10 novembro 2010

Livros são espelhos - Por Emerson Monteiro


Ao ler lemos a nós mesmos através da projeção da visão e identificação, nas páginas escritas, projeção dos nossos conteúdos pessoais, pensamentos, cultura, conhecimento recolhido no decorrer do tempo. Vem daí a importância inigualável da leitura como fonte reveladora do Ser, quando revemos o que dispomos acumulado em nosso interior, recordando coisas aprendidas, movimentando reservas em nós depositadas nas sombras do passado que existirá sempre na mágica indestrutível da consciência individual. Dessa consciência que, ela que junta de si nos outros, forma bloco único e eterno das coisas resultantes o que se revolvem no ato de ler as quais, juntas são denominadas inconsciente coletivo, nada mais sendo do que a formulação universal da Luz original imensa da natureza maior.

É uma moeda que revela seus dois lados em apenas um só lado único, pois. Inexistirá divisão nesse padrão de todas as manifestações em consonância, representadas em face única e particular, o singular do que antes se supunha uma pluralidade infinita e múltipla. Milhares de faces de todo único individual, indivisível. Tudo e todos em um só e único, mesma face da moeda solitária a percorrer o cosmos em viagem sideral através das inúmeras consciências do único formato, entre si interligado por fibras internas da primeira essência.

Ler, portanto, percorrer a face de dentro do conhecimento em elaboração no lado íntimo das individualidades, atualiza essências anteriores da mesma face em novas revelações, constatação original da vez primeira em retorno às vezes outras que se repetem no ser individual-plural, no bloco indivisível de cada ser. Ato de procurar e encontrar a um só tempo, qual ente que desloca seu foco de consciência através da mesma rede imperecível que nasce da fonte perene do ser-conhecer em ação permanente.

Quando lemos, por isso lemos a nós próprios. Atualizamos causas primeiras e consequências posteriores da elaboração de pensamentos e discernimentos, configurando, outra vez primeira, as reações secundárias do que já foram ações primárias, nas letras, palavras e sentidos das novas edições do ato único de compreender que confronta a nós próprios.

Nesse processo da comunicação, as consciências se refazem muitas infinitas vezes, pelos seus próprios atos, no mistério persistente do ser em constante vir-a-ser, resistência, continuidade suspeitada de sobrevivência dos valores da unicidade nas coisas que se sucedem pela essência primeira, na continuidade de tudo em um foco perene, manifestado nas horas diversas e em imagens fragmentadas de futuro aparente, ilusões de particularidades que resultam das imagens únicas em movimento, porém indivisíveis, da mesma e só uma consciência do momento presente em cada lugar do imenso si mesmo todo tempo, e em cada um dos indivíduos atores, através dos quais se manifesta, portanto.

Nisto desvanece o princípio arcaico da multidão de subjetividades e se desvela o conceito pleno da indivisibilidade primeira e eterna do Uno, ser causa cáusica de tudo, Ser essencial, motor dos primeiros postulados, de quem derivaram todas as pretensões anteriores do dois manifestado e também existente, face dupla do Ser criador vivendo em nós, no entanto sem divisão.

Por: Emerson Monteiro

3 comentários:

  1. Sabe Emerson, vou confessar-lhe um segredo, fica cá entre nós: Eu tinha tanta preguiça de ler seus textos. Eu começa, pulava linhas e terminava não lendo, não sei explicar, se era pressa, se desinteresse ou burrice mesmo. Até que falei pra mim mesma: Chega de querer selecionar só coisas fáceis de entender e comesse ler principalmente o Emerson Monteiro. Rsrsrs. E não é que peguei gosto pelos seus textos.
    Parabéns por mais este."Livros são espelhos" E a vida nos mostram os espelhos de nossas vidas.
    Íris Pereira

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  2. Íris Pereira,

    Veja só o que lhe direi: Hoje tenho para mim a certeza de que alguém ler o que escrevo, sim. Bom saber disto. O que passo nas palavras sou eu mesmo, às vezes confuso, difuso, interrogativo, limitado, corajoso, porém esse eu em elaboração, meio imperativo, impaciente, meio persistente, introvertido, ansioso, moralista, anarquista, verborrágico, agressivo. Contudo sei que sou eu e que posso dizer do que vivo a quem acredita nas palavras sem subterfúgios, abertas como nascem de dentro do coração. Todo ser humano é um ser de cultura, me ensinou certa vez uma amiga (Da. Violeta Arraes). Temos de acreditar em alguma esperança e alimentar com força os nossos objetivos maiores, ainda que sintamos solidão e algumas nuvens cinzas cubram o horizonte. Sonhar, acima de tudo, sonhar sempre. Caso perdessemos a crença em nós próprios, em que iríamos realimentar nossas crenças? De suas palavras aprendi um tanto, pela tranquilidade ao dizê-las. Sinto, pois, retribuição pelo que rabisco e disseste de dentro da sinceridade seu ponto de vista.
    Ler e escrever para mim representam segunda natureza, o alimento de um eu que sobrevive a toda limitação de mim mesmo, uma religiosidade resistente ao desfazer das cenas.

    Abraço de Paz.

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  3. Emerson, não tenha mais dúvidas: Muita gente lê os seus escritos e acompanha-os quando o Vicelmo lê na Rádio Educadora. A questão é que pouquíssimas pessoas gostam ou se dão ao trabalho de comentar, como nos tempos do livro: As pessoas são leitores, passivos, ainda não se acostumaram ao bate-bola da internet.

    Abraço,

    Dihelson Mendonça

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