (que na juventude lutou pela república e sofreu as agruras das prisões em 1817 e 1824), depois se converteu num homem ponderado, conciliador, que não guardou ódio nem rancor de todos os revezes sofridos por ele e sua ilustre família.
    Aí incluído episódio da lamentável morte de seu irmão, o herói Tristão de Alencar Araripe, assassinado em 31 de outubro de 1824, por Venceslau Alves de Almeida, tido como capanga de José Leão da Cunha Pereira, inimigo pessoal de Tristão.

    Este teria aproveitado o recuo de Tristão e suas tropas -- ante as forças imperiais que o tentavam prendê-lo -- e, na localidade de Santa Rosa (hoje inundada pelas águas do açude Castanhão)o capanga Venceslau assassinou Tristão e ainda praticou toda espécie de desrespeito com o cadáver do valoroso caudilho caririense.
    São fatos lamentáveis da nossa história que qualquer pessoa com formação cristã lamenta e reprova...

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