14 junho 2010

Alceu desabafa: a fuleiragem music vai destruir o Brasil lá fora!





COMPLÔ

"Tenho quase certeza de que a destruição da música brasileira foi um movimento que veio do Departamento de Estado e Propaganda dos Estados Unidos. Não posso entender, como é que você pode destruir uma indústria de um bilhão de dólares? A MPB dava 800 bilhões de dólares. A MPB de qualidade era detentora de 80% do mercado de música brasileira. Os caras chegaram e trocaram Chico Buarque por Ursinho blau blau. Em 1986, tudo acabou. Dentro da minha loucura eu digo o seguinte: isto se deve à queda da ditadura. A MPB era contra a ditadura. Então ficaram com medo de uma nova Cuba, pela influência desses artistas de esquerda. Quem ouviu Bethânia, Chico, Milton tocar depois de 86? Tudo isso podia até ter acontecido, de uma maneira mais vagarosa. De repente caiu tudo, e veio outra coisa".

FULEIRAGEM MUSIC

"Eles são absolutamente negociantes. A fuleiragem music vai destruir o Brasil lá fora, porque o axé destruiu a imagem de música de qualidade que se tinha do Brasil. Existia na Europa a boa música brasileira. Só iam para Europa os tampas de crush, Caetano, Chico, Gil, Milton. O besta aqui foi muitas vezes. Tinha um tipo de público do cacete. Aí, quando entrou o axé, a fuleiragem, sabe qual o público desta música? Quenga. A fuleiragem aconteceu, mas será que são os músicos que fazem a música? Quem faz é o cara que não gosta de música, mas sabe trabalhar a coisa, contrata uns caras, o jabaculê come por todos os lados, mas não se faz arte".

Fonte: Entrevista publicada no Jornal do Comercio, Recife Pe, em fevereiro 2009.

4 comentários:

  1. Excelente análise do guerreiro Alceu!
    Criou-se um outro caminho para a dominação dos povos, alternativo à ação bélica: a eliminação da cultura (ou a sua "fuleragização"). Um povo que curte abrasadamente o lixo musical que a grande mídia oferta, não resiste ao M. Jackson, Madona... nem aos ditames dos "malacas" imperialistas. As duas indústrias são igualmente rentáveis e mortais. E a "fuleiragem music" mata tanto quanto as balas...
    Por falar nisso, a tal programação musical da "ExpoCrato", ex-Exposição do Crato, é uma demonstração desse angu de "Mer..."

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  2. Acho que o Alceu tá é com dor de cotovelo. Aliás, qual foi o último trabalho interessante dele? Alguém se lembra?

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  3. não é porque o ALCEU VALENÇA não fez nada "interessante" nos últimos tempos que o impede de fazer uma crítica pertinente à indústria de entretenimento do país. o AV tem uma obra de qualidade indescutível e não precisa ir atrás do sucesso fácil.

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  4. Nesse caso, concordo integralmente com o Lupin. Primeiro, que ALCEU VALENÇA é uma LENDA VIVA. Se ele não gravasse mais nada, a sua obra inteira de décadas, já fala por si, como grande ícone da cultura.

    Um cara que soube muito antes das novas gerações, como poucos, unir as influências da música tradicional do Côco de Jackson do Pandeiro à modernidade de um Gilberto Gil, à contemporaneidade de um Caetano Veloso ou mesmo do Chico Buarque. Alceu é músico MESMO, não é um farsante. Estamos tratando aqui de alguém acima de quaisquer comentarios rasteiros. Um símbolo da música moderna.

    E portanto, não é por Alceu gravar ou deixar de gravar que suas palavras em relação a esse descaso, essa bandalheira que a Fuleiragem Music está fazendo com os outros estilos musicais que ele deve ser desprezado.

    Os comentários do Alceu Valença foram muito lúcidos, numa época em que ele se compara a um Diógenes da Música, andando em pleno dia com um lampião aceso, à procura de sensatez.

    Bravo, Alceu Valença!

    Dihelson Mendonça

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