23 setembro 2010

O nosso esporte favorito – por Pedro Esmeraldo


Hoje, passamos a reunir forças espirituais, concentrando todo o pensamento nas décadas de 1940 e 1950 com o desejo de recordar o reconhecimento favorito da infância, buscando meios culturais para mostrar os fatos acontecidos no decorrer do período. Consideramos como sendo um período áureo, sem quebra-cabeças em que observávamos as ocorrências com naturalidade.
Nessa época, as coisas eram rudimentares. Quase não havia o desenvolvimento que queríamos e os meios de transporte eram constituídos de veículos movidos à tração animal, sempre de estilo rústico, pois o homem cuidava desses veículos com muita habilidade no trato dos animais.
Havia poucos automóveis e ônibus. Funcionavam precariamente. Os carros de praça eram restritos, mal davam para atender a classe média baixa. Os ônibus eram obsoletos e só trafegavam de três em três horas, não correspondendo aos anseios dos passageiros. Aí então, damos uma amostragem de como era difícil conviver num período subdesenvolvido.
Morávamos no sítio São José, distante seis quilômetros dos arredores do Crato. Por isso, às vezes, devido à precariedade de transporte, a maior parte da população preferia andar a cavalo ou andar a pé, pois apesar dos pesares andavam muito mais rápido do que suportar os solavancos dos ônibus antiquados nas estradas poeirentas.
As crianças não eram contempladas com brinquedos sofisticados. Vegetavam e não havia brinquedos que se adaptassem aos seus modos. A maioria delas tinha de optar para produtos artesanais de caráter rudimentar.
Salientamos que o brinquedo mais plausível era o jogo de bola, já que se tornava o esporte de nossa preferência. Não havia campos adaptados para esse fim, pois havíamos de jogar bola em qualquer recanto, mesmo nos terreiros das residências, já que esse tipo de esporte era considerado o coqueluche da juventude.
Éramos um grupo constituído por cinco irmãos e tentamos resolver qualquer problema arranjando um terreno cedido por um parente e amigo, senhor José Pinheiro Monteiro. Organizamos o time e fugimos a fim de participarmos do esporte e partimos para controlar o campo com muita força de vontade. Esse gesto do José Pinheiro Monteiro consideramos muito artístico, pois nos livrou do stress e das brincadeiras malévolas.
Os garotos gostavam demais e apreciavam o jogo com muita paixão, tornando-se, alguns deles, pequenos craques, pois sabiam manejar a bola com habilidade e porventura acompanhávamos com ousadia os movimentos dos jogadores dos grandes centros (Rio e São Paulo).
Daí surgiu o interesse de praticar o esporte favorito das multidões, chegando como alguns deles, a torcer pelos grandes times: Botafogo, Vasco, Flamengo e Fluminense no Rio e são Paulo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, etc.
Agora, depois de longos e tenebrosos anos, lembramos como era interessante a prática do esporte, já que “modus vivendi” daquelas épocas ruidosas em que os homens tinham de enfrentar as dificuldades, desejando pelo menos possuir uma maneira de sair do ostracismo, levantando a mão para o céu, além de pedir chuva em período seco, pedia também aos governantes que trouxessem melhoramento para sairmos desses descasos administrativos.
Naquela época, o governo não dava ajuda nenhuma ao homem, quase não havia aposentadoria rural, não havia assistência médica e o homem tinha que sair pela tangente, esperando a morte, fugindo das querelas políticas, pois a partir desse sistema, não havia solução para os problemas sociais.

Texto de Pedro Esmeraldo

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