16 abril 2010

Tiraram a roupa do Rei?


Lendo comentários postados ontem neste blog ("O rei está nu"), lembrei-me da temporada do músico e humorista Juca Chaves, em Fortaleza, neste final de semana, com seu show “O rei está nu”.
Terá sido mera coincidência a lembrança desta frase?
Segundo o jornal “O Povo”, edição de hoje: “O humorista conta que a inspiração para o título do show veio a partir de um episódio do escândalo do Mensalão, em 2005, que remetia à fábula A Roupa Nova do Rei, de Hans Christian Andersen. Quando o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar, bradou em discurso: “Tirei a roupa do rei. Mostrei ao Brasil quem são esses fariseus, em uma provável referência aos integrantes do PT. "Achei genial”, recorda o humorista (O ex-deputado ficou conhecido nacionalmente por denunciar a prática de compra de votos na Câmara, após ter sido envolvido num escândalo de corrupção nos Correios)”.

Hans Christian Andersen escreveu sua fábula sobre um rei muito tolo que adorava roupas extravagantes. Os tolos, geralmente, gostam de roupas extravagantes. Pois esse rei enviava emissários por todo o país com a missão de comprar roupas diferentes. Dois espertalhões ouviram falar do gosto do rei pelas roupas e viram nisso uma oportunidade de enriquecerem às custas da vaidade da Majestade. A vaidade torna bobas as pessoas: elas passam a acreditar nos elogios dos bajuladores...

E disseram eles ao rei: – “Majestade, diferente de todos os tecidos comuns, o tecido que nós tecemos é mágico porque somente as pessoas inteligentes podem vê-lo. Vestindo um terno feito com esse tecido Vossa Majestade será cercado apenas por pessoas inteligentes, pois somente elas o verão...”
E fingiram tecer um tecido diferente e vestiram-no no Rei esse tecido inexistente.E como ninguém queria passar por burro – pois o tecido só seria visto pelos “inteligentes” – todos elogiavam a roupa invisível. Até que um garoto gritou do meio da multidão: – O rei está pelado...
Mas logo os áulicos do rei consertaram o imbróglio: “Menino louco! Menino burro! Não vê a roupa nova do rei! Está querendo desestabilizar o governo! É o “PiG” – Partido da Imprensa Golpista, a serviço das “zelites”!”.
Com estas palavras agarraram o menino, colocaram-no numa camisa de força e o internaram num manicômio. Moral da estória: Em terra de cego quem tem um olho não é rei. É doido. Qualquer semelhança como o que ocorre em Brasília nos dias atuais é mera coincidência...
Fonte: baseado numa crônica de Rubem Alves
Postado por Armando Lopes Rafael

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