16 junho 2010

Falando sobre a Copa - Por Beto Fernandes

A exemplo da grande maioria dos brasileiros fico, a cada 4 anos, entusiasmado com as disputadas da Copa do Mundo. Há 10 anos comecei a ver a disputa e as equipes brasileiras como torcedor mais racional, sem paixões exageradas.

Muito pequeno, tinha apenas 3 anos, não vi a Copa do México em 1970, porém, graças a maravilha do vídeo tape conheci e me deslumbrei com Pelé, Carlos Alberto, Gerson, Clodoaldo, Tostão e Jairzinho. Como não ficar entusiasmado com um time daqueles? Era uma época em que se convocavam realmente os melhores. De 74 tenho vagas lembranças (Rivelino em fase final de carreira) e de 78 lembro do chamado “Campeão Moral” que não convenceu a ninguém.

Em 1982 vi o melhor time de futebol em uma Copa faltando apenas o título. Se o Brasil tivesse sido campeão, se não tivesse aparecido à Itália num dia diferente com o Sr. Paolo Rossi teríamos sido campeões num time que ninguém esquece. Valdir Perez, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico, Serginho e Éder. Essa escalação tinha apenas dois nomes que não eram unanimidades nacionais: o goleiro e o centroavante. O restante era o que tínhamos de melhor.

Em 1986 mesmo tendo jogadores experientes da Copa de 82 o Brasil conseguiu apresentar um futebol apenas mediano. Creio eu no máximo regular. A Copa de 90 é para ser esquecida. A de 94 foi a Copa do Tetra. Time compacto que atacava e defendia em bloco. Apenas um jogador acima da média, Romário. Foi a sua Copa, assim como a de 86 foi a de Maradona para Argentina. O time, contudo, tinha um coeso espírito coletivo. Jogando um feijão com arroz foi suficiente para ser campeão, apesar de ser a primeira Copa a ser definida nas cobranças de pênaltis, o que caracterizou o equilíbrio com a Azzura.

Em 98, na França, além das questões de ordem política favoráveis ao país sede, o time deles jogava muita, muita bola. O vice-campeonato foi frustrante principalmente pelo placar, uma goleada de 3 a zero. Isso foi uma coisa atípica. Em 2002 o Brasil disputou a sua 17ª Copa consecutiva e realizada em dois países Coréia do Sul e Japão (mercantilismo puro da FIFA). O Brasil chegou ao penta depois de ir à competição até certo ponto desacreditado a exemplo da vice-campeã, Alemanha. Foi a Copa de Ronaldo, a Copa de sua recuperação e da família Scolari.

Em 2006 a Alemanha sediou mais uma vez a competição. Foi à única classificada por antecipação após mudanças de regras da FIFA. O Brasil mesmo tendo vencido a Copa anterior teve que disputar a vaga. A final aconteceu entre a Itália que conseguiu seu Tetracampeonato e a França. O Brasil, embora tenha conquistado a Copa das Confederações em 2005, espécie de preliminar da Copa, apresentou um futebol pequeno, sem competitividade e esbarrou novamente nos franceses, mais especificamente no atacante Thierry Henry.

Agora estamos na África do Sul aonde chegamos numa etapa da “era Dunga” (?) onde até mesmo nossos principais adversários nos consideram os favoritos. Não me considerem pessimista, mas embora torça e vibre, não tenho essa confiança toda. A estréia de ontem foi ridícula. Um time que pretende ser campeão do mundo não pode enfrentar uma das piores seleções da competição e vencer por apenas dois a um principalmente em se tratando de Brasil. O que teve de exageros na narração de Galvão Bueno sobrou de futebol. Oxalá eu queime a língua, a equipe volte a apresentar um futebol que convença, vença e traga o hexa. Em 94 os jogos eram chochos, mas fomos campeões. O grande detalhe é que naquele ano tínhamos um rapaz chamado Romário, acima da média. O time do Dunga, atualmente tem Robinho e olhe lá.

Dos jogos que assisti ou vi os “melhores momentos”(?) gostei apenas da Alemanha. Renovou, ousou, venceu e convenceu. Cada jogo é uma história, mas essa se faz com a vontade em campo e disposição tática e técnica dos jogadores. A África do Sul é disparada a nossa segunda equipe. Jogam felizes, de bem com a vida. Estou simpático também ao time da Costa do Marfim. Argentina e Itália estiveram decepcionantes, assim como o Brasil. O mesmo para Portugal e Inglaterra. Outra seleção tida como forte a Espanha só poderá ser realmente avaliada após sua estréia às 11:00h contra a Suíça em Durban.

Domingo estaremos todos torcendo, mas precisando ser racional para ver a performance dos jogadores brasileiros contra a Costa do Marfim. Essa seleção é infinitamente melhor que a Coréia do Norte. Não adianta Galvão ou qualquer outro comentarista global dizer que o time vai crescer, que quando joga contra seleções grandes equilibra porque não convence. O Brasil tem que jogar muita bola mesmo é agora, ganhando experiência para fase seguinte ou então o hexa, figo a nova tentativa ficará apenas para 2014.

Ao longo desta copa vou abordar outros assuntos interessantes para chamar a atenção dos amigos leitores e torcedores. Vocês já pararam para pensar porque todo jogador brasileiro critica a “jabulani”, a bola da copa? Não têm nem idéia? Outro aspecto relacionado ao esporte e a mídia. Por que cresce o movimento “Cala a Boca Galvão”?

Até o próximo encontro falando sobre a Copa!!

Por Beto Fernandes

Foto: Agência Reuters

2 comentários:

  1. Muito bem, Beto!
    Parabéns por nos trazer essa postagem, e aliás, parabéns pelo novo Design e profissionalismo da Revista do Beto Fernandes.

    Um grande abraço, irmão...

    Dihelson Mendonça

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  2. Caro Beto Fernanedes

    Excelente comentário. Vi uma Alemanha diferente de todas as seleções que aquele poderoso país montou em anos anteriores. Jogando bonito, solto, prá frente. Quanto a final de 98, segundo se afirma estava marcado para a França vencer.
    Por estes dias estou me lembrando muito de uma entrevista que o goleiro Gilmar deu ao Sportv, talvez a última antes de ser acometido por um AVC que o deixou sem voz e sem andar. Ele disse que em 58, o presidente da delegação brasileira reuniu os jogadores e disse: "joguem o que vocês sabem. Esta é nosssa vez." E na mesma entrevista ele acrescentou: "Nos campeonatos paulistas, logo no ínício, éramos avisados quem seria o campeão." Será que na Copa do Mundo é assim também? Segundo notícias que circularam pela internet, a vitória da França foi em troca da Copa de 14 ser no Brasil. Em todo jogo tem roubo, já dizia o psiquiatra daquele hospício diante de um estranho jogo em que os loucos ficavam todos nus....

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