19 janeiro 2011

BIENAL EM VENEZA - Por Edilma Rocha


A Piazza San Marco num final de tarde torna-se barulhenta e povoada pelos artistas, marchands, jornalistas, curadores e turistas que se aproximam da entrada do Museu Correr. O que se vê no meio do frio da Europa é um espetáculo no desfile dos casacos, chapéus, penteados, botas e perfumes misturados ao cheio forte das roupas surradas, sapatos velhos dos apreciadores de arte que chegam do mundo inteiro. Na entrada um vai e vem de pessoas que mais parecem formigas em busca de alimento para a alma. A arte mundial. Tudo fica apertado e quase não há espaço suficiente para uma melhor observação. Mas não importa, todos conhecem bem a boa parte dos artistas expostos depois do estudo detalhado do catálogo. O mundo das artes a correr ritualmente em Veneza a cada Bienal. É a minha terceira visita nestes últimos anos e é uma peregrinação obrigatória por  mais uma mostra. Estar na Europa e deixar de visitar seria imperdoável. Tudo está bem ali atraindo um número  de visitantes ao lado da Catedral de San Marco, plantada em sua secular bizarrice. Veneza está  habituada a peregrinos. Sua exuberância hipnotiza turistas de todo o mundo, mas nas Bienais, um outro tipo de pessoas circulam pelo pátio. Não os costumeiros alimentadores de pombos e apreciadores dos passeios de gôndolas, e sim, gente como eu, a espera de mais uma oportunidade naquele evento internacional.
Os artistas não são difíceis de serem identificados, trafegam em grupos, cumprindo todo o circuito dos pavilhões, vernisagens, mostras paralelas e museus. Vê-se de tudo.  Marchands vendem, artistas procuram novidades, colecionadores são paparicados e os diretores de museus, cortejados. Trocamos sorrisos e cartões a cada dez metros entre frases que chegam a até comentários casuais. Tudo pode ser dito sem ferir a verdade sobre exposição, mesmo que em aspecto temático tão amplo, tudo caiba. O Brasil é um tradicional participante e um conhecido dos venezianos. Vimos os brasileiros Waldemar Caldas e Jac Leeiner, as obras de Ivan Kafta da Republica Tcheca e o alemão Anselm Keifer.
Veneza. Grandes e pequenos canais com seus cristais reluzentes refletidos nos espelhos dágua.  É ela mesma moldada em arte. Labirinto infindável do engenho humano. Ali por mais perfeitas que sejam, estão sempre condenadas a coadjuvantes de uma cidade única, monumental, que resiste a sua própria banalização turística e as intempéries do tempo.

Edilma Rocha

3 comentários:

  1. Que bom, Edilma, saber que você está em Veneza neste momento e desfrutando de momentos únicos. Estar na Europa é estar no MUNDO DE VERDADE, aonde as coisas acontecem. Estou com saudades da minha estrada de músico. Recebi um convite para passar 1 mês na Alemanmha, em KOLN ( Colônia ), mas agora não posso ir.

    Quando assisto aos documentários no National Geographic sobre a Itália, fico maravilhado com a beleza de tantos lugares que quero visitar pessoalmente. E que tal um pulinho à Florenza e o resto da Toscana também ? Boa sorte aí e que faça muitos contatos com os artistas.

    Quando eu viajo assim, amigos músicos não faltam, sabe como é músico, o negócio é tocar, virar noites, algazarra e muita alegria.

    Abraços,
    Bom Divertimento e NEGÓCIOS.

    Dihelson Mendonça

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  2. Meninozinho do céu,...

    Edilma tá em Fortleza e até o final do mês estará em Crato.

    Veja no e-mail "blogdocrato" seu convite para um retorno ao Cariricaturas.

    Já convidei Armando e Carlos Rafael ainda está na lista.

    Abraço,

    Claude

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  3. Dihelson,

    Estou em Veneza nas lembranças e relatando uma exposição de uma Bienal. Mas você entendeu correto pois escrevi lá mesmo e publiquei agora no blog. Deveria ter citado isso. A falha foi minha. Desculpe-me. Mas as suas considerações são corretíssimas e se aplicam perfeitamente ao lugar.
    Estava com uma viágem programada para janeiro mas devido ao frio do inverno muito rigoroso, adiei para julho e lhe enviarei assunto atual.

    Em breve estarei no Crato e aguardo a sua presença com Ninha para a exposição do acervo do Museu do Crato, todas restauradas e com novas molduras. Não perca este momento e terá a oportunidade de olhar o mais rico acervo de arte plástica do Nordeste. Dia 30 de janeiro, as 19:00.
    Encontro marcadíssimo !
    Até breve !
    Abraço !

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