06 outubro 2009

Lições da história - O “modus operandi” da VEJA

Do livro “O Castelo de Âmbar”, de Mino Carta, páginas 174 a 176:
“...A irrupção da censura é a prova de que os oligarcas e os seus gendarmes estão, no mínimo, incomodados. De repente, sentem prazer no que faz porque se dá conta de sua serventia.
-“Todo homem tem seu preço”, repetem os Civita, pai e filho, e Mino curte a impressão de um coro ensaiado com desvelo. Victor (Civita) levanta-se da cabeceira da mesa de reuniões, vira as costas para os Conselheiros, inclina-se para frente, na direção da parede, e faz menção de abaixar as calças. -“Se os militares me pedirem para arriar, eu executo” – proclama. Volta a sentar-se, e soletra, absurdamente solene: -“Quero deixar bem claro aos senhores”.
Mino não baixará as calças, não tem dúvidas quanto a isso, mas anota estar ali, entre os senhores do Conselho, para ouvir e ver, e aprender a lição”.

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Diálogo entre Mino Carta (MC), então todo poderoso da Veja e Richard Civita (RC), um dos seus donos:
RC- “Você não acha que daria para mudar a linha da Veja ?” MC-“Seja mais específico”. RC- “Você sabe que sofremos pressões militares para tirá-lo da direção da revista ?”. MC- “Que tipo de pressões?” RC- “Pressões de escalões muito altos”. MC-“Generais?” RC- “Generais – quatro”. MC- “Quatro generais ?” RC- “Quatro generais”. MC- “E vocês estão preocupados com a minha incolumidade?” RC- “A gente gosta de você, mas em primeiro lugar estamos é preocupados com o futuro da empresa, eu estou muito preocupado. MC- “Agradeço a sua sinceridade, mas é bom saber que não se assusta com essa história de generais”. RC- “Você reconhece que temos o direito de mudar a linha da revista, se for necessário” MC - “Reconheço, sim. Gostaria que você reconhecesse que eu não posso mudá-la. A editora tem o direito de recuar, mas eu não quero recuar, e digo mais, não posso; se bato em retirada, como me olharei no espelho, toda manhã, ao fazer a barba?” RC- “Gosto de você, mas você sabe que vai chegar a hora, não é mesmo? Ou recua, ou...” MC -“Ou vocês vão ter de me pôr na rua”.
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Mino Carta não mudou; foi posto na rua e hoje é um dos donos da Carta Capital.

Fonte: “O Castelo de Âmbar”, página 174/176, de Mino Carta.
Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

4 comentários:

  1. Ninguém fala nada.
    A gráfica Plural é do Grupo Folha, e a prova foi oferecida para o Estadão.

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  2. A partir da saída de Mino Carta que iniciou a revista "Veja" e antes a revista "Realidade", a "Veja" caiu de qualidade, chegando ao que é hoje em dia. Uma pena!

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  3. Elmano,
    Não se surpreenda se daqui a pouco divulgarem que o culpado pela "Plural" ter contratado um ladrão-mafioso foi o presidente Lula.
    No mais, parabéns por decifrar o mistério ao nos cientificar que... "A gráfica Plural é do Grupo Folha, e a prova foi oferecida para o Estadão".
    Por que será que a grande mídia não divulgou nada disso ???
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    Carlos,
    "Carta Capital" é a cara do Mino Carta (sem trocadilho). Vale a pena embarcar nessa. Veja alguns dos seus colaboradores: Sócrates, Wálter Fanganiello, Luiz Gonzaga Beluzzo, Delfim Neto, Nirlando Brandão, Leandro Fortes, Nouriel Roubini, dentre outros.

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  4. a veja, e globo, o lixo da imprensa brasielira.jah fui assinante, hoje nao quero nem de graça.(leia-se brasileira)

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