07 dezembro 2010

INFLAÇÃO NOS ALIMENTOS - Preços disparam na feira livre do Crato - Reportagem: Antonio Vicelmo


NE - Inflação não existe ? - O Preço da Carne Dobrou !


Consumidores reclamam dos produtos mais caros na feira do Crato, como milho, feijão verde e carne - ANTÔNIO VICELMO. Vindos de Estados como Goiás, Mato Grosso e Pernambuco, produtos vendidos no Crato têm alta de preço

Crato. Os preços dos produtos "estouraram" ontem na feira semanal do Crato e nos supermercados. A carne e o milho sofreram um aumento de até 100%. A carne de gado, que era vendida R$ 12,00 o quilo subiu para R$ 16,00. O filé sofreu a maior elevação. Passou de R$ 15,00 para mais de R$ 30,00. Estes valores variam de um mercado para outro. Nos frigoríficos e nos mercantis, onde a carne é mantida congelada, o preço é mais alto.

"É tudo uma questão da lei da oferta e da procura", diz o marchante José Carlos Salviano, estabelecido na Central de Abastecimento do Crato, acrescentando que o varejo já observa queda de 15% nas vendas da carne de gado devido a essa alta de preços. Ele explica que, no maior centro produtor, o Estado de Tocantins, onde o seu pai reside, o preço também subiu em consequência das exportações do produto.

Impactos ambientais

A seca e as queimadas registradas naquela região determinaram também diminuição na oferta. "O efeito foi o aumento do preço da carne bovina", diz o marchante Francisco Valdetário, esclarecendo que alta é mais um reflexo da redução da oferta do que do aumento no consumo. O Cariri importa mais da metade da carne que consome. "Até o leite é importado de Pernambuco", complementa.

A elevação do preço da carne refletiu nos restaurantes e churrascarias, que apresenta um aumento em torno de 40%. A empresária Irene Macedo, proprietária de duas grandes churrascarias em Crato e Juazeiro, lamenta a dificuldade de comprar carne para atender à demanda.

O milho acompanhou o mesmo ritmo da carne. Subiu de R$ 20,00 o saco de 60 quilos para R$ 40,00. O feirante Vicente Saturnino diz que o milho produzido na região desapareceu. O jeito é importar de Mato Grosso. O escritório regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informa que esta recebendo, esta semana, seis mil toneladas de milho para serem vendidos a R$ 30,00 o saco. O estoque é destinado aos pequenos criadores inscritos no programa de abastecimento.

O arroz manteve o preço: R$ 43,00 o saco de 30 quilos. O popular fornecedor, "Lenim do Arroz", que abastece a maioria dos Municípios do Cariri, está vendendo 1.000 quilos de arroz, por semana, na região. De hoje para amanhã estão chegando duas carretas do produto, procedentes de Mato Grosso. É outro gênero que está sendo importado dos Estados de Goiás e Mato Grosso. A maioria do alimentos consumidos no Cariri vem do Centro-Sul do País. "Até o famoso arroz de Várzea Alegre, o chamado ´arroz nosso´, o mais gostoso da região, desapareceu do mercado", diz o comerciante daquele Município, Agostinho Bezerra, destacando que o único produto que apresentou uma pequena baixa de preço foi o feijão de corda.

O feirante José Francisco da Silva, conhecido como Zé de Creusa, estava vendendo feijão de corda ontem na feira do Crato por R$ 4,00 o quilo. Houve uma queda de R$ 0,50. O produto está vindo do Estado do Pará. "O gênero na região só deu para o consumo doméstico dos produtores", afirma ele. Já o mulatinho manteve o preço de R$ 3,00 o quilo. A cada ano que passa, a seca ou o inverno no Nordeste têm pouca influência no mercado regional. "Tudo vem de fora", lamenta o feirante. O feijão verde, que era vendido a R$ 2,00 o quilo, subiu para R$ 4,00.

A manga que é produzida na região caiu de preço. Nem compensa colocar na feira para a venda. Somente as frutas selecionadas, de boa qualidade, são vendidas no mercado. O abacaxi, que vem da Paraíba, é vendido a R$ 3,00 a unidade. A produção da Serra do Araripe não atende ao consumo. Já a verdura, depende da oferta. O coentro, por exemplo, está sobrando nas feiras livres. Com apenas R$ 1,00, a dona de casa passa a semana temperando a comida. O problema é o tomate, o pimentão e a cebola, que, em sua maioria, vem dos perímetros irrigados de Petrolina (PE). Os preços variam, para menos ou para mais, no intervalo de um dia para o outro. Os feirantes estão apostando no funcionamento da Central de Abastecimento do Cariri que está sendo concluída em Barbalha. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, vai movimentar uma produção, de início, de mais de 70 toneladas de hortifrutigranjeiro, podendo ser ampliada para 150 mil toneladas. A nova unidade vai centralizar o comércio do setor atacadista, dinamizando toda a economia, até o consumidor final.

Segundo o secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município do Crato, Zilcélio Alves, a Ceasa Cariri vai impor mais organização neste setor. Ele conclamou os pequenos produtores a se organizarem para aproveitar esse potencial de absorção da produção que a região poderá ter, por meio do comércio atacadista. Ele destaca a produção de frutas como banana e manga no Crato que deverá ser comercializada na Central, dando um retorno mais favorável aos pequenos produtores do Município.

Enquete
A Reclamação é geral

"Até o famoso arroz de Várzea Alegre, o chamado "arroz nosso", o mais gostoso da região, desapareceu do mercado"
Agostinho Bezerra
Comerciante

"O Cariri importa mais da metade da carne que consome. Até o leite é importado do Estado de Pernambuco"
Francisco Valdetário
Marchante

MAIS INFORMAÇÕES
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Avenida Padre Cícero, S/N, Juazeiro do Norte - Cariri
Telefone: (88) 3571.4119

Antônio Vicelmo
Repórter do Jornal Diário do Nordeste
Colaborador do Blog do Crato e Chapada do Araripe OnLine

2 comentários:

  1. Eu acho é pouco!
    O preço da Carne Triplicou por aqui. É que eu quis amenizar!

    Não existe Inflação no Brasil.
    Nem existe Vergonha na Cara do Brasileiro também.

    Dihelson Mendonça

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  2. Caro Vicelmo. A inflação é um camaleão, ho! bichinho que se camufla bem!
    Meu querido faça uma comparação por aqui no estado de São Paulo. Até fubá cai ser mais caro e acho que nem mingau o pobre vai poder comer em sua noite de natal, pois até o pão já não dava...
    Boa sorte á todos nós e vamos ficar atentos. Inflação sempre existiu e nunca deixará de existir, enquanto não liquidarmos o camaleão.
    Íris Pereira

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