14 janeiro 2011

A EVOLUÇÃO DA SAÚDE E A GLOBALIZAÇÃO - Prof. Samuel Duarte Siebra


Ao tentarmos compreender as relações estabelecidas entre a evolução da globalização e o impacto causado na saúde e todas as suas manifestações, se faz necessário no pretérito compreendermos a própria evolução do capitalismo brasileiro ligados a isso o modelo secularmente aplicado no país, o modelo curativista de atenção a saúde, passando desde a figura dos médicos de família, aos renegado e menos abastados que eram cuidados por carismáticas religiosas que de forma voluntária e caridosa atendiam aos que necessitavam de tratamento.

Um país colonial que manteve sua economia baseada no extrativismo vegetal seguido da mineração e mantém-se ligado fortemente a agricultura e a pecuária como nos dia de hoje, sendo que no passado de forma contundente. Enquanto as manufaturas chegavam do velho mundo, falava-se em liberdade e fraternidade e solidariedade, passamos séculos no PLANTATION, vendendo e comprando escravos. Sempre subservientes, custamos a andarmos com nossas próprias pernas, se é que andamos, importamos toda espécie de valores culturais, vendidos a nós como modelo de sociedade civilizada, inclusive o consumo como verdadeiro símbolo de LIBERDADE, se compro sou livre, se não escravizam-nos. O período de industrialização no país também é marcado por grande mobilização social, passando pelas reformas Oswaldianas com a finalidade precípua de garantirmos que nosso comércio internacional estivessem livres da influencia negativa das endemias que assolavam o Brasil pré-republicano, até meados da República Getuliana quando são criadas as caixas de seguro com a categoria dos ferroviários, posteriormente os IAPES, até chegarmos ao modelo que temos hoje, o SUS, conquistado as duras penas pelo movimento sanitarista da década de 80.

Contudo, ainda que as barreiras da informação estejam constantemente sendo quebradas com o adventos das novas tecnologias, que a cada dia aperfeiçoam seus instrumentos, e ainda que os mercados internacionais se comuniquem de forma mais aberta, estejam “livres” e apregoam essa liberdade para as demais nações , ainda sim percebemos o protecionismo exacerbado dos grandes blocos econômicos ,reorganizando-se, fortalecendo suas moedas como o euro ,o dólar e assim vai. A globalização definitivamente não é para todos pelo menos no campo econômico e muito menos para área de saúde, as quebras de patentes de medicamentos ainda é uma grande luta pela defesa de interesses econômicos, não tendo nada haver com a preocupação do bem estar social de seu Joaquim ou Malu portadores de HIV, seja na África ,seja no Brasil.

A valorização do modelo curativista em detrimento do preventivismo, ainda é muito forte e a política de venda de medicamentos retrata muito bem isso, o olhar biologista precede o holísticos, e todas essas influências só nos remete a percepção que a cultura da liberdade burguesa que se remodela ao longo dos tempos mostrou-nos sua nova face.

Pensar em como a globalização afetou a saúde basta percebermos o que ela nos propõe nas outras áreas de nossas vidas, como educação com o acesso a informática, mas não aos canais por assinatura, na segurança o aumento de utensílios, segurança privada, contudo continuamos aos milhões, sendo vitimados, enfim, ainda há muito o que se mudar, trabalho, distribuição de renda, escolarização com educação, receitas aparentemente simples, mas que mudam o perfil em toda as variáveis de qualquer sociedade.

Prof. Samuel Duarte Siebra
Biólogo e Presidente do Centro Acadêmico de Enfermagem/URCA

2 comentários:

  1. Prof. Samuel Duarte,

    Parabéns pelo seu excelente e diga-se de passagem, oportuno texto. É sempre um prazer para nós, publicar textos de pessoas que escrevem bem.

    A URCA contém várias pessoas que têm essa capacidade, e assim como lhe fiz o convite para postar no Blog do Crato, estendo também o convite a seus colegas, aqueles que tiverem artigos que julguem interessantes para publicação. Estamos de braços abertos.

    Enviem seus textos para nosso E-mail:

    blogdocrato@hotmail.com

    E incluam pelo menos uma foto do autor. Por falar nisso, Samuel Duarte, preciso de uma foto sua para nosso arquivo de colaboradores do Blog do Crato.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  2. estimado samuel,

    estou morando em fortaleza, lugar que não respira cultura como o crato.

    aqui não tem abidoral, salatiel, jão do crato e essa turma.

    não tem reizado e cordeis, não tem o show de noticias do antonio vicelmo.

    a unica coisa boa que tem aqui é a ufc.

    encontrei aeui o alexian, e fui colega do guerrileiro edilson, o cicero que foi canditato a vice-prefeito junto com a mara.

    meu unico contato com o crato é esse blog.

    me escreva.

    joserlandio@hotmail.com

    li o que voce escreveu, muito legal.

    abraços

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