01 setembro 2009

Viveu em Crato ex-integrante da Coluna Prestes - Por: Emerson Monteiro



José Antônio Maia na única imagem dele conhecida (de um pequeno camafeu pertencente à sua filha Luiza de Marilac)

Gaúcho de São Leopoldo, José Antônio Maia chegou ao Cariri quando os revoltosos da Coluna atravessaram o sul do Ceará, vindos do norte do País, no ano de 1926. Menor de idade, se apresentou ao Padre Cícero e foi encaminhado ao major José Gonçalves, do Crato, de quem ficou sob a custódia, temendo-se até que viesse a sofrer perseguições do Governo, o que não lhe aconteceu.

Uma filha de José Antônio Maia, que desde criança reside em Crato, Luíza de Marilac de Norões Maia, falou à reportagem do Jornal do Cariri a propósito desse personagem que acompanhou a Coluna Prestes desde o Rio Grande do Sul até o Ceará.

Em face de ser menor de idade, pois, de tanto insistir, se agregara à Coluna com menos de 14 anos, no decorrer das lutas e longas jornadas que teve de enfrentar, viu-se em dificuldades para seguir o movimento. Por isso, quando passava na região do Cariri, sozinho, dirigiu-se a Juazeiro do Norte e buscou a tutela do Padre Cícero.

“Não cheguei a conhecer meu pai, pois nasci em 25 de agosto de 1943, mesmo ano em que ele faleceu, no dia 29 de dezembro, vítima da malária. Ainda assim, muitas vezes ouvi minha mãe falar nele e contar a sua história”, inicia Marilac, funcionária do Hospital São Francisco. “As pessoas costumavam chamá-lo de José, o Revoltoso. Nascera em São Leopoldo e tinha familiares em São Borja, na fronteira com o Uruguai, segundo dizia. Em Crato, casou-se com minha mãe, Eulina Moreira de Norões, irmã de Judite Norões, a esposa do major José Gonçalves. Vieram os filhos: o primeiro, João Bosco, que morreu aos 4 anos; Luís Albano, que morreu em um acidente de moagem, no engenho do São José, em 1954, aos 12 anos; e eu, a mais nova dos três.”

Dada a religiosidade da família com quem ficou morando, em Crato, José Antônio Maia batizou-se e crismou-se, na idade de 16 para 17 anos. De acordo com a filha, seu pai tinha boa índole. Homem alto (1m85cm), moreno claro, alfabetizado. Mantinha-se bem informado. Gostava de ler jornais e livros. Idealista, alimentava preocupações sociais. Integrou-se com facilidade ao povo da Região. De espírito alegre, gostava de conversar sobre política e votava especial interesse pelo futebol, esporte que, nos anos 30, praticava ao lado de outros jovens da época. Trabalhou nas Casas Pernambucanas e no Serviço de Endemias Rurais (guarda mata-mosquito), hoje Fundação Nacional de Saúde.

“Há sete anos, recebi a visita de Luís Carlos Prestes Filho, que organizava um museu da Coluna. Ele procurou por mais informações quanto à vida de meu pai, pois soubera de sua existência aqui em Crato. O que pude dispor e transmitir”, completa Luíza de Marilac.


Um comentário:

  1. Marilac, além de amiga é como se fosse uma pessoa da nossa família. O Major José Goçalves que acolheu o seu pai era irmão das minhas bisavós. Um abraço para Marilac.

    ResponderExcluir

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.