19 julho 2010

CEARÁ - 76 mulheres assassinadas só no primeiro semestre de 2010


Uma rotina sem fim: mulheres são assassinadas de forma cruel por seus atuais ou ex-companheiros em todo o Ceará - FOTO: JOSÉ LEOMAR - Caso essa tendência não mude, teremos neste ano o maior índice de crimes contra a mulher dos últimos tempos.

Sombrio. Os números relativos às mulheres assassinadas no primeiro semestre deste ano, no Ceará, superam as estatísticas até aqui levantadas. Nada menos do que 76 vítimas sucumbiram diante de seus algozes, normalmente, os próprios companheiros ou ex-namorados, maridos, que matam de forma banal. O Brasil ainda não se refez das duas últimas tragédias envolvendo crimes bárbaros contra a mulher. Em São Paulo, a advogada Mércia Nakashima foi encontrada morta, boiando numa represa. O principal suspeito, seu ex-namorado, Mizael Bispo, que teria contratado um vigilante para fazer o "serviço". Em Minas, a ex-amante do goleiro do Flamengo, Bruno teve um fim macabro, sem comparação até mesmo com os mais violentos filmes produzidos pela indústria do cinema. Depois de morta e esquartejada, Eliza Samudio, 24,teve os seus restos mortais atirados para os cães, segundo inquérito policial.

Essa autêntica dizimação contra o sexo feminino no Estado teve o recorde em 2009, levando-se em consideração os últimos seis anos, com 136 assassinados, conforme levantamento do jornal. Nos primeiros seis meses de 2010, foram 76 crimes. Caso se mantenha essa realidade sangrenta, passaremos dos 150. Na região do Cariri, onde cerca de 20 mulheres são trucidadas todos os anos, os números levaram muitos especialistas a estudar o "fenômeno". Para monitorar essa triste realidade, a Universidade Estadual do Ceará (Uece) criou, este ano, o Observatório de Violência contra a Mulher (Observem). A assistente social e doutora em Sociologia, Maria Helena de Paula Frota, coordenadora da instituição, acredita que a cultura da impunidade e o machismo, que perduram de há muito, são as principais causas de tanta atrocidade contra a mulher. "Os agressores acreditam que não serão punidos. Por isso agem dessa forma. Quando a Lei Marinha da Penha entrou em vigor, no final de 2007, tivemos logo a seguir (em 2008) uma diminuição dos casos de agressão e assassinato. Depois, as estatísticas voltaram a subir. Apesar disso, ainda creio que possamos mudar essa realidade", afirma Maria Helena.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

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