09 outubro 2009

Polícia indiciará responsáveis por vandalismo em fazenda; prejuízos chegam a R$ 3 mi

O delegado de Borebi (SP), Jader Biazon, abriu inquérito para apurar os responsáveis pelo vandalismo na fazenda Santo Henrique, na divisa dos municípios de Iaras e Lençóis Paulista, em São Paulo. Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiram o local no último dia 28 e deixaram a área na manhã de ontem. Segundo Biazon, os responsáveis vão ser indiciados por formação de quadrilha, esbulho possessório, furto e dano. O delegado afirmou que, além de destruir 12 mil pés de laranja da fazenda, os trabalhadores rurais teriam furtado peças de tratores, adubos, produtos agrícolas, objetos de funcionários que trabalham na área e ainda jogado areia nos motores dos tratores, entre outras coisas.

"Vamos realizar diligências para identificar os responsáveis pelos delitos. Já identificamos parte do grupo, mas vamos preservar os nomes", disse Biazon.

Ele afirmou que os prejuízos na fazenda podem chegar a R$ 3 milhões. Os sem-terra aceitaram deixar o local após negociação com a Polícia Militar na manhã de ontem. Segundo o movimento, cerca de 250 famílias ocupavam a área desde o dia 28 de setembro em protesto pela reforma agrária na região. A Cutrale, empresa responsável pelas plantações de laranja destruídas, conseguiu na Justiça liminar de reintegração de posse da fazenda, mas os sem-terra resistiam em sair, alegando que a área é pública, e não particular, e que os pés de laranja foram derrubados para dar espaço a plantações de feijão e milho. O MST havia dito que só deixaria o local após um posicionamento da Justiça Federal, e que a decisão de reintegração de posse era de um juiz local. Eles decidiram deixar o local, mas ainda vão questionar a liminar. Os sem-terra informaram que foram derrubados cinco hectares de plantação de laranja, ou seja, 3.000 pés. Carlos Otero, representante da Cutrale, disse que na fazenda há 1 milhão de pés de laranja e que, durante a invasão, o MST expulsou 300 funcionários que trabalham no local.

Outro lado

Diretor estadual do MST, Paulo Albuquerque disse que os tratores da empresa estavam funcionando quando o movimento deixou o local e que não houve dano ao patrimônio, com exceção de pichações. Albuquerque disse ainda que os integrantes do movimento não furtaram objetos da Cutrale nem dos funcionários que moram na fazenda. Para ele, as acusações são uma tentativa não só de criminalizar o movimento, mas também de penalizar as lideranças do MST.

Fonte: Folha OnLine

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.