07 maio 2010

CRATO - FRAGMENTOS DA SUA HISTÓRIA - Por Vicente Almeida


Na primeira metade do século XX, o Crato era o centro de uma grande região para onde tudo convergia. A grande feira semanal e o movimentado comércio, atraíam compradores e vendedores, que em lombos de animais acondicionavam as mercadorias que taziam para comercializar e levavam aquelas que compravam para revenda ou consumo. Crato negociava com os Estados de Pernambuco, Piaui, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O prédio desta foto, (pena não ser colorida) de magnífica arquitetura, estilo barroco, que floreceu no século no XVI permanecendo até o século XIX.

Era sua fachada bem elaborada, revestida com azuleijo (provavelmente português) muito comum naquela época, com arcadas ogivais e a incansável criatividade do artezão, carregada de atmosfera artística e cultural.

As 20 portas visíveis com arcadas em alto relevo, davam harmonia e graça ao trabalho artistico da alvenaria.

Se observar as arcadas ogivais das 20 portas, (12 na face voltada para a rua e 08 na face voltada para a Praça Siqueira Campos) o leitor se surpreenderá com os detalhes. Somente 05 portas davam acesso ao interior do prédio. Esse estilo arquitetonico, pouco a pouco vai desaparecendo e virando poeira na noite dos tempos, restando apenas saudosas lembranças como esta. Não foi detectado sinais de iluminação pública. Se desejar vizualizar a foto em detalhes, use Softwares tipo: Picasa 3, Corel photo-paint x3, ou similar.

Este cenário fotográfico, localizava-se na antiga Rua do Commércio com o seu calçamento de pedra tosca, e foi palco de grandes descisões financeiras, que promoveram o progresso do Crato, da Região do Cariri e estados vizinhos, pois aqui, foi instalada em 1921, a primeira instituição de crédito do Sul do Ceará: O Banco do Cariry (Cariry – ortografia antiga), graças aos esforços e arrojado desempenho de D. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro bispo da recém criada Diocese do Crato. Nas duas placas, uma acima do transeunte e a outra em frente a Praça Siqueira Campos, está escrito “Banco do Cariry”.

Após 1930, a Rua do Commércio passou a denominar-se: Rua Dr. João Pessoa.

Vale observar que até o século XX, nas cidades interioranas que normalmente se iniciavam com pequenos vilarejos, a rua onde se aglomeravam as casas de comércio (secos e molhados, tecidos e confecções, artigos de armarinho, ferragens, e tudo o mais) era denominda pela população de rua do Commércio (commércio – ortografia antiga), mas, no caso do Crato, já no século XIX, essa rua era popularmente conhecida por Rua Grande.

A antiga Rua do Commércio terminava na Praça Siqueira Campos. Essa Praça foi inaugurada em 1917 pelo Prefeito Cel. Teodorico Teles de Quental. Lá no cantinho da Praça, o leitor atente para o trabalho também artezanal da copa bem cuidada do pequeno pé de benjamim, demonstrando a preocupação do governo municipal com o cartão postal da cidade. Tempo bom aquele!

O QUE MUDOU EM QUASE UM SÉCULO

A sede do Banco do Cariri, em 1947 foi transferida para a Rua Senador Pompeu, onde funcionou o Banco do Brasil. Em 1972 foi incorporado pelo Banco do Juazeiro e passou a denominar-se BIC - Banco Industrial do Cariri. Já com o poder acionário em mãos da família Bezerra a sua sede foi mais uma vez transferida, desta vez para a Rua Bárbara de Alencar, em frente a nova sede do Banco do Brasil. Em 2000 a agência encerrou suas atividades no Crato.

O prédio antigo, pela força natural do progresso, cedeu seu lugar à estrutura de concreto armado da foto abaixo, denominado Edifício Nossa Senhora da Penha, inaugurado em 12/10/1963.
Temos agora a Rua Dr. João Pessoa asfaltada, e a Praça Siqueira Campos com a sua área reduzida.

Contudo, o pé de benjamim da foto antiga está ai, engrossou e ganhou altura, tornando-se uma frondosa e imponente árvore que o tempo só a tornou mais útil e mais bela. Mas, ninguém percebe a sua beleza. É triste dizer; A sua copa hoje parece com cabelos desgrenhados. Está muito desprezado pelo homem que tem a sua sombra como um refrigério em dias ensolarados!!!

3 comentários:

  1. Eu sinto tanto não ter sido preservados os prédios antigos...

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  2. Essa sim, é uma postagem útil, só teve um comentário, que por sinal, eu acabei liberando sem querer, pois não aceitamos anonimato por aqui. Mas enfim, a julgar pela avaliação da postagem que alguns fizeram aí, tem 10 "ótimas", a maioria gostou.

    Parabéns, Almeidinha. Essa é uma postagem importantíssima.

    Dihelson Mendonça

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  3. É...

    Pois é Dihelson:

    Fico sensibilizado quando me deparo com uma foto antiga, Gosto de observar os mínimos detalhes.

    As fotos do Crato antigo nos trazem a história de um passado que não vivemos, mas que pertenceu aos nossos ancestrais, e imagino-os andando por aqueles graciosos lugares, sem poluição, sem crimes, sem ganância. Vejo homens sérios onde sua palavra era confiável e nem precisava testemunha.

    Vejo senhores e senhoras em suas cadeiras de balanço postadas nas calçadas, cumprimentados pelos passantes com uma boa tarde ou boa noite. Vejo crianças brincando despreocupadamente. Tempo bom aquele retratado nas fotos do Crato antigo.

    Abraços do

    Vicente Almeida

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