09 julho 2010

A CONDENAÇÃO DO POVO CUBANO: REFLEXOS DO BOICOTE - Por: Anabel Alcazas


O boicote imposto pelos Estados Unidos à ilha de Fidel Castro já é considerado um dois mais duradouros da história mundial. Iniciado em 7 de fevereiro de 1962, atingiu seu ápice durante a Guerra Fria, que dividiu o mundo em capitalistas, liderados pelos Estados Unidos, e comunistas, chefiados pela antiga URSS, em um capítulo da história conhecido como a “Crise dos Mísseis”, que quase culminou em uma Terceira Guerra Mundial. O boicote, também conhecido como boicotagem, é um meio coercitivo de solução de conflitos internacionais e nas palavras de Gustavo Bregalda Neves (2010, p.112 -113) Os meios coercitivos são adotados em função da ineficácia na solução de conflitos internacionais por intermédio dos meios diplomáticos, políticos e jurisdicionais. Boicotagem ou boicote caracteriza-se pela interrupção das relações comerciais com um Estado ofensor das normas de Direito Internacional.

É uma forma de represália. Referido boicote é somente um marco na história dos dois países, que se cruza em vários pontos. Em 1898, Cuba tornou-se um país independente, livrando-se da poderosa Espanha com a ajuda dos americanos. Bom, é lógico que nossos amigos do norte iriam pedir algo em troca pela generosa ajuda. Assim, Cuba permaneceu sob o poder dos Estados Unidos até 1902, quando deixaram o país. Entretanto, antes da despedida, os americanos emendaram a Constituição Cubana, garantindo-lhes o direito de intervir nos assuntos internos da sofrida Cuba. Pode-se dizer que a independência cubana era apenas aparente e, em 1959, a turma do Fidel e do saudoso Che Guevara invadiram Havana, capital cubana, depondo o governo do General Fulgêncio Batista, que governava, se é que ditadura pode ser chamada de governo, com o apoio dos Estados Unidos da América, em um episódio que ficou conhecido como “Revolução Cubana”.

Receosos com esse novo golpe, os americanos romperam as relações diplomáticas entre os países e Cuba aproximou-se da União Soviética. Na tentativa de reaver seu poder na ilha cubana, os Estados Unidos organizaram uma vergonhosa tentativa de invadi-la, no que ficou conhecido como “Invasão à baia dos porcos”. Atualmente Cuba vive às margens do mundo, sua população desconhece o sentido da expressão “Direitos Humanos” e sua situação econômica é precária. A população vive desprovida de recursos básicos, o país importa mais da metade de seus alimentos e a população é amordaçada pelo regime ditatorial do “imortal” Fidel Castro, que apesar de estar debilitado, ainda comanda Cuba. No ano passado, Cuba passou por um episódio trágico, além da falta de produtos de primeira necessidade, como o leite, os cubanos enfrentaram a escassez de um produto sanitário básico, o papel higiênico.

Parece que não, mas quando ele falta, faz muita diferença. Usando a criatividade, na falta de outra opção, os cubanos viram alguma utilidade nas edições do jornal oficial do Partido Comunista, usando-o para a higiene sanitária. Também em 2009, os cubanos tiveram uma notícia boa, o governo americano liberou as remessas de dinheiro efetuadas pelos cubanos-americanos aos seus familiares residentes em Cuba. Aos poucos, as sanções estão sendo minoradas, para alívio do povo cubano. Em 2007, na Assembléia Geral do ONU, apenas 4 dos 188 membros não condenaram as sanções impostas aos cubanos. Devagar, mas incansáveis na luta por seus direitos, os cubanos vão se libertando das garras opressoras do nosso “hermano” Fidel.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA NEVES, Gustavo Bregalda. Direito internacional. 2 ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva,2010. Por: Anabel Alcazas - Graduanda do 5º ano de Direito da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, unidade de Paranaíba.

2 comentários:

  1. Discordo apenas de um item deste artigo: o de que o “bloqueio econômico” feito pelos norte-americanos à ilha-prisão de Cuba provocou a crônica falta de alimentos.

    Esse embargo, ao que consta, não impede as relações dos irmãos-ditadores Fidel e Raul Castro com as famigeradas e socialistas FARC, aliadas do cartel de Medellín, controlador do altamente lucrativo e altamente corrupto comércio de drogas no mundo ocidental.

    Aliás, tem até uma acusação (nunca desmentida) de que na década 80, a ditadura cubana traficava a cocaína e organizava os seqüestros de pessoas ricas na América Latina, cujos pagamentos de resgates serviam para ajudar financeiramente o podre regime socialista de Cuba.

    A realidade nos mostra também que em qualquer lugar onde se instale o socialismo, com ele é instalada a miséria, o aniquilamento de qualquer liberdade, a começar pelo direito de ir e vir e o direito de expressão.

    Um exemplo? o Vietnã e a Coréia do Norte se proclamam “socialistas” e não sofrem o bloqueio econômico norte-americanos. Mas, nessas duas nações socialistas, a população sofre o mesmo atraso, a mesma fome e a mesma falta de liberdade que maltrata os cubanos que não conseguiram fugir do... “paraíso socialista”!

    Quem não se lembra da miséria que existia no leste europeu (Alemanha Oriental, Romênia, Bulgária, dentre outras) como também na Etiópia, em Angola, Moçam,bique e outras nações ao tempo que foram subjugadas pelo regime comunista?
    Resumindo: miséria, falta de liberdade, ditadura são sinônimos do socialismo.

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  2. A pior corrupção não é a corrupção de uma pessoa, e sim a institucionalização da corrupção, no que é useiro e vezeiro os regimes “socialistas”.

    Na finada União Soviética existia a chamada "Nova Classe", produzida pela doutrina de Marx, que vivia em dachas de luxo, ou em casas aburguesadas nas praias do Mar Negro, enquanto o povo (“tadinho do povo”!) se amontoava nas favelas estatais soviéticas, com exceção dos que entupiam as prisões dos Gulags.
    Esse modelo subsiste nos dias atuais em Cuba...

    A dinastia dos irmãos Castro – para acalmar as vozes de protesto do Ocidente cristão – anunciou ontem que ia libertar 55,. Dentre as centenas de presos políticos que padecem nas masmorras da ilha-prisão.

    Eu só acredito que eles cumpram a palabra quando as agências de notícias mostrarem essas libertações...

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