05 julho 2010

INCRÍVEL - Crato - Mais duas cacimbas têm água com alta temperatura - Reportagem: Antonio Vicelmo


APOSENTADO LUIZ Alves, ao lado da mulher, mostra a cacimba que teve a água aquecida, no Sítio Coité. Moradores estão surpresos com a mudança na temperatura da água - ANTÔNIO VICELMO - Evento ainda causa curiosidade no Interior, mas a causa pode ser a instalação das bombas d´água

Crato. A temperatura de uma cacimba no Sítio Riacho Seco, no município de Missão Velha, que chegou a mais de 60 graus, foi normalizada. Depois de uma semana de mistério com dezenas de curiosos querendo saber o motivo do aquecimento da água, a temperatura voltou para os 22ºC. No entanto, mais duas cacimbas, num raio de 1km, apresentaram alta temperatura, o que tem deixado a comunidade apreensiva, sem uma informação conclusiva sobre o assunto. Uma das cacimbas que apresentaram alta temperatura está localizada no sitio Coité, no quintal da casa do aposentado Luiz Alves da Silva, conhecido na região como "Puné". Ao contrário da maioria das pessoas que ficaram apavoradas com o repentino aquecimento da água da cacimba, Luiz Silva acredita que a água ferveu porque ocorreu um curto circuito na bomba de sucção. "Até os fios esquentaram", recorda o proprietário da cacimba, afastando as hipóteses levantadas de fenômenos sobrenaturais, ou "coisa do demônio", conforme comentário de alguns moradores. O terceiro aquecimento ocorreu no sitio Canabrava, na propriedade do agricultor Francisco Barros Gonçalves, conhecido por "Galego Doutor". De um momento para o outro, a água da cacimba aqueceu; mas no outro dia, esfriou. Mais uma vez, a bomba foi responsabilizada pelo aquecimento.

O técnico em eletricidade Inácio Ferreira Teles explicou que este tipo de bomba Vibra Vert pode elevar a temperatura da água quando apresenta curto circuito. "Um fio descascado dentro da água ou o vazamento de energia elétrica são suficientes para o aquecimento. Neste caso, a bomba funciona como um mergulhão", esclarece.

O primeiro aquecimento de água de uma cacimba ocorreu há 15 dias na propriedade do agricultor Marcelo Barros. Os geólogos que estiveram no local levantaram três hipóteses: curto circuito da bomba, reação química, ou um fenômeno geotérmico, provocado pelo vapor que emerge pelas fissuras na crosta terrestre. Na oportunidade, foi colhida uma amostra da água para ser analisada em laboratório. Até agora, o resultado da análise não foi divulgado. Diante das últimas informações de que a temperatura da água dessas cacimbas foi normalizada, o geólogo Antonio Roncy de Oliveira, da Universidade Regional do Cariri, reitera que o aquecimento pode ter sido provocado por defeito nas bombas.

Gambiarra

Na verdade, a maioria das ligações não atende as exigências técnicas. São verdadeiras gambiarras, com o aproveitamento de pedaços de fios de várias espessuras. As ligações são feitas, geralmente, pelos próprios agricultores sem nenhuma orientação técnica. O risco de choque é maior quando o equipamento está em contato com a água, como é o caso das bombas. Fios e cabos com isolação ressecada ou trincada indicam que sofreram sobrecarga e que devem ser substituídos. O uso de condutores facilita o aparecimento de correntes de fuga e põe em risco a segurança da instalação. Até entrarem em colapso total (curto-circuito), os cabos nestas condições podem ficar durante anos consumindo energia desnecessariamente. Outro costume são as instalações elétricas é o uso de cabos e acessórios de baixa qualidade.

Antônio Vicelmo
Repórter do Jornal Diário do Nordeste

Colaborador do Blog do Crato

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