07 maio 2010

Penas ao vento – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Por estes dias, não sem motivo algum, lembrei-me de uma pequena história que minha mãe me contou há muitos anos, quando eu era ainda uma criança.

Um mestre, que era muito sábio, possuía muitos discípulos. Certo dia, encontrou um dos seus discípulos numa animada roda de conversa com os amigos. Aproximou-se dele sem se fazer notar e sem querer, escutou que ele falava mal de um dos seus amigos, fazendo injúrias e o desqualificando com atributos dos quais aquele amigo não era possuidor. O mestre se aproximou do discípulo e lhe disse que estava na hora de receber a lição daquele dia.

Os dois andaram durante algum tempo em silêncio até chegarem defronte a uma torre muito alta. O mestre convidou o discípulo para juntos subirem até o mais alto daquela torre. Quando chegaram ao topo, havia alguns sacos desses que se colocam feijão para o transporte. Então o mestre ordenou ao discípulo que pegasse um daqueles sacos e jogasse todo seu conteúdo pela janela da torre ao chão. Este obedeceu, levantou o saco com as duas mãos, estranhando que seu peso fosse incrivelmente tão leve. Abriu o saco e viu que estava cheio de penas. Obedeceu à ordem do mestre e atirou fora todo o seu conteúdo. Ficou alguns minutos observando as penas voarem para longe, espalhando-se por toda a parte, ao sabor dos ventos. Depois que as penas voaram para os mais distantes lugares, sujando várias ruas e praças, o mestre ordenou: “Agora, meu filho, você vai descer e recolher todas aquelas penas e recolocá-las nesse saco.” “Mas mestre é impossível fazer isso! Não posso recolher todas aquelas penas, pois muitas voaram para longe.” E o mestre lhe disse: “Assim são as injúrias e calúnias que se faz contra um ser humano. Jamais poderão ser reparadas.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo


5 comentários:

  1. Pois é, meu Amigo Carlos,

    É sempre bom lembrar do "Penas ao vento", esse texto maravilhoso que vai e volta. Tem eu tenho outra fábula sobre dois amigos, que desejo lhe passar:

    AMIGOS NO DESERTO

    Dois grandes amigos, Nagib e Omar seguiam com seus companheiros e auxiliares em uma longa jornada. Sendo amigos muito próximos, passavam o tempo todo na caravana de camelos a conversarem longamente e a compartilhar os seus projetos de vida.

    Certo dia, ao encontrarem um grande precipício, um dos camelos escorregou, e Omar quase se precipitou no abismo, sendo no último instante salvo por Nagib.

    Em retribuição, Omar chamou 6 de seus serviçais e mandou que se cravasse na pedra em alto relevo:

    "Neste local, eu, Omar, estive à beira da morte, mas fui salvo heróicamente por meu grande amigo Nagib"

    Passados alguns dias, já estavam em pleno deserto de areia, sobrevindo as tempestades. Dias difíceis atravessaram os viajantes, até que numa bela manhã, por uma discussão boba, de discordância de idéias, Nagib esbofeteia Omar, que cai por terra.

    Ao levantar-se, Omar pega uma vara e escreve na areia do deserto:

    "Neste dia, Eu, Omar, fui covardemente esbofeteado por meu amigo Nagib"

    Vendo aquilo, seus companheiros não entenderam e vieram ter com ele: "Mestre Omar, porque naquele dia por um gesto simples, nos mandaste escrever na pedra que foste salvo pelo Nagib, e agora, por um problema muito maior, uma traição do seu amigo, escreves na areia ?"

    Omar então respondeu:

    "Os grandes feitos, as doçuras, as gentilezas de um amigo para com outro amigo, escreve na pedra, para que todos possam ler e para que fique para a eternidade. Já as infâmias, as Injúrias de um amigo para outro amigo, escreve na areia do deserto, a fim de que ao primeiro vento, possa se desfazer e o mundo sequer tomar conhecimento."

    E assim, seguiram viagem.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  2. Dihelson

    Obrigado pela sua observação e complementação com essa outra fábula maravilhosa. Atingir a reputação de uma pessoa é fácil. O dificil é reverter. Será muito mais fácil recolher as penas que foram espalhadas pelo vento do que limpar a difamação feita ao outro.
    Abraços!

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  3. Carlos,

    Por isso que escrevi a outra fábula. Não precisa recolher as penas ao vento. O AMOR prega que se deve escrever na areia as injúrias, as difamações, para que se apaguem. E os Grandes feitos que guardemos no coração. ESSE SIM, é o Espírito Cristão, e quem te bate na direita, apresenta-lhe também a esquerda.

    Ou estamos com Cristo, ou estamos contra Cristo.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  4. Caro Dihelson
    Permita-me explicar: o comportamento do Omar é analisado na posição de quem foi atingido e deve esquecer rápidamente. Diferente de quem espalha um boato ou calunia outra pessoa. O boato passará de boca em boca e restaurar a verdade será mais difícil que recolher penas que se espalharam pelo vento.s

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