13 março 2010

Fósseis do Cariri ganham documentário - Postado por Océlio Teixeira

"Formação Romualdo, um Milagre Paleontológico" é um documentário que busca preservar os fósseis

Juazeiro do Norte. Os fósseis da Chapada do Araripe de forma didática, para o grande público, em linguagem acessível, estarão disponíveis a partir do segundo semestre deste ano, com o filme documentário "Formação Romualdo, um Milagre Paleontológico". O trabalho está em fase de finalização, com a captação das filmagens. Os fósseis tridimensionais da formação Romualdo, de ampla diversidade e conservação admirável, conforme os pesquisadores, serão o foco das atenções.

A ideia é produzir um filme de 45 minutos. A coordenação, pesquisa e roteiro são do professor Álamo Feitosa, doutor em Paleontologia pela Universidade Regional do Cariri (Urca), e que atualmente está à frente do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri. Este é o primeiro documentário produzido na região sobre os fósseis.

Será uma oportunidade de levar ao público a realidade das pesquisas, já desenvolvidas por estudiosos do Cariri, como também abordar questões relacionadas ao tráfico e a importância das peças para a Paleontologia mundial. Esses são referenciais importantes dentro da abordagem, segundo o professor. "O que me levou a fazer este trabalho foi ter a oportunidade de ver muitos documentários e reportagens. Alguns muito bons e outros que passavam uma realidade aos olhos de quem é de fora, com algumas coisas muito convenientes para agradar quem está em outras localidades, que não o Cariri", justifica.

Ele afirma que a linguagem do cinema torna a mensagem mais acessível, para levar a ciência até a comunidade em geral, principalmente aos estudantes. Para o docente, é importante que as pessoas tenham conhecimento da situação ímpar dos fósseis da região, se comparado a outras formações geológicas. "A gente primou por imagens boas, mostrando como se faz uma escavação geológica e suas dificuldades e falando especificamente da formação Romualdo, e como esse fóssil é diferente e especial", destaca.

A formação Romualdo fica num estrato da Chapada do Araripe, localizado em partes do Ceará, Piauí e Pernambuco. Afloramentos importantes podem ser encontrados em Santana do Cariri, Crato e Barbalha.

Conforme o professor Álamo, a formação Romualdo tem uma especificidade, que qualifica especialmente esse material para a exibição no documentário. Primeiro pela abundância incomensurável de fósseis, com espécies vegetais a animais, e o caráter tridimensional, que tem facilitado os trabalhos e descobertas científicas. "É como se o animal tivesse morrido e ficasse congelado", ressalta o pesquisador. Álamo exemplifica os peixes encontrados nas concreções rochosas. Para ele, poder-se-ia dizer que tinha morrido há meia-hora. "É um estado de preservação que em nenhum outro lugar do mundo se encontra".

Jackson Bantim, conhecido como Bola, caririense com mais de 30 anos produzindo filmes, inclusive de ficção, inaugura mais um momento de sua carreira. Ele faz parte do Grupo de Pesquisa em Cultura Visual, Espaço, Memória e Ensino (Imago), da Urca, que está produzindo o material. O cineasta destaca a importância do documentário como elemento importante de registros da diversidade do Cariri. E a experiência de cinema de Jackson, conforme Álamo, não está sendo poupada. "Não podemos ficar limitados a escrever artigos para revistas internacionais e estar muito longe da realidade do dia a dia das pessoas da região", afirma.

São mais de sete horas de filmagem, mais de 90% delas produzidas nas minas de calcário de Santana do Cariri, em apenas um dia. Outras serão feitas no Museu de Paleontologia, após a reinauguração, até o mês de maio, e no estuário, em Recife, além de mais algumas entrevistas. A ideia, no estuário, é destacar a proximidade com o Cretáceo, era geológica da formação dos fósseis da Chapada, de mais de 110 milhões de anos. Mostrar a área de contato de águas calmas, dos rios, com o oceano. Um especialista em influência marinha mostrará o comportamento de animais.

Álamo considera as escolas um bom alvo para levar o documentário. Nas áreas de minas, e são mais de 90 na região, muitas crianças são filhos de mineradores. Pessoas que, muitas vezes, ainda não têm a consciência de preservação desse material, e podem até traficar, pela necessidade de sobrevivência. A orientação será de grande importância, conforme ele, para formar uma nova consciência de preservação desse material.

Tráfico

O tráfico de fósseis entra no filme, com depoimento de duas pessoas que traficavam antes, e hoje estão atuando em prol da preservação. Um deles estuda Biologia, Bonifácio Malaquias Ferreira. O lançamento do trabalho deverá acontecer na exposição do Crato, com uma sala de cinema no estande da Urca.

Bantim destaca o trabalho como um documento em movimento, com o referencial da escrita e da fotografia, juntos. "São essas três vertentes que esse filme vai ter: imagem, movimento e escrita". Também deverão ser feitas traduções, porque o filme será levado aos geoparks do mundo, na Europa e na China, já que o Geopark Araripe faz parte da Rede Global. Passa a ser um instrumento de divulgação internacional. O filme, além da Urca, conta com a inserção do Projeto Geopark Araripe e Instituto Nacional de Paleontologia e Arqueologia. A trilha exclusiva será dos meninos da Fundação Casa Grande.

MAIS INFORMAÇÕES
Grupo de Pesquisa em Cultura Visual, Espaço, Memória e Ensino
(Imago), Crato (CE)
(88) 3102.1202

Reportagem e fotos: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste

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