07 setembro 2009

Previsão do Tempo e Almanaque - 07 de Setembro de 2009

Bom dia para todos os leitores do Blog do Crato, no Dia da Pátria.

Dia da Independência ? De quem ?

Hoje, 7 de Setembro de 2009. Dia da Pátria. Dia de refletirmos sobre o que representou para nosso povo esta data, de declaração de independência da Coroa Portuguesa, cuja história oficial aponta para o dia 07 de Setembro de 1822, quando hoje em dia, alguns historiadores começam a questionar até se tal ato teria mesmo existido às márgens plácidas do Rio Ipiranga, onde há um monumento dedicado a Dom Pedro I. De qualquer forma, o certo é que o Brasil se independeu de Portugal, e até bem pouco tempo, a data era sempre lembrada por questionar essa "independência" pelo fato do país ser ainda bastante dependente dos Estados Unidos. O Blog do Crato faz esse questionamento, e certamente, ao longo do dia, nós iremos ler um verdadeiro desfile de artigos relativos às comemorações no Crato e no Brasil, além dos diversos questionamentos de historiadores e cronistas.

Previsão do Tempo


ALMANAQUE

7 de setembro, Dia de Santa Regina

Regina ou Reine, seu nome no idioma natal, viveu no século III, em Alise, antiga Gália, França. Seu nascimento foi marcado por uma tragédia familiar, especialmente para ela, porque sua mãe morreu durante o parto. Por essa razão a criança precisou de uma ama de leite, no caso uma cristã. Foi ela que a inspirou nos caminhos da verdadeira fé e da virtude. Na adolescência, a própria Regina pediu para ser batizada no cristianismo, embora o ambiente em sua casa fosse pagão. A cada dia, tornava-se mais piedosa e tinha a convicção de que queria ser esposa de Cristo. Nunca aceitava o cortejo dos rapazes que queriam desposá-la, tanto por sua beleza física como por suas virtudes e atitudes, que sempre eram exemplares. Ela simplesmente se afastava de todos, preferindo passar a maior parte do seu tempo reclusa em seu quarto, em oração e penitência. Entretanto o real martírio de Regina começou muito cedo, e em sua própria casa. O seu pai, um servidor do Império Romano chamado Olíbrio, passou a insistir para que ela aprendesse a reverenciar os deuses. Até que um dia recebeu a denuncia de que Regina era uma cristã. No início não acreditou, mas decidiu que iria averiguar bem o assunto. Quando Olíbrio percebeu que era verdade, denunciou a própria filha ao imperador Décio, que seduziu-a com promessas vantajosas caso renegasse Cristo. Ao perceber que nada conseguiria com a bela jovem, muito menos demovê-la de sua fé, ele friamente a mandou para o suplício. Regina sofreu todos os tipos de torturas e foi decapitada.

O culto a santa Regina difundiu-se por todo o mundo cristão, sendo que suas relíquias foram várias vezes transladadas para várias igrejas. Até que, no local onde foi encontrada a sua sepultura, foi construída uma capela, que atraiu grande número de fiéis que pediam por sua intercessão na cura e proteção. Logo em seguida surgiu a construção de um mosteiro e, ao longo do tempo, grande número de casas. Foi assim que nasceu a charmosa vila Sainte-Reine, isto é, Santa Rainha, na França. Esta festa secular ocorre, tradicionalmente, em todo o mundo cristão, no dia 7 de setembro.

Eventos históricos:

* 1159 - É eleito o Papa Alexandre III.
* 1764 - Stanislas Poniatowski, o protegido da Rússia, é eleito rei da Polónia.
* 1822 - É declarada a Independência do Brasil em relação ao domínio de Portugal.
* 1822 - O Príncipe Regente é saudado em São Paulo como o primeiro Imperador do Brasil e executa o Hino da Independência.
* 1875 - Helena Petrovna Blavatsky funda a Sociedade Teosófica.
* 1884 - São libertados em Porto Alegre os últimos escravos da cidade.
* 1895 - Inauguração extra-oficial do Museu Paulista.
* 1907 - Viagem inaugural do transatlântico Lusitania.
* 1911 - Fundação do Grêmio Esportivo Brasil, mais conhecido como Xavante, em Pelotas, no Rio Grande do Sul.
o O poeta francês Guillaume Apollinaire foi preso e posto na cadeia sob suspeita de roubo da Mona Lisa.
* 1922 - Emancipação política da cidade mineira de Itabirito.
* 1922 - Primeira transmissão de rádio no Brasil, com discurso do presidente Epitácio Pessoa.
* 1936 - Benjamin, o último lobo-da-tasmânia, morre, e a espécie se extingue, no zoológico de Hobart.
* 1946 - Fundação da Igreja do Avivamento Bíblico.
* 1949 - Fundação oficial da República Federal da Alemanha.
* 1953 - Nikita Khrushchev é eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética.
* 1961 - Toma posse o presidente brasileiro João Goulart e inicia-se o primeiro regime parlamentarista no país.
* 1963 - She Loves You, a canção dos Beatles que mais vendeu até hoje no Reino Unido, chega ao "top 1" nas paradas de sucesso britânicas.
* 1969 - Libertado o embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick e os 15 presos políticos (v. Anos de chumbo).
o É criada a Federação Internacional das Associações Vexilológicas no Terceiro Congresso Internacional de Vexilologia.
* 1974 - Celebrados os Acordos de Lusaka entre o governo português e a FRELIMO, que terminaram a Luta Armada de Libertação e que levaram à Independência de Moçambique.
* 1977 - Assinado o Tratado Torrijos-Carter sobre o Canal do Panamá.
* 1979 - Início das transmissões da emissora norte-americana ESPN.
* 1996 - Inaugurado o monumento em memórias às vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás.
* 1998 - Criado o site de pesquisas Google.

Nascimentos:

* 1533 - Elizabeth I, rainha da Inglaterra (m. 1603).
* 1683 - Maria Ana, arquiduquesa da Áustria (m. 1754).
* 1709 - Samuel Johnson, escritor e lexicógrafo inglês ( m. 1784).
* 1726 - Philidor, enxadrista francês (m. 1795).
* 1867 - Camilo Pessanha, poeta português (m. 1926).
* 1872 - Carlos Magalhães de Azeredo, diplomata e escritor brasileiro (m. 1963).
* 1889 - Octávio Tarquínio de Sousa, advogado, jornalista e escritor brasileiro (m. 1959).
* 1896 - Iwar Beckman, geneticista sueco, radicado no Brasil (m. 1971).
* 1905 - Eric John Underwood, cientista australiano (m. 1980).
* 1909 - Elia Kazan, cineasta turco (m. 2003).
* 1911 - Todor Zhivkov, ditador búlgaro (m. 1998).
* 1922 - Paulo Autran, ator brasileiro (m.2007).
* 1927 - Riad Salamuni, geólogo brasileiro (m. 2002).
* 1930 - Julio Abbadie, ex-futebolista uruguaio.
* 1936 - Buddy Holly, músico, cantor e compositor estadunidense.
* 1940 - Dario Argento, produtor e argumentista de cinema italiano.
* 1942 - Gabriele Veneziano, físico italiano.
* 1944
o José Roberto Wright, ex-árbitro brasileiro.
o Bora Milutinović, treinador de futebol sérvio.
* 1946 - Francisco Varela, biólogo e filósofo chileno (m. 2001).
* 1949 - Gloria Gaynor, cantora estadunidense.
* 1950 - Julie Kavner, atriz estadunidense de origem judia.
* 1951
o Chrissie Hynde, vocalista e guitarrista do The Pretenders.
o Morris Albert, cantor e compositor brasileiro.
* 1952
o Ricardo Tormo, motociclista espanhol (m. 1998).
o Paulo Markun, jornalista e escritor brasileiro.
* 1954 - Shirley Carvalhaes, cantora brasileira.
* 1955 - Mira Furlan, atriz e cantora croata.
* 1958 - Goran Hadžić, político sérvio.
* 1961 - Leroi Moore, saxofonista estadunidense (m. 2008).
* 1963
o Toni Garrido, cantor e ator brasileiro.
o Éric Di Meco, ex-futebolista francês.
* 1964
o João Paulo, ex-futebolista brasileiro.
o Andy Hug, carateca suíço (m. 2000).
* 1965
o Darko Pančev, ex-futebolista macedônio.
o Tomáš Skuhravý, ex-futebolista tcheco.
* 1967 - Kelvin Burt, piloto inglês de corridas.
* 1968
o Marcel Desailly, ex-futebolista e treinador francês.
o Kakhaber Tskhadadze, ex-futebolista georgiano.
* 1970
o Tom Everett Scott, ator norte-americano.
o Giovane Gavio, ex-jogador brasileiro de vôlei.
* 1972 - Jean-Jacques Tizié, goleiro marfinense.
* 1973 - Shannon Elizabeth, atriz norte-americana.
* 1974
o Mario Frick, futebolista liechtensteinense.
o Stéphane Henchoz, ex-futebolista suíço.
* 1975
o Norifumi Abe, motociclista japonês (m. 2007).
o Harold Wallace, futebolista costarriquenho.
* 1978 - Wellington Monteiro, futebolista brasileiro.
* 1980
o Emre Belözoğlu, futebolista turco.
o Gabriel Milito, futebolista argentino.
o Javad Nekounam, futebolista iraniano.
* 1981 - Gökhan Zan, futebolista turco.
* 1984
o Vera Zvonareva, tenista russa.
o Miranda, futebolista brasileiro.
* 1985
o Luiza Valdetaro, atriz brasileira.
o Adam James Eckersley, futebolista inglês.
o Rafinha, futebolista brasileiro.
* 1986 - Brian Brendell, futebolista namibiano.
* 1987
o Bruno Fornaroli, futebolista uruguaio.
o Aleksandra Wozniak, tenista canadense.
o Evan Rachel Wood, atriz estadunidense.
* 1988
o Craig Lindfield, futebolista inglês.
o Arnar Smárason, futebolista islandês.

Falecimentos:

* 1151 - Geoffrey Plantageneta, Conde de Anjou. (n. 1129).
* 1559 - Robert Estienne, tipógrafo real francês (n. 1503).
* 1910 - William Holman Hunt, um dos fundadores da Irmandade Pré-Rafaelita (n. 1827).
* 1915 - Saturnino Arouck, militar brasileiro (n. 1862).
* 1949 - José Orozco, pintor mexicano (n. 1883).
* 1956 - António dos Santos Graça, etnógrafo, jornalista e político português (n. 1882).
* 1962 - Karen Blixen, escritora dinamarquesa, também conhecida pelo pseudônimo de Isak Dinesen (n. 1885)
* 1978 - Keith Moon, ex-baterista da banda de rock The Who - (n. 1946).
* 1985 - Rodney Robert Porter, médico britânico (n. 1917).
* 1997
o Mobuto Sese Seko, ditador do Zaire (hoje República Democrática do Congo) por 32 anos (n. 1930).
o Gino Malvestio, bispo católico (n. 1938).
* 2002 - Uziel Gal, desenhador de armas e inventor da pistola-metralhadora Uzi (n. 1923)
* 2004 - Míriam Pires, atriz brasileira (n. 1927).
* 2008 - Nagi Noda, realizadora e artista pop japonesa (n. 1973).

Feriados e eventos cíclicos:

* Dia internacional da aviação civil
* Dia da Independência do Brasil ou Dia da Pátria.


HOJE NA HISTÓRIA

O Dia da Pátria - 07 de Setembro de 1822

Denomina-se Independência do Brasil o processo que culminou com a emancipação política desse país do reino de Portugal, no início do século XIX. Oficialmente, a data comemorada é a de 7 de setembro de 1822, quando ocorreu o episódio do chamado "Grito do Ipiranga". De acordo com a história oficial, nesta data, às margens do riacho Ipiranga (atual cidade de São Paulo), o Príncipe Regente D. Pedro bradou perante a sua comitiva: Independência ou Morte!. Determinados aspectos dessa versão, no entanto, são contestados por alguns historiadores. A moderna historiografia em História do Brasil remete o início do processo de independência à Transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821), no contexto da Guerra Peninsular, a partir de 1808.

A transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil (1807)

A partir de 15 de Julho de 1799, o Príncipe do Brasil, D. João, tornou-se Príncipe Regente de Portugal. Os acontecimentos na Europa, onde Napoleão Bonaparte se afirmava, sucederam-se com velocidade crescente. Desde 1801 que se considerava a idéia da transferência da Corte Portuguesa para o Brasil. As facções no governo português, entretanto, se dividiam:

* a facção anglófila, partidária de uma política de preservação do Império Colonial Português e do próprio Reino, através do mar, apoiados na antiga aliança Luso-Britânica; e
* a facção francófila, que considerava que a neutralidade só poderia ser obtida através de uma política de aproximação com a França.

Ambas eram apoiadas pelas lojas maçônicas quer de origem inglesa, quer de origem francesa. Considere-se ainda que as idéias iluministas francesas circulavam clandestinamente em livros, cada vez mais abundantes. A decretação do Bloqueio Continental em Berlim (1806) tornou mais difícil a neutralidade Portuguesa. Em 1807, o Tratado de Fontainebleau dividiu arbitráriamente Portugal em três reinos. Desde Outubro desse ano, Jean-Andoche Junot, antigo embaixador francês em Lisboa, preparava-se para invadir Portugal. Foi nesse contexto que D. João pactuou com a Grã-Bretanha a transferência do governo para o Rio de Janeiro, sob a protecção dos últimos.

Com a invasão francesa de Portugal em progresso, a 29 de Novembro iniciou-se a viagem da Família Real e da Corte Portuguesa para o Brasil. Dezoito navios de guerra portugueses e treze ingleses escoltaram mais de vinte e cinco navios mercantes de Lisboa até à costa do Brasil. A bordo seguiam mais de quinze mil portugueses. O Reino ficava a ser governado por uma Junta de Regência que Junot logo dissolveu. Com a presença da Família Real Portuguesa no Brasil a partir de 1808, registrou-se o que alguns historiadores brasileiros denominam de "inversão metropolitana", ou seja, o aparelho de Estado Português passou a operar a partir do Brasil, que desse modo deixou de ser uma "colônia" e assumiu efetivamente as funções de metrópole.

As divergências

Não se pode compreender o processo de independência sem pensar no projeto recolonizador das Cortes portuguesas, a verdadeira origem da definição dos diversos grupos no Brasil. Embora o rompimento político com Portugal fosse o desejo da maioria dos brasileiros, havia muitas divergências. No movimento emancipacionista havia grupos sociais distintos: a aristocracia rural do Sudeste brasileiro, as camadas populares urbanas liberais radicais, e, por fim, a aristocracia rural do Norte e Nordeste, que defendiam o federalismo e até o separatismo. A aristocracia rural do Sudeste, a mais poderosa, era conservadora, lutando pela independência, defendendo a unidade territorial, a escravidão e seus privilégios de classe. Os liberais radicais queriam a independência e a democratização da sociedade, mas seus chefes, Joaquim Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira, permaneceram atrelados à aristocracia rural, sem revelar vocação revolucionária. A aristocracia rural do norte e nordeste enfrentava a forte resistência dos comerciantes e militares portugueses, Josué fortes no Pará, Maranhão e Bahia. Além disso, desconfiavam da política centralizadora de José Bonifácio.

O partido português no Brasil chamado por vezes de "os pés de chumbo", estava do lado das Cortes; o partido brasileiro e os liberais radicais eram contra elas, mas divergiam quanto aos objetivos. Para o partido brasileiro, o ideal era a criação de uma monarquia dual (Brasil e Portugal) para preservar a autonomia administrativa e a liberdade de comércio. Mas a intransigência das Cortes Portuguesas, que nada tinham de liberais, fez o partido inclinar-se pela emancipação, sem alterar a ordem social vigente e os seus privilégios adquiridos. Já os liberais radicais formavam um agrupamento quase revolucionário, bem próximo das camadas populares urbanas, sendo alguns de seus membros republicanos. No conjunto, tratava-se do grupo mais receptivo às mudanças mais profundas e democráticas da sociedade. A concretização das aspirações de cada um desses agrupamentos era distinta. Os grandes proprietários rurais ligados ao partido brasileiro dispunham dos meios efetivos para a realização de seus objetivos. O anseio por um comércio livre de entraves mercantilistas encontrava apoio em forças internacionais, lideradas pela burguesia britânica. A sólida base econômica e social escravista garantia ainda os recursos materiais para resistir com êxito à provável ameaça recolonizadora de Lisboa.

Na disputa contra os conservadores, os radicais cometeram o erro de reduzir a questão à luta pela influência sobre o Príncipe Regente. Era inevitável que este preferisse os conservadores. Ademais, os conservadores encontraram em José Bonifácio de Andrada e Silva um líder bem preparado para dar à independência a forma que convinha às camadas dominantes.

O "Fico" e o "Cumpra-se"

A situação do Brasil permaneceu indefinida durante o ano de 1821. Em 9 de dezembro, chegaram ao Rio de Janeiro os decretos das Cortes que determinavam a abolição da Regência e o imediato retorno de D. Pedro de Alcântara a Portugal, a obediência das províncias a Lisboa (e não mais ao Rio de Janeiro), a extinção dos tribunais do Rio de Janeiro. O Príncipe Regente começou a fazer os preparativos para o seu regresso, mas estava instaurada uma enorme inquietação. O partido brasileiro ficou alarmado com a recolonização e com a possibilidade de uma explosão revolucionária. A nova conjuntura favoreceu a polarização: de um lado o partido português e do outro, o partido brasileiro com os liberais radicais, que passaram a agir pela independência. Sondado, o Príncipe Regente mostrou-se receptivo. Foram então enviados emissários às Províncias de Minas Gerais e de São Paulo para obter a adesão à causa emancipacionista, com resultados positivos.

A decisão do príncipe de desafiar as Cortes decorreu de um amplo movimento, no qual se destacou José Bonifácio. Membro do governo provisório de São Paulo, escrevera em 24 de dezembro de 1821 uma carta a D. Pedro, na qual criticava a decisão das Cortes de Lisboa e chamava a atenção para o papel reservado ao Príncipe na crise. D. Pedro divulgou a carta, publicada na Gazeta do Rio de Janeiro de 8 de janeiro de 1822 com grande repercussão. Dez dias depois, chegou ao Rio uma comitiva paulista, integrada pelo próprio José Bonifácio, para entregar ao Príncipe a representação paulista. No mesmo dia, D. Pedro nomeou José Bonifácio ministro do Reino e dos Estrangeiros, cargo de forte significado simbólico: pela primeira vez na História o cargo era ocupado por um brasileiro. No Rio de Janeiro também havia sido elaborada uma representação (com coleta de assinaturas) em que se pedia a permanência de D. Pedro de Alcântara no Brasil. O documento foi entregue ao Príncipe a 9 de janeiro de 1822 pelo Senado da Câmara do Rio de Janeiro. Em resposta, o Príncipe Regente decidiu desobedecer às ordens das Cortes e permanecer no Brasil, pronunciando a célebre frase "Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. Digam ao povo que fico!". O episódio tornou-se conhecido como "Dia do Fico".

D. Pedro ganhou forte apoio popular com a decisão do "Fico". Para resistir às ameaças de recolonização foi decretada, em 16 de fevereiro de 1822, a convocação de um Conselho de Procuradores Gerais das Províncias do Brasil. Teoricamente, este órgão tinha por finalidade auxiliar o Príncipe mas, na prática, tratava-se de uma manobra dos conservadores, liderados por José Bonifácio, contra os radicais, representados por Joaquim Gonçalves Ledo, um funcionário público para quem a preservação da unidade político-territorial do Brasil deveria ser feita convocando-se uma Assembléia Constituinte eleita pelo povo. A finalidade do Conselho era, na prática, a de manter a unidade sob controle do poder central e dos conservadores.

Em maio, a cisão entre D. Pedro e as Cortes aprofundou-se: o Regente determinou que qualquer decreto das Cortes só poderia ser executado mediante o "Cumpra-se" assinado por ele, o que equivalia a conferir plena soberania ao Brasil. A medida teve imediato apoio: quando dos festejos pelo aniversário de João VI de Portugal, a 13 de maio, o Senado da Câmara do Rio de Janeiro pediu ao Príncipe Regente que aceitasse para si e para seus descendentes o título de "Defensor Perpétuo do Brasil". Neste contexto, houve uma investida militar da Divisão Auxiliadora, estacionada no Rio de Janeiro, sob o comando do Tenente-general Jorge de Avilez, que acabou sendo expulso do Brasil com as suas tropas. Os liberais radicais mantinham-se ativos: por iniciativa de Gonçalves Ledo, uma representação foi dirigida a D. Pedro para expor a conveniência de se convocar uma Assembléia Constituinte. O Príncipe decretou a convocação em 13 de junho de 1822. A pressão popular levaria a convocação adiante, dando continuidade ao processo.

José Bonifácio resistiu à idéia de convocar a Constituinte, mas foi obrigado a aceitá-la. Procurou descaracterizá-la, propondo a eleição indireta, que acabou prevalecendo contra a vontade dos liberais radicais, que defendiam a eleição direta. Embora os conservadores tenham obtido o controle da situação e o texto da convocação da Constituinte apresentasse declarações favoráveis à permanência da união entre Brasil e Portugal, as Cortes de Lisboa insistiam: o Príncipe Regente deveria retornar imediatamente.

A declaração de Independência

Independência do Brasil: óleo sobre tela por François-René Moreaux (Museu Imperial de Petrópolis). Foi executado em 1844, a pedido do Senado Imperial. No final de agosto de 1822, D. Pedro deslocou-se à província de São Paulo para acalmar a situação depois de uma rebelião contra José Bonifácio. Apesar de ter servido de instrumento dos interesses da aristocracia rural, à qual convinha a solução monárquica para a independência, não se deve desprezar os seus próprios interesses. O Príncipe tinha formação absolutista e por isso se opusera à Revolução do Porto, de caráter liberal. Da mesma forma, a política recolonizadora das Cortes desagradou à opinião pública brasileira. E foi nisso que se baseou a aliança entre D. Pedro e o "partido brasileiro". Assim, embora a independência do Brasil possa ser vista, objetivamente, como obra da aristocracia rural, é preciso considerar que teve início como compromisso entre o conservadorismo da aristocracia rural e o absolutismo do Príncipe.

Em 7 de Setembro, ao voltar de Santos, parado às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro recebeu uma carta com ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, se submetendo ao rei e às Cortes. Vieram juntas outras duas cartas, uma de José Bonifácio, que aconselhava D. Pedro a romper com Portugal, e a outra da esposa, Maria Leopoldina de Áustria, apoiando a decisão do ministro e advertindo: "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece". Impelido pelas circunstâncias, D. Pedro pronunciou a famosa frase "Independência ou Morte!", rompendo os laços de união política com Portugal. Culminando o longo processo da emancipação, a 12 de outubro de 1822, o Príncipe foi aclamado Imperador com o título de D. Pedro I, sendo coroado em 1 de dezembro na Capital. Consolidado o processo na região Sudeste do Brasil, a independência das demais regiões da América Portuguesa foi conquistada com relativa rapidez. Contribuiu para isso o apoio diplomático e financeiro da Grã-Bretanha. Sem um Exército e sem uma Marinha de Guerra, tornou-se necessário recrutar mercenários e oficiais estrangeiros para comandá-los, do mesmo modo que adquirir meios.

Desse modo, foi sufocada a resistência portuguesa na Província da Bahia, na do Maranhão, na do Piauí e na do Pará. O processo militar estava concluído já em 1823, restando encaminhar a negociação diplomática do reconhecimento da independência com as monarquias européias.

Consequências

À semelhança do processo de independência de outros países latino-americanos, o de independência do Brasil preservou o "status" das elites agro-exportadoras, que conservaram e ampliaram os seus privilégios políticos, econômicos e sociais. Ao contrário do ideário do Iluminismo, e do que desejava, por exemplo, José Bonifácio de Andrada e Silva, a escravidão foi mantida, assim como os latifúndios, a produção de gêneros primários voltada para a exportação e o modelo de governo monárquico. Para ser reconhecido oficialmente, o Brasil negociou com a Grã-Bretanha e aceitou pagar indenizações de 2 milhões de libras esterlinas a Portugal. A Grã-Bretanha saiu lucrando, tendo início o endividamento externo do Brasil. Quando D. João VI retornou a Lisboa, por ordem das Cortes, levou todo o dinheiro que podia — calcula-se que 50 milhões de cruzados, apesar de ter deixado no Brasil a sua prataria e a enorme biblioteca, com obras raras que compõem hoje o acervo da Biblioteca Nacional. Em conseqüência da leva deste dinheiro para Portugal, o Banco do Brasil, fundado por D. João ainda 1808, veio a falir em 1829.

Considerações historiográficas

A data comemorada oficialmente é 7 de setembro de 1822, uma vez que nesse dia, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, o Príncipe Regente D. Pedro, ao receber a correspondência da Corte, teria proclamado o chamado "grito da Independência", à frente da sua escolta: "Independência ou Morte!" - Outras datas consideradas historiograficamente para a Independência, embora menos populares são a data da coroação do Imperador (1 de dezembro de 1822) ou mesmo a do reconhecimento da Independência por Portugal e pela Grã-Bretanha (29 de agosto de 1825).

Fontes: Climatempo, Edições Paulinas, Wikipedia, 10emtudo, SuperInteressante

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