16 outubro 2009

Bolsa-esmola ??? - Por: José Nilton Mariano Saraiva

"A expansão do valor total dos benefícios pagos pelo Bolsa-Família entre 2005 e 2006, de R$ 1,8 bilhão, provocou um crescimento adicional do PIB de R$ 43,1 bilhões, e receitas adicionais de impostos de R$ 12,6 bilhões. Esse ganho tributário é 70% maior do que o total de benefícios pagos pelo Bolsa-Família em 2006, que foi de R$ 7,5 bilhões. Essas estimativas estão num estudo recém concluído dos economistas Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), antigo Ibmec-São Paulo, e de Paulo Henrique Landim Junior, aluno da graduação do Insper. O objetivo do trabalho era investigar os efeitos do Bolsa-Família – que hoje atinge 12,9 milhões de famílias – na economia dos municípios. Os pesquisadores investigaram 5,5 mil municípios nos anos de 2004, 2005 e 2006. Os dados utilizados foram o PIB, a população e a arrecadação de tributos nos municípios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e os desembolsos do Bolsa-Família, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). A partir dessa base, Menezes e Landim empregaram métodos estatísticos para calcular o impacto na economia municipal de aumentos dos repasses do programa per capita – os repasses divididos pela população do município (e não pelo número de beneficiários). A conclusão foi de que um aumento de 10% no repasse médio per capita do Bolsa-Família leva a uma ampliação de 0,6% no PIB municipal no ano em que ocorre a expansão e no seguinte. “O impacto pode parecer pequeno, mas quando analisamos os efeitos levando em conta os números absolutos do PIB, ele é bem grande”, diz Menezes.
A magnitude do efeito do Bolsa-Família no PIB ficou clara quando os pesquisadores fizeram o que chamaram de “análise de custo-benefício”, tomando os anos de 2005 e 2006. Entre os dois períodos, os repasses do programa subiram de R$ 5,7 bilhões para R$ 7,5 bilhões, num salto de R$ 1,8 bilhão, ou de 30,34%. O valor médio do repasse em 2006 foi de R$ 61,97 por família, e o porcentual da população beneficiada foi de 36,4%. Considerando-se a relação de 0,6% a mais de PIB para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o aumento de 30,34% em 2006 significa um ganho no conjunto dos municípios – isto é, do País – de 1,82%. Aplicado ao PIB de 2006 de R$ 2,37 trilhões, chega-se ao PIB adicional de R$ 43,1 bilhões. Dessa forma, para cada R$ 0,04 de Bolsa-Família a mais, o ganho de PIB foi de R$ 1.
Menezes fez cálculos adicionais, levando em conta que a distribuição do aumento do Bolsa-Família de 2005 para 2006 não foi homogênea entre todos os municípios brasileiros, e obteve resultados muito parecidos. Ele diz que aquele efeito explica-se pelo chamado “multiplicador keynesiano”, que faz com que um gasto adicional circule pela economia – de quem paga para quem recebe – várias vezes, aumentando a demanda bem mais do que o seu valor inicial.
A análise dos dois economistas permitiu avaliar também o impacto dos aumentos de repasses do Bolsa-Família nos diferentes setores da economia municipal. O maior efeito foi encontrado na indústria – para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o PIB industrial aumenta 0,81%. Nos serviços, o impacto foi de 0,19%, enquanto na agricultura não foi registrado efeito significativo. “É possível que a indústria tenha sido mais afetada por causa do aumento de consumo de energia elétrica, água, esgoto e gás das famílias pobres e extremamente pobres que recebem Bolsa-Família”, diz Menezes. No caso da arrecadação municipal, o estudo indica que um aumento de 10% nos repasses leva a um aumento médio de 1,36%. Levando-se em conta o total de impostos gerados nos municípios em 2006, de R$ 304,7 bilhões, concluiu-se que o aumento de 30,34% do Bolsa-Família provocou uma alta de 4,1% na arrecadação, ou R$ 12,6 bilhões".
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Com a palavra os críticos do Bolsa-Família (ou do Bolsa-Esmola, com eles preferem). E, por favor, tragam argumentos convincentes.
Fonte: Luis Nassif - Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

10 comentários:

  1. Esmola era o que se dava antes, apenas em âmbito privado.
    E quando os governos ajudam os setores privilegiados aqui no Brasil, os social-democratas, os neoliberais, os reacionários de plantão chamam isso de "subsídios".

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  2. Prezado José Nilton,
    Eu sugiro que você deve ter o cuidado para não passar por “papagaio de pirata”. Como tenho percebido você usa argumentos de Colunistas que perderam, se é que tinham o censo crítico que se supunha, e são altamente tendenciosos nos seus comentários. O governo não precisa de bajuladores fajutos porque já tem muitos ocupando cargos a despeito de competência, o tal aparelhamento da máquina pública, e estes devem fazer este papel por pura sobrevivência. O governo, se de fato tem preocupações com um projeto de governo e não de poder se sentirá muito mais honrado com críticas construtivas porque desta forma o ajudará a melhorar ainda mais nos acertos.
    Não vou questionar com detalhes a pesquisa porque ainda não a li, mas que farei em breve. No entanto, para adiantar, em nem um momento no seu artigo você cita o titulo da pesquisa. Pois bem, o titulo é: Educando os Pobres no Brasil: Avaliação de impacto do Bolsa-Família e Fundef. Só o titulo muda a visão distorcida das coisas. No mais é uma pesquisa de 2006 e só ser explorada agora, é estranho.
    Outra questão básica. Se “o bolsa família” foi criado para saciar a fome de “pessoas famintas”, pressupõem-se, no mínimo, que estes “recursos” vão para satisfazer a condição urgente que é saciar a fome. Com a quantia que a bolsa família oferta não dá para imaginar que não tenha efeito no aumento da demanda por produtos agrícolas e a pesquisa, na versão da sua fonte, cita isto. Você não se questiona com isso ou prefere ficar apenas nos “argumentos que interessa!

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  3. Ilustre Wellington,
    Tenha você a certeza que: 1)quando a postagem não é da nossa autoria, divulgamos a fonte ou o autor do texto; 2)no caso específico, se você observar verá que, ao final consta: Fonte: Luis Nassif, que refutamos uma das mentes privilegiadas desse país; 3) não há nenhum perigo é que postemos alguma coisa do Diogo Mainardi ou do Reinaldo Azevedo, dentre outros, porque são risíveis e incompetentes; 4) dados estatísticos, principalmente contemplando um universo imenso como o enfocado (cinco mil e quinhentos municípios, em todo o Brasil) contemplam várias fases: pesquisa de campo, preenchimento de formulários, cotejamento dos dados, apuração, diversos tipos de análises e outras, até sua divulgação ao público. Portanto, compreensivelmente só agora os dados foram disponibilizados e divulgados (mas, se você tem uma metodologia ou sistemática que agilize o processo, bem que poderia entrar em contato com os autores da pesquisa); 5) não citamos o título, simplesmente porque não consta na postagem do Nassif.
    Alguma outra dúvida ???

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  4. Me lembrei de um provérbio africano:

    "Enquanto os leões não tiverem seus próprios historiadores, as histórias de caçada continuarão glorificando os caçadores".

    Se os trabalhadores e os excluídos forem esperar certos especialistas com certeza morrerão de fome.

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  5. Segundo o pensamento do Darlan...

    Do que se conclui que se até agora os trabalhadores não foram glorificados, é porque a HISTÓRIA deve ter sido toda escrita por Vagabundos...

    "Elementar, meu caro Darlan..."

    rs rs rs

    Dihelson Mendonça

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  6. Veja que partindo-se de uma premissa errada como aquela, só se pode chegar a conclusões erradas...

    DM

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  7. Ilustre Dihelson,
    Qual a "premissa" errada e quais as "conclusões" erradas ???

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  8. A seguinte, apontada por Darlan:

    "Enquanto os leões não tiverem seus próprios historiadores, as histórias de caçada continuarão glorificando os caçadores". Se os trabalhadores e os excluídos forem esperar certos especialistas com certeza morrerão de fome."

    DM

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  9. Amigos, Dihelson tão apressado em patrulhar, não leu que o "pensamento" não é meu.
    Na pressa em criticar não percebeu que o provérbio é africano e diz respeito ao período do colonialismo. Provavelmente os africanos seriam "vagabundos" na teoria da falta de teoria que ele aplica a tudo o que não converge com seu pensamento.
    Mas não eram. Foram colonizados, expropriados, massacrados. Até o "apartheid" foi criado anos depois para manter a segregação e o domínio de outrora.
    Eis aí os "caçadores" e do outro lado, os "leões". Mas não adianta, é permanente o "desentendimento".

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  10. Darlan,

    Não houve pressa nenhuma. Você construiu sua analogia em cima de um provérbio africano, criando uma premissa para justificar o fato de que a história não foi escrita pelos trabalhadores. Está bem claro para mim. Se sua premissa foi infeliz ao contexto, ou se o provérbio citado para construir a analogia está em desacordo com o que vc quis dizer, aí já não é problema meu...

    Dihelson Mendonça

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