29 novembro 2010

PT amplia guerra com PMDB para controlar Correios e Banco do Brasil


Diante da perspectiva de assumir o Ministério das Comunicações, petistas iniciam discussão com Dilma para nomear também dirigente da estatal e pôr fim ao loteamento político.

Diante da perspectiva de comandar o Ministério das Comunicações, o PT planeja desalojar o PMDB da direção da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). O pedido será encaminhado pela cúpula do partido à presidente eleita, Dilma Rousseff. A ideia, no entanto, é passar um verniz de ‘desloteamento’ político nos Correios para apresentar a reivindicação como uma tentativa de profissionalizar a estatal, alvo de uma sucessão de crises nos últimos meses. A direção do PT aposta que o futuro ministro das Comunicações será Paulo Bernardo, atual titular do Planejamento, e já começou a vasculhar uma das chamadas joias da coroa.

Há apenas quatro meses na presidência dos Correios, David José de Matos foi indicado pelo deputado Tadeu Filipelli (PMDB-DF), vice-governador eleito do Distrito Federal, mas também é amigo de Erenice Guerra, a ministra da Casa Civil que caiu em setembro, no rastro de acusações de tráfico de influência na pasta.

Mapa. Uma comissão formada por seis dirigentes do PT já começou a fazer o mapeamento dos cargos federais. A equação não é fácil de ser fechada porque o PT da presidente eleita Dilma Rousseff e o PMDB do futuro vice-presidente, Michel Temer (SP), dão cotoveladas em busca dos principais assentos para demarcar seus respectivos territórios. O Ministério das Comunicações está sob controle peemedebista e a sigla só aceita abrir mão do pasta se levar Transportes, hoje capitaneado pelo PR. O assunto foi avaliado na segunda-feira, 29, em reunião de Dilma com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o deputado Antonio Palocci, futuro chefe da Casa Civil. Desde setembro Bernardo atua como uma espécie de interventor nos Correios e faz um diagnóstico dos problemas da empresa, que não são poucos.

Banco do Brasil. Além de ocupar a cadeira mais importante dos Correios, o partido de Dilma também quer trocar o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendini. A maior instituição financeira do País tem ativos de R$ 725 bilhões. Sem levar em conta o PMDB, que está de olho na presidência do Banco do Brasil, uma ala do PT pretende emplacar ali o atual secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa. Em conversas reservadas, porém, interlocutores de Dilma admitem que a escolha será resultado de uma disputa de bastidores entre Palocci e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mantido no cargo. Tanto Mantega como Palocci, ex-ministro da Fazenda de 2003 a 2006, têm influência no banco.

Bendini chegou à cúpula do BB na cota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas até no Palácio do Planalto há quem defenda a sua saída, sob a alegação de que ele "não atende" as demandas políticas. Barbosa, por sua vez, tem cativado as tendências do PT. Na sexta-feira, o secretário fez uma exposição sobre a conjuntura econômica durante seminário promovido pela chapa petista "O partido que muda o Brasil" e encantou os espectadores com seu discurso na linha desenvolvimentista. A portas fechadas, Barbosa disse que a maior preocupação, no governo Dilma, é como manter o processo de crescimento com o cenário internacional adverso. Apesar da cobiça do PMDB, a presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Maria Fernanda Ramos Coelho, deve ser mantida no posto.

Fonte: AE - Agência Estado

3 comentários:

  1. “Nunca antes na história deste país”, as instituições públicas (Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, dentre outras) foram tão usadas como moeda de troca para acomodar interesses e conchavos das lideranças politicas que representam os diversos partidos da “base de sustentação do governo”.

    Os Correios são um exemplo dessa interferência política. Outrora eficientes, os Correios brasileiros tiveram queda na qualidade do serviço prestado à população. Sem falar nas denúncias de corrupção , amplamente denunciadas, sucessivas vezes, pela mídia que teriam ocorrido nos Correios.
    Triste!

    O episódio de quebra de sigilo fiscal de contribuintes pela Receita Federal, denunciado na última campanha eleitoral, mostrou o risco que corre a democracia, quando as instituições públicas são entregues a militantes de partidos que eventualmente ocupam o poder.

    Ao invés de se equiparar aos patamares dos órgãos estatais do primeiro mundo, o Brasil passou a adotar metodologia das mais atrasadas republiquetas africanas...
    Até onde irá o aparelhamento do Estado?

    As instituições públicas brasileiras deveriam ter autonomia para atuar com estratégias voltadas para as reais necessidades da população. O que deveriam fazer era moderniza-las para elas se tornarem competitivas.
    O que se vê, infelizmente, é exatamente o contrário...

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  2. Armando, seus comentários são verdadeiros Artigos, e eu sinto uma dor no peito por não publicá-los cada um, como uma nova postagem. Sua pena é uma torrente de idéias, ataca o cerne da questão, com a precisão de um franco-atirador.

    Mas esse comentário aqui, digno de qualquer das grandes revistas Brasileiras, eu te juro que nao importa o espaço exíguo da página principal, estou levando pra lá.

    Um abração,

    Dihelson Mendonça

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