23 janeiro 2011

Resposta a um fã da limitada e contraditória filosofia econômica de Karl Marx - José Carlos Lobo Barbosa


As idéias de Karl Marx foram produzidas e influenciadas por certo contexto histórico-geográfico, além dos outros aspectos filosóficos, científicos, tecnológicos, políticos, econômicos, culturais e muitos outros relacionados ao tempo e espaço. Compreendo e respeito sua posição mais filosófica do que científica e/ou prática e/ou empírica e/ou pragmática, se assim preferir, em relação a certos pontos do seu texto. http://jornaldedebates.uol.com.br/debate/brasil-uma-ilha-tranqueilidade-num-mar-crises/artigo/marx-consultor-que-nao-foi-ouvido/12616#comment-23599 Assim, elenquei alguns pontos:

1- Karl Marx estudou o Direito e filosofia e não se graduou em economia.

Logo, foi muito mais um comentarista leigo sobre economia do que um especialista em ciências econômicas.

2- Todas as crises econômicas ao longo da história econômica são fatos comuns à própria economia, assim como qualquer variação dentro da estatística ou na natureza,incluindo os próprios comportamentos humanos. Logo, se certos eventos se repetem ao longo da história ou das experiências, como as crises econômicas alternadas por períodos de desenvolvimento, estes se tornam fatos e leis nas ciências econômicas e em qualquer outra ciência ou metodologia científica.

3- Independente das teorias sobre maior ou menor intervenção do Estado na economia, este fato sempre existiu na prática. Sempre existiu intervenção da política na economia. A questão é definir até quando esta intervenção é prejudicial ou não a sociedade como um todo.

Se houver muita intervenção, corre-se certos riscos como a própria história dos muitos problemas econômicos na Rússia nos anos 80 e 90 do século XX, e na atualidade até hoje desde o século passado, em Cuba, na Coréia do Norte e na Venezuela, como altas taxas de inflação, grande desemprego, desabastecimento de produtos básicos, falta de liberdade de expressão da população e dos meios de comunicação, violações diversas dos direitos individuais, civis e humanos, aumento das arbitrariedades pelos ditadores destes países desrespeitando à Constituição jurídica dos mesmos, desrespeito aos contratos, aumento da corrupção, entre outros.

4- Karl Marx só criticou certos fatos econômicos e sociais que ele observou na Alemanha e na Inglaterra, basicamente, no século XIX, e não propôs soluções específicas, objetivas, técnicas e práticas para estes mesmos problemas específicos naquele contexto. Só criticou no nível teórico e não desenvolveu nenhum plano de ação mais prático para solucionar os diversos problemas elencados e sentidos por ele. Na sua vida pessoal, ele era um péssimo gestor das suas finanças pessoais e familiares, além de ter abandonado um filho biológico, sendo sustentado por seu amigo Friedrich Engels desde que o conheceu. Ou seja, seu amigo era seu estado “paternalista” ou seu pai extremamente muito protetor que o impediu de ser mais independente financeiramente pelo seu próprio esforço e trabalho.

5- Se Karl Marx leu, mas não compreendeu toda a extensão e complexidade da obra de Adam Smith, o pai da economia clássica, na sua época quando estava vivo é claro que ele não compreenderia todos os fatos econômicos do século XX e desde início do século XXI devido as muitas limitações relacionadas. A sociedade e a economia atual é extremamente muito mais complexa, diversificada e cheia de nuances, que mesmo muitos economistas vivos não se atrevem a pronunciar certas premissas de forma absoluta, no espaço e no tempo. Logo, as contribuições teóricas de Karl Marx estão dentro dos seus limites como ser humano dentro do seu contexto.

6- Portanto, ele não poderia ser um bom consultor, pois estaria muito desatualizado, ainda mais que para sê-lo o mesmo deveria estar literalmente vivo e muitos sabem que ele morreu na cidade de Londres na Inglaterra em 14 de março de 1883.

7- Muitos jornalistas e comentaristas de economia não possuem uma graduação ou pós-graduação em economia. Também faz parte da prática profissional dos jornalistas, traduzir a linguagem dos especialistas para uma linguagem mediana no qual se supõem que grande parte da população com formação escolar também média compreenda. Logo, devemos ser mais compreensivos com certos comentários que refletem as limitações de formação acadêmica e, psicologicamente, de cognição que todos nós, seres humanos, estamos sujeitos.

8- Suponho que a sua pessoa também possua suas limitações em relação às diversas teorias e práticas econômicas no mundo atual. Sugiro procurar estudar mais sobre economia, negócios, finanças e investimentos e, se possível, fazer um ou mais cursos técnicos, tecnológicos, bacharelados, licenciaturas e pós-graduações relacionadas às áreas gerenciais (Ciências econômicas, Ciências administrativas, Ciências contábeis, Técnico em Gestão de Negócios, Tecnólogo em Processos Gerenciais, Gestão Financeira, Gestão Comercial, Gestão de Pessoas ou Gestão de RH, Gestão de Marketing, Gestão de Logística, entre outros relacionados). Assim, devemos todos sempre estudar, estudar e estudar continuamente para aumentar nossos conhecimentos neste mundo global e interdisciplinar. Karl Marx é só um entre milhares de outros teóricos. Suas contribuições são limitadas e possui muitas contradições e questionamentos como qualquer outro arcabouço teórico poderia ter. As teorias do liberalismo e do neoliberalismo também possuem suas limitações e como todas as teorias (científicas ou não), incluindo as marxistas, marxianas, socialistas, comunistas e anarquistas, nunca conseguem apreender toda a realidade ou as realidades e nuances deste mundo extremamente complexo, multidisciplinar, multifatorial e multifacetado que sempre estamos conhecendo um pouco mais a cada momento. Já pensou em fazer certas análises hipotéticas sobre certas questões psicológicas e psiquiátricas da vida e da obra de Karl Marx? Estude muito a vida dele (além das suas obras) juntamente com psicólogos e psiquiatras e/ou leia mais sobre psicologia e psiquiatria e verá que ele muito provavelmente tinha seus problemas, limitações, imperfeições e contradições. Leia também todos os seus críticos para ter uma visão mais ampla e equilibrada do assunto. Karl Marx não é Deus. Logo, cuidado com o fanatismo marxista e/ou socialista e/ou comunista e/ou anarquista e/ou qualquer outro fanatismo e/ou obsessão filosófica, comportamental, política, econômica, social, cultural, etc.

Sobre o Autor - Graduado em Filosofia pela UFMG e Técnico em Gestão de Negócios pelo SEBRAE MG. Também fiz vários cursos na área de Gestão, Finanças, Mercado Financeiro e Mercado de Capitais no SENAC MG, FATEC/CDL BH, PUC MG, APIMEC MG (Associação dos Profissionais e Analistas do Mercado de Capitais) e na XP Corretora de Investimentos. Já trabalhei como Professor de Filosofia e como Agente e Analista de Crédito Empresarial no BAMIC (Banco Mineiro de Microcrédito) especializado em crédito empresarial para microempresas,além de outros estágios e trabalhos temporários via UFMG, PBH e IBGE. Atualmente, sou Gestor e Investidor Financeiro na BM&FBOVESPA via Internet Banking e Home Broker desde 2003.

3 comentários:

  1. curiosamente saiu hoje no DN uma opinião sobre esse tema:

    http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=921960

    abraço

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  2. por sinal, excelente artigo do Sr José Carlos, quem dera os marxistas entenderem isso tudo.

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  3. De uma coisa nós concordamos:

    "Carl Marx NÃO é Deus!" como quer muita gente. E o autor do artigo está certo, o pensamento de Marx é importante para a história, mas totalmente defasado, incompleto ao mundo complexo e multifacetado em que vivemos. Carl Marx nunca imaginou um mundo de economia e sociedade globalizada como a nossa.

    É quase como se vivêssemos num outro PLANETA totalmente diferente do dele.

    Mas foi um bom comêço. Só não se pode deter no comêço. Já pensou se o corredor de fórmula 1 desse a primeira volta boa, e parasse para comemorar ?

    Abraços,

    DM

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