23 junho 2010

Chuva em Alagoas: centenas de pessoas ainda estão desaparecidas

Em Alagoas, o número de mortos subiu para 29 e a Defesa Civil recontou o número de desaparecidos. Na segunda, foi anunciado que eram mil pessoas, mas muitas delas tinham saído de casa e ido pra outras cidades, por exemplo. Nesta terça, o número de desaparecidos está em 607. E, da mesma forma, ainda há esperanças de que mais pessoas deem notícia, reapareçam. A lista da Defesa Civil é feita com base nas informações de parentes logo depois dos temporais. Os repórteres Beatriz Castro e Tony Lins foram a uma das regiões mais destruídas e registraram o drama dos moradores. O Boeing da Força Aérea Brasileira chegou a Maceió de madrugada com 25 toneladas de alimentos. Pela manhã, os helicópteros levaram as cestas básicas. É só pelo alto que os locais mais atingidos conseguem receber ajuda. São mais de 80 mil moradores de 26 municípios à espera de comida, água, roupa, remédios. “Só deu para salvar a roupa do corpo, não salvei mais nada”, disse um morador. Nas ruas cobertas de lama e lixo em Santana do Mundaú, as cestas básicas são transportadas no lombo de burro. É o único jeito de atravessar os caminhos tomados por móveis, eletrodomésticos, colchões e escombros. Desde sexta-feira, famílias inteiras vivem da caridade dos moradores que ocupam os bairros mais altos. “Para falar a verdade, eu estava sem nada”, conta uma mulher.

Em meio a tantas perdas e desolação, as pessoas se esforçam para tirar a lama que invadiu as casas e para limpar o que a correnteza não carregou.

“Muito trabalho, peço a Deus que nos dê saúde para a gente continuar”, diz uma moradora. Na água barrenta do Rio Mundaú, mulheres lavam as roupas e os móveis. Em Santana do Mundaú, o rio que deu nome à cidade era como um cartão postal que atravessava o centro do município. No local onde ficava a principal rua do comércio, a fúria das águas levou quase tudo: dezenas de lojas, agências bancárias, lanchonetes, restaurantes. Para atravessar a ponte é preciso subir as escadas. O vai e vem é intenso, um sacrifício para os moradores. O maior problema são os que precisam de atendimento médico. Um pai ampara o filho que chora de dor. Situação mais dramática é a de Severina que tenta vencer o isolamento para dar à luz o primeiro filho.

No momento mais difícil e delicado, voluntários e bombeiros desceram escadas carregando Severina sentada numa cadeira. Ela já estava pálida, em trabalho de parto. Mas e mais gente apareceu para ajudar. Uma lição de solidariedade no meio do desespero que tomou conta da cidade. Muitas mãos carregam Severina. A ambulância já esperava e vai buscar socorro em outra cidade. A maternidade de Santana do Mundaú foi destruída. A água atingiu o teto e não há energia elétrica. Na tragédia, cada morador se torna um voluntário para reconstruiu a casa, a cidade, a vida. Infelizmente, Severina perdeu o bebê numa maternidade de Maceió.

Fonte: G1

Um comentário:

  1. Mas uma vez parte da região Nordeste sofre com as chuvas. A culpa não é da Natureza como muitos repórteres escrevem: "é a fúria da Natureza", porém sabemos, é a fúria do homem para com a Natureza, formam-se populações às margens dos rios e estas destroem a Mata Cilar, retira-se a cobertura vegetal nativa (Mata Atlântica), para dar lugar a cana de açúcar, e quando acontece acidentes desta proporção os governadores correm para Brasília em busca de recursos para salvar suas Usinas e dos financiadores (os empresários) de suas conquistas públicas, usam parte destes para reconstruir as residências dos agricultores-os bóias frias, sim! os usineiros dependem destes para alimentar suas Usinas pomposas,então só neste momento lembram-se dos "infelizes".
    Um abraço e vamos SOLIDARIZARMOS COM ESTE POVO, que não tem culpa de ter o governo que escolhem para ter esperança de dias melhores.

    Rosemary Borges Xavier

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