31 agosto 2010

Fogo destrói 3.700 toneladas de cana em usinas no Cariri - Reportagem: Antonio Vicelmo


Toda a cana-de-açúcar da Destilaria Estrela, em Barbalha, foi consumida pelo fogo, causando perdas para a já enfraquecida atividade de agroindústria da região - ANTÔNIO VICELMO - Prejuízos de R$ 400 mil foram contabilizados em cultivos de cana de sítios no Cariri, devido a incêndios criminosos.

Barbalha. Mais dois incêndios criminosos atingiram a já prejudicada agroindústria canavieira do Cariri. Toda a produção de cana, cerca de 2.500 toneladas, da Destilaria "Estrela", localizada no Sítio Lagoa, Município de Barbalha, foi destruída por um incêndio que consumiu 33 hectares, causando um prejuízo de R$ 350 mil. Já no Sítio Fernando, no Crato, foram queimados 1.200 toneladas de cana, com prejuízo médio de R$ 50 mil. Com estas ocorrências, já foram três incêndios de grandes proporções ocorridos este mês na região. O primeiro foi registrado, há 15 dias, no Sítio Riacho Seco, Município de Missão Velha, onde foi registrado um prejuízo de R$ 100 mil.

Tocar fogo na cana para facilitar o corte é uma prática normal entre os produtores. Mas este tipo de fogo é controlado. "Eles queimam apenas uma pequena área, o suficiente para a moagem de um dia", explica o proprietário de engenho, Antônio Sampaio, acrescentando que, quando o incêndio não é controlado, como estes que estão ocorrendo na região, os engenhos e as destilarias não têm condições de moer a cana queimada que termina secando no campo. Os produtores desconfiam de que os focos de fogo ocorridos na região são criminosos. No caso do incêndio da cana da destilaria Estrela foram encontrados rastros de pessoas e pontos de fogo em diversos locais, o que caracteriza segundo Sampaio, a intenção deliberada de atear fogo no canavial.

A destilaria de cachaça que tem capacidade para moer 400 toneladas por safra vai aproveitar somente cerca de 80 toneladas. O arrendatário e gerente da Destilaria, Elias Férrer, disse que só é possível aproveitar 20% da cana queimada. O restante não serve nem para pasto. O prejuízo, segundo Elias, é uma "pá de cal" na crise do setor, que começou há cinco anos com a desativação da Usina Manoel Costa Filho, de Barbalha. Esta usina chegou a moer 560 mil toneladas de cana. Elias faz a análise com conhecimento de causa. Ele trabalhou na Usina de Barbalha, onde o seu pai era chefe de manutenção e teve prosseguimento com o fechamento dos engenhos. Dos 200 engenhos do Cariri, apenas seis estão funcionando atualmente.

Álcool

Com o apoio do pai e a experiência de quem praticamente cresceu dentro de uma usina, os irmãos Elias e Enoque Férrer arrendaram a Destilaria Estrela que estava desativada há dois anos. A ideia deles era fabricar, nesta safra, 30 mil litros de cachaça para fornecer às engarrafadoras do Nordeste. O projeto era futuramente fabricar álcool. Para isso, já estava montando a coluna para fabricação de álcool, enquanto o maquinário estava sendo adequado. Elias reclama da absoluta falta de apoio dos bancos oficiais. Ele afirmou que aplicou os seus recursos e a sua experiência na recuperação da destilaria, plantio e adubação da cana.

Três regiões do País (Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste) têm quase a totalidade de seus territórios sob o risco crítico de fogo, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com imagens de satélites, os registros de condições classificadas de risco mínimo estão em Roraima e Amapá. Mato Grosso foi o Estado com maior incidência de queimadas, com 729 focos, segundo o Inpe. Só neste mês de agosto, já são 22.730 pontos de queimadas registrados no País.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o número de focos pode não refletir a gravidade dos incêndios. O Ministério destaca que a situação é preocupante em sete regiões: Tocantins, leste de Mato Grosso, oeste da Bahia, algumas áreas do Piauí e de Minas Gerais, Rondônia e no sul do Pará.

Multa

Segundo o Ibama, a multa por queimada irregular é de R$ 1 mil por hectare em área de pasto e de R$ 5 mil em áreas de conservação, reservas legais ou áreas de proteção permanente. A orientação dos órgãos ambientais é para que não sejam feitas queimadas, mesmo controladas, nesta época do ano. Seguindo essa recomendação, a Cetesb, em São Paulo, proibiu a queima da palha da cana-de-açúcar, que costuma ser feita durante a colheita. No Ceará, entretanto, a prática ainda é feita de forma discriminada.

Perdas

"Os incêndios são criminosos. Havia rastros de pessoas e pontos de fogo"
Antônio Sampaio
Proprietário de engenho

"Vamos aproveitar só cerca de 80 toneladas devido às perdas causada pelo foto"
Elias Férrer
Arrendatário da Destilaria Estrela

"Aplicamos todo o nosso dinheiro e experiência e tudo foi consumida pelo fogo"
Enoque Férrer
Arrendatário da usina

MAIS INFORMAÇÕES
Destilaria Estrela
Sítio Lagoa, zona rural de Barbalha
Região do Cariri
(88) 3574.1122

Antônio Vicelmo
Repórter do Jornal Diário do Nordeste

Colaborador do Blog do Crato

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