14 novembro 2009

Vem aí o "Bolsa-celular" - postado por Armando Lopes Rafael

(Fonte: VEJA)
Brasil
O caixa três das eleições de 2010
Governo planeja dar telefones no ano eleitoral

por Alexandre Oltramari

A eleição do ano que vem será a mais cara já realizada no país. Marqueteiros envolvidos no processo eleitoral calculam que só a campanha presidencial custará mais de 1 bilhão de reais. A cifra refere-se ao caixa um e, caso ocorra novamente, ao caixa dois – aquela prática celebrizada pelo ex-tesoureiro petista Delúbio Soares como "recursos não contabilizados" que o presidente Lula já disse que todo mundo faz. A estimativa, porém, exclui o caixa três. Caixa três? Trata-se daquele tipo de gasto público, sempre de caráter ambíguo, cujo principal objetivo é conquistar a simpatia e a gratidão dos pobres em ano de eleições. O caso mais recente de investimento com essa rubrica é a intenção do governo de oferecer um telefone celular a cada uma dos 12 milhões de famílias que recebem o Bolsa Família, trunfo eleitoral do governo para o ano que vem. A ideia de distribuir celulares em ano de eleições partiu do ministro das Comunicações, Hélio Costa, pré-candidato ao governo de Minas Gerais. O Bolsa Celular, como o programa deve ser chamado, tem outra vantagem eleitoral. Ao custo de 2 bilhões de reais, ele será inteiramente bancado pelos contribuintes.

"A inclusão digital abre novas oportunidades de trabalho e aumenta a renda dos mais pobres", explica o economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Mas, tal como foi planejado, o Bolsa Celular é apenas um truque eleitoral. Segundo Neri, cerca de 70% das famílias beneficiadas pelo Bolsa Família já têm celular. O resultado econômico, portanto, será quase nulo. O mesmo não se pode dizer de seu impacto nas eleições. De acordo com uma pesquisa realizada pelo economista Maurício Canêdo, também da FGV, 3 milhões de brasileiros votaram em Lula em 2006 apenas por causa do Bolsa Família. A fórmula tem dado tão certo que o governo pensa em expandi-la. O projeto do Bolsa Cinema, tíquete de 50 reais mensais para os trabalhadores assistirem à telona, tramita em regime de urgência no Senado. O governo quer distribuir o tíquete já no ano que vem. Deve ser porque em 2010, além de eleições, haverá a estreia de Lula, o Filho do Brasil, filme laudatório patrocinado por empreiteiras amigas do Palácio do Planalto. O governo não quer nenhuma sala vazia.

4 comentários:

  1. Uma das desvantagens da forma republicana de governo é o alto custo das eleições. Na maioria das repúblicas isso ocorre a cada 4 anos.
    No Brasil (sempre somos exemplo de exceção em tudo) as eleições ocorrem a cada 2 anos. Sem falar que a psicose por eleições varre o país. Hoje “se elege” pelo voto direto desde diretor de escola pública de 1º grau até reitor de universidade pública.
    E em todas se torra muito dinheiro...
    Segundo a “Folha de S. Paulo” o custo das últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos, as mais caras na história do país, chegou a mais de US$ 5,3 bilhões (cerca de R$ 11 bilhões e 800 milhões de Reais).
    No Brasil, além dos elevados custos que aumentam a cada eleição, o governante de plantão usa a máquina (de forma dissimulada, ou não) para eleger o sucessor (a).
    Mesmo com passo de tartaruga só em 2009 3 governadores de Estado (Paraíba, Maranhão e Tocantins) foram cassados pelo STF pelo uso da máquina estatal nas últimas eleições...

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  2. O custo do Presidencia do Brasil é assustador.
    Mesmo com números defasados, reproduzo o que publicou a revista "Dinheiro" num texto intitulado "Custo da Presidência"(julho 2004:

    "Em 2003, primeiro ano de Lula, as despesas alcançaram R$ 318,6 milhões. Para este ano, está previsto o desembolso de 372,8 milhões – ou R$ 1,5 milhão por dia útil de trabalho. Até o dia 2 de julho, o gabinete tinha gasto R$ 120,3 milhões.

    A principal causa da evolução das despesas é o inchaço da máquina pública. Itamar Franco entregou o Palácio do Planalto com 1,8 mil funcionários. FHC, por sua vez, enxugou-o para 1,1 mil. No governo Lula, a administração cresceu – e muito. Há neste momento 3,3 mil funcionários trabalhando diretamente na Presidência. No Palácio da Alvorada, existem outros 75. Há um mês, Lula assinou um decreto, de número 5.087, aumentando de 27 para 55 seus assessores especiais diretos.

    A ação mais cara é o chamado apoio administrativo. Trata-se da gestão direta do Palácio do Planalto, do Alvorada e da Granja do Torto. Para este ano, o Orçamento é de R$ 151,2 milhões. Do total, R$ 140,8 milhões estão sendo gastos na administração dos palácios. Também estão sendo gastos R$ 3,8 milhões para a remuneração de militares que fazem a segurança do presidente e de sua família.

    "Caso as contas do Planalto sejam vistas sob a ótica do Tesouro Nacional, elas atingem R$ 2,6 bilhões. É a quantia consumida no período por todos os programas sociais, como o Bolsa Família e o Fome Zero, lembra o economista Ricardo Bergamini, que realizou o levantamento no Tesouro". "É mais do que os R$ 2,2 bilhões liberados para a reforma agrária." "Isso mostra uma total inversão de prioridades".

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  3. José Maria Pemán, um brilhante intelectual espanhol, no livro "Cartas a um céptico sobre as formas de Governo", escreveu:
    "Em princípio, não há processo de designação mais contrário à essência da magistratura suprema do que o eleitoral: deve ser uma magistratura para todos – e é eleita por um partido; deve ser um poder imparcial e sereníssimo – e nasce das paixões da luta; deve ser um símbolo unanimemente respeitado – e expõem-no durante o período que precede a sua ascensão, que é o do combate eleitoral, a todos os embates da crítica, da discussão, da caricatura e do libelo" (Edições Gama, Lisboa, 1941, p.71).

    Muita gente afirma que as eleições representam a expressão da verdadeira vontade popular. Os mais fanáticos chegam a dizer "vox populi, vox Dei" (a voz do povo é a voz de Deus). Mas será que sempre ganham os melhores e os mais preparados? Será que sempre ganha quem tem mais experiência, os mais honestos, os mais sábios ou os mais competentes?

    Na eleição que Pôncio Pilatos fez para o povo escolher entre Barrabás e Jesus Cristo, este último foi fragorosamente derrotado, pois a massa ignara sufragou Barrabás, o homicida. Como bem afirmou o bispo fluminense dom Fernando Arêas Rifan: O povo pensa. A massa é manobrada. Nem sempre podemos dizer que a eleição seja expressão da vontade do povo. Talvez seja só da massa."

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  4. Impressionante este gráfico. Entendo que o mesmo deve divulgado com maior amplitude. E assim o Fome Zer Fome que era um programa feito mais para "agradar"a FAO passou a ser o carro chefe do processo eleitoral brasileiro?

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