29 maio 2010

Coisas da vida – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Que a vida é breve, somente percebemos quando estamos rolando ladeira abaixo na montanha do tempo. Há pouco mais de dez anos, fui com minha primeira irmã, ela não gosta que eu diga “minha irmã mais velha”, pois bem, fomos eu e ela resolver um pequeno problema num órgão público, quando a funcionária que nos atendia perguntou se ela era a minha mãe. Claro que ela não gostou. E eu saí me sentindo novinho em folha.

Mas nada como um dia atrás do outro. Mês passado, essa minha querida irmã esteve aqui hospedada em nossa casa. Veio para uma consulta médica. Então eu a acompanhei até o consultório. Os modernos consultórios médicos têm agora salas com televisão digital, com o volume do som tão baixo, que nos dá uma estranha sensação de surdez. Têm também modernas cafeteiras eletrônicas, que só faltam falar, oferecendo-nos café expresso, café com leite, chocolate, leite maltado e não sei mais quantas delícias, tudo em troca de umas míseras moedinhas que complementam a receita financeira dos médicos.

Aguardávamos o atendimento, sentados lado a lado, quando resolvi inserir alguns centavos na bonita cafeteria em troca de um simples cafezinho expresso. Mal me levantei, um senhor de idade ocupou o meu lugar, sentando-se, portanto ao lado da minha irmã.

Quando terminei meu café, aquele senhor já havia saído e a minha irmã estava com um ar de felicidade estampado no rosto, expresso por um sorriso intenso. Ao sentar-me novamente no lugar que havia sido ocupado pelo cliente idoso, minha irmã, muito contente, me disse: “Aquele senhor tão simpático que sentou aqui, me perguntou se você era meu marido.” Agora quem não gostou nada fui eu, pois sou treze anos mais novo do que a minha irmã. O meu consolo é que estávamos num consultório de um oftalmologista.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

6 comentários:

  1. Caro Dihelson

    Veja que neste texto, eu narro uma pequena historia de cunho pessoal. Como alguém pode discordar? Que ache regular, tudo bem, mas discordar de que? Vai querer dizer que é mentira? Ou será uma discordância em ver meu nome colaborando com seu blog?

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  2. É não, Carlos!

    É coisa de moleques mesmo. Eles têm raiva de mim. Tem toda uma NAU DOS INSENSATOS querendo me atacar ali noutro espaço, mas não consegue me atingir, porque paus e pedras quebram ossos, mas palavras não me atingem. Estamos muito bem, Graças a Deus, e iremos continuar assim, porque os Cães Ladram, mas a Caravana sempre passou.

    Não olhe para trás. Conte as estrelas do Céu e não as pedras do Caminho. Ainda que alguns bestalhões marquem "discordo" é apenas para revelar a inveja que eles sentem de nós. São uns coitados! Derrotados que não devem ser levados em consideração.

    EU TENHO PENA deles.
    Sigamos em frente sem perder tempo.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  3. Eheheheheh

    Agora que pude ler, Carlos! no consultório do oftalmologista... pois é. Antes eu andava com a minha mãe e pensavam que éramos irmãos.

    A gente se esquece que envelhece. Eu por exemplo, continuo paquerando as gatinhas de 22 anos, porque na minha mente, o tempo não passou. Vai ser difícil chegar aos 80 com a mente de 20 e um corpo de 100... no meu caso.

    Abraços,

    DM

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  4. Caro Carlos,
    Gostei demais do seu artigo'
    Lembrei muito das cronicas dos saudoso Fernando Sabino e Otto Lara Resende, que gostava muito de ler.
    Sao essas coisas do dia a dia que preenchem as nossas vidas com motivos pra rir e ter o que contar.
    Falando de idade tambem, semana passada estiveram uns amigos aqui em casa, e aqui o povo e muito curioso sobre a idade dos outros.Tanto que tem ate um ditado que se uma pessoa perguntar sua idade, voce responde:isso eu prefiro nao dizer,traduzindo ao pe da letra. Pois ja no fim da visita, a mulher pergunta minha idade, e eu enrolando pra nao dizer, ai o marido dela olha pra minha filha que responde na hora...
    Nao teve escapatoria dessa vez!

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  5. Prezada Ceiça

    Muito obrigado por suas palavras que muito me incentivam. Puxa vida, ser comparado a Fernando Sabino e Oto Lara Resende aumenta mil vezes a minha responsabilidade. Fernando Sabino era um cronista que li muito na minha juventude. Já de Oto Lara Resende sabia dele pelas crônicas de Nelson Rodrigues, outro que eu lia muito. Obrigado e Deus lhe abençoi.

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  6. Ceiça
    Faço uma correção: Que Deus lhe abençoe. Troquei o "e" final por um mísero "i".

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