12 dezembro 2009

Crato – Cidade Hospitaleira - Por: João Nicodemos


A cidade do Crato, com sua natureza exuberante repleta de nascentes e dona de uma história rica em personagens atuantes que marcaram a própria história do Brasil, desde há muito conquistou meu coração. Sou cratense por adoção e com isso me alegro. Uma das características que sempre me atraiu nesta cidade foi sua inclinação para as Artes.

Grandes nomes do passado, sempre presente, como Sinhá D’amora, Vicente Leite, Cego Aderaldo, Dona “Ciça do Barro cru” e tantos mais, servem de inspiração para os artistas contemporâneos, igualmente talentosos e atuantes. Não sem razão, foi escolhida a primeira “Capital das Artes” do Ceará, num justo reconhecimento aos seus valores culturais, tanto acadêmicos como populares. Seus Mestres de Cultura Popular, Mestre Aldenir, Mestre Cirilo, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Coco de Mulheres da Batateira, Zulene Galdino, e tantos outros, são os pilares de sustentação e transmissão de nossa herança cultural, este grande tesouro. Os saudosos Festivais da Canção dos anos 70; os Salões de Outubro; a OCA (Oficinas de Cultura e Arte); a Academia de Cordelistas do Crato; o ICC - Instituto Cultural do Cariri; a SOLIBEL – Sociedade Lírica do Belmonte; a SCAC – Sociedade de Cultura Artística do Crato e tantas entidades e pessoas envolvidas, conjunta ou individualmente na produção, criação e transmissão das Artes fazem desta cidade um exemplo de como cultuar e difundir a Arte como ferramenta de desenvolvimento humano.

Em face da diversidade cultural e de sua aptidão para as Artes, a cidade sempre recebe visitantes ilustres que aqui aportam para ensinar e aprender sobre nossa cultura e tradição. Alguns, de passagem, seguem seus destinos, maravilhados com o que vêem e vivem por aqui. Outros ainda mais impressionados e apaixonados resolvem ficar, desenvolver seus trabalhos e pesquisas por aqui, fixando residência e adotando a cidade do Crato como berço, conquistando amigos e sendo cativados pela hospitalidade de nossa gente. Passam a integrar os grupos de artistas pesquisadores e produtores culturais enriquecendo ainda mais nossa cidade.

Um desses casos é o de Maria Gabriella Federico, restauradora de obras de arte com formação na Europa e grande experiência na área. Chegou ao Crato em Agosto de 2006, sendo recebida pela eminente Madre Feitosa, com seu peculiar carinho e atenção. Durante o período em que mora no Crato restaurou oito esculturas na catedral da Sé, a poltrona do Bispo e o altar; treze esculturas da capela do hospital São Francisco; duas imagens pertencentes a Dom Fernando Panico (uma com mais de 400 anos); em Santana do Cariri, a imagem da padroeira; em Maurití e Missão Velha, restaurou diversas imagens de capelas; e imagens particulares de vários locais. Atualmente está trabalhando na restauração de dezenove obras do acervo do museu Vicente Leite, no Crato, cujos trabalhos vêm valorizar ainda mais este importante patrimônio cultural, além de outras obras de particulares.

Como se não bastasse fundou em 2008, o “OLHAR – Casa das Artes”, uma entidade que se ocupa em difundir e ensinar as diversificadas formas de Arte que são praticadas no Cariri, tais como: xilogravura, modelagem e escultura (tendo construído um forno para finalizar as peças), mosaico, dança de salão, restauração e outras formas de expressão artística. Os facilitadores desses cursos são artistas locais que têm a oportunidade se desenvolver ensinando sua Arte, contando ainda com um espaço para expor seus trabalhos. Na área da Música, Teatro e Dança oferece espaço para estudo e espaço para apresentações. Diversos Saraus Poéticos foram realizados bem como apresentações musicais e Performances temáticas.

Os investimentos iniciais foram todos, iniciativa da idealizadora e criadora do espaço, Maria Gabriella Federico que em breve estará contando com o apoio técnico e estratégico de entidades como o SEBRAE, SESC, SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA e do MINISTÉRIO DA CULTURA, bem como de outras entidades sociais e pessoas físicas interessadas no desenvolvimento cultural de nossa cidade.

Congratulações à Gabi e às correntes progressistas da Cidade que recebem com alegria, iniciativas tão importantes para o nosso desenvolvimento.

Por: João Nicodemos

3 comentários:

  1. João Nicodemos é de fato um cratense de coração. Mas sua relação com a terrinha não é um mero devaneio, pois ele é sobrinho-neto de um dos maiores historiadores do Brasil, o brejo-santense padre Antonio Gomes de Araújo.

    Nicodemos nasceu no município de Tupi, SP, filho de um caririense cabra-peste, que migrou pro "sul maravilha" como tantos e tantos outros irmãos sertanejos em busca de dias melhores.

    Mas João Nicodemos refez o caminho de volta. Funcionário do Banco do Brasil, encontrou Socorro Moreira numa dessas "quebradas abençoadas da vida" e pediu transferência pra cá, em meados da década de 1980.

    Artista multimídia (poeta, artista plástico, músico e comunicador), foi (e é) figurinha carimbada nos movimentos culturais do Cariri. Fundou a primeira banda de rock autoral da região (a Pombos Urbanos) e influenciou meia geração de artistas locais (no qual me incluo).

    Falar de João Nicodemos mais aprofundamente mereceria mais tempo, espaço e pesquisa. Mas, vale dizer agora que ele já escreveu, de forma definitiva, seu nome com letras maiuscúlas na história recente da região.

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