20 novembro 2010

Quantos presidentes teve a República brasileira? – por Armando Lopes Rafael

Na poltrona”, revista de bordo distribuída entre os clientes da Itapemirim, trouxe – no seu número de novembro/dezembro-2010 – interessante matéria sobre os presidentes da República brasileira. Interessante, mas contendo alguns equívocos.

Na poltrona” afirma que a República Federativa do Brasil (nome que substituiu a antiga denominação oficial dos “Estados Unidos do Brasil”, em vigor de 1889 a 1967) teve – nesses 121 anos completados no último dia 15 de novembro – 31 presidentes. E inclui nessa lista 2 presidentes que não chegaram a tomar posse: Júlio Prestes e Tancredo Neves. Ora, se incluiu até quem não assumiu o mandato, cometeu uma injustiça, com alguns brasileiros que chegaram a exercer a Presidência da República (seja por meses, semanas ou mesmo dias).

E quem foram esses brasileiros que assumiram o mandato de Presidente da República e não foram citados pela revista “Na poltrona”?

1) Augusto Fragoso
2) Isaias de Noronha
3) Mena Barreto
(Essa “Junta Presidencial” esteve na Presidência da República entre 24 de outubro a 3 de novembro de 1930, antecedendo a posse de Getúlio Vargas como “Chefe do Governo Provisório”, que existiu de 1930 a 1934. Depois, Getúlio Vargas emendou o mandato como “Presidente Constitucional” – ele outorgou uma nova Constituição – de 1934 a 1937 e virou ditador por mais 8 anos, até 1945. Getúlio ficou 15 anos na Presidência)
4) José Linhares (cearense de Baturité, que era presidente do Supremo Tribunal Federal e exerceu a Presidência da República após a queda da ditadura Vargas, entre outubro de 1945 a janeiro de 1946).
5) Carlos Luz (era presidente da Câmara dos Deputados e foi investido como Presidente -- de 8 a 11 de novembro de 1955-- em face de um golpe militar que tirou do poder o presidente Café Filho)
6) Nereu Ramos (era presidente do Senado Federal e foi investido como Presidente -- de 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956 -- em face de novo golpe militar que derrubou o presidente interino Carlos Luz)
7) Rainieri Mazzilli (como Presidente da Câmara dos Deputados assumiu durante a renúncia de Jânio Quadros 25 de agosto a 7 de setembro de 1961)
8) General Aurélio de Lira Tavares
9) Brigadeiro Márcio de Sousa e Melo
10) Almirante Augusto Rademaker

(Estes ministros do Exército, da Aeronautica e da Marinha, que assumiram "o exercício temporário da Presidência da República", para o que não havia qualquer previsão constitucional. Estes ministros militares proibiram o emprego da expressão “junta militar” e em 6 de outubro de 1969, declararam "extinto" o mandato do presidente Costa e Silva).

Como se vê, a revista “Na poltrona” deixou de incluir na sua lista 10 (dez) brasileiros que efetivamente exerceram a Presidência da República. Com isso o número de Presidentes da República no Brasil sobe para 41.
O que dá uma média de cerca de 3 anos para cada mandato...
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

2 comentários:

  1. 1)
    No mais, a revista “Na Poltrona”, que é lida por mais de 1.200.000 pessoas mensalmente, graças à distribuição nacional e gratuita, foi correta em algumas análises. A ver:
    “A República brasileira vem lutando para se firmar como uma verdadeira democracia desde o fim do século 19. a Proclamação da República, no Brasil, tem uma história que nunca foi transparente. Passados 121 anos desde 15 de novembro de 1889, ninguém sabe exatamente que palavras pronunciou naquele dia o marechal Manoel Deodoro da Fonseca. Na versão oficial, de cima do seu cavalo, ele teria dito: “Viva a República!”.
    Muitos historiadores, entretanto, garantem que ele disse: “Viva o Imperador!”.

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  2. 2)
    “Deodoro não era um republicano. Tinha amizade e admiração pelo imperador d. Pedro II, a quem servia com lealdade. (...) Também é fato histórico comprovado que os republicanos foram acordar Deodoro na madrugada de 15 de novembro de 1889. Tiraram-no da cama sob o argumento de que a situação do país não permitia mais tolerância (...) transformando-o em chefe de uma conspiração da qual não participara. (...) Mas poucos meses depois (Deodoro), em 3 de novembro de 1891, deu o primeiro golpe da República e se tornou ditador. Ficou menos de três semanas nessa condição: pressionado por greves de trabalhadores, protestos de empresários e ameaça de revolta na Marinha, Deodoro renunciou no dia 23”.

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