28 setembro 2009

CARIRI - Praças Abandonadas e seus Projetos de Recuperação



NE - "Nesta excelente reportagem publicada no Jornal Diário do Nordeste de hoje, Segunda-Feira, da repórter Elizângela Santos, um panorama sobre diversas praças do interior do Ceará. No Crato, o Prefeito Samuel Araripe trabalha na realização do Projeto de Recuperação de 6 praças Principais, previstos no PRU - Plano de Requalificação Urbana."

Praça abandonada é como os moradores de Juazeiro do Norte definiram este espaço público, na Lagoa Seca. O local teve postes cerrados e bancos arrancados (Foto: Elizângela Santos)

Praça do cristo Rei, no Crato, é uma das que está incluída no Plano de Reforma, além de mais seis espaços públicos na cidade (Foto: Elizângela Santos)

Em várias cidades do Interior, as praças dão sinal de degradação e refletem o descuido e a falta de projetos

Juazeiro do Norte. O que pode ser um lugar convidativo nos espaços urbanos, também se torna assustador, caso não tenha os cuidados necessários e segurança. Assim são as praças de cidades do Cariri. Os locais de romantismo, diversão ou simples bate-papo, ponto de encontro da sociedade, muitas vezes toma o sentimento do povo pelos momentos marcantes. As praças também são alvo de polêmica e de audiências públicas.

Em Crato e Juazeiro do Norte, cada praça tem uma história para contar. Mas os problemas na maior parte delas, principalmente no Centro, têm sido as obras não concluídas, como no caso da Feijó de Sá, na entrada de Juazeiro; ou alvo de polêmica, depois de concluída, como a Siqueira Campos, em Crato. As perspectivas de reformas e ampliações desses espaços vêm sendo executadas e outras encontram-se paralisadas.

Caso emblemático tem sido a reforma e ampliação da Praça Feijó de Sá, em Juazeiro do Norte, também conhecida como a praça do Giradouro, que passou por um dilema por ser construída em meio à rodovia que liga as cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Não se tinha a certeza se era de responsabilidade do Departamento de Edificações e Rodovias (DER) ou da Prefeitura. Foram aprovados mais de R$ 950 mil para os serviços. Uma reformulação no projeto e, finalmente, o recomeço da obra que deverá durar quatro meses até sua conclusão. Outro problema com a praça foi a construção de uma pista de skate, numa área altamente movimentada e que fatalmente iria colocar em risco a vida de crianças e adolescentes. No início da atual administração, a pista que havia sido iniciada foi ao chão. O local conta com um restaurante que continuará como no projeto inicial.

O Hospital Regional do Cariri é construído em frente, além da realização de outros cursos universitários que ficam no entorno. Segundo a secretária de Infra-Estrutura de Juazeiro do Norte, Fátima Bandeira, a readequação do projeto leva em conta esses critérios, por ser uma área movimentada.

A Praça Padre Cícero, um marco histórico da cidade, passou a ser outro projeto questionado no início da atual administração. De tantas reformas, alguns referenciais que marcam o princípio da velha Praça da Liberdade, como era chamada, se perderam no tempo. As reclamações vieram da sociedade, que contestava o piso. A alternativa, segundo a secretária, foi realizar uma audiência pública para minimizar a polêmica. A reforma que envolvia um montante de R$ 471 mil teve de ser replanejada. Os bancos foram reaproveitados para reforma e pintura.

Saudosismo

Para o radialista Álbis Filho, houve melhoria na praça, mas ele reclama que é importante que o local retorne aos velhos tempos em que era bastante freqüentada pelas famílias. Ele afirma que a falta de segurança nas praças está entre as principais reclamações. Propõe que sejam colocados guardas municipais em locais como Socorro, a Praça Padre Cícero, José Geraldo da Cruz, e outros espaços, além de um trabalho de conscientização social para que a própria população também colabore. O trabalho com a comunidade também é enfatizado pela secretária Fátima Bandeira. Ela afirma que foi implantado um programa de manutenção na secretaria e que já foi feita a recuperação de diversos espaços. Um dos pontos importantes foi a iluminação que também contribuiu para minimizar a ação dos vândalos. A outra questão agora é fazer com que os próprios moradores colaborem em adotar as praças e auxiliarem no cuidado com esses espaços. Isso se dará com um trabalho de conscientização a ser desenvolvido em parceria com a assessoria de comunicação. Um exemplo disso mexe com extremos. De um lado, o bairro João Cabral, com a praça do CC, agora adotada pela comunidade como Nossa Senhora Aparecida. Há cerca de cinco anos, os moradores afirmam que o local havia se transformado em um verdadeiro lixão. Hoje, com o trabalho de conscientização, iniciado por um dos moradores da área, o artista Carlos Gomide, a população tomou gosto em cuidar da jardinagem. O resultado floriu, com um espaço bem cuidado e convidativo para a comunidade. "Tem gente que vem até tirar foto. Ficou bem mais bonita e iluminada", diz a moradora Zenaide Sousa da Silva.

Contraponto

Do outro lado, no bairro nobre, um descaso. A secretária Fátima Bandeira afirma que é a praça em pior situação, em que foram serrados até os postes. Praticamente nenhum banco se encontra inteiro. "Um exemplo extremo de vandalismo", diz. A praça possui várias árvores, mas parece um local assustador. Em duas quadras, no final da tarde, não se vê ninguém. Nenhuma criança brincando. Formigueiros enormes se formam. Uma moradora da área sequer sabe o nome. Sandra Pereira diz que conhece apenas como praça do abandono. E assim pode mesmo ser denominada, até que os recursos municipais, como afirma a secretária, cheguem até o local para a reforma do local. De 14 projetos aprovados e com dinheiro depositado na Caixa Econômica Federal, Fátima Bandeira afirma que mais oito praças serão concluídas. A de pior estado é a Feijó de Sá. Na cidade de mais de 100 praças, pelo menos mais 20 são previstas pela administração. Não há verba. A idéia de homenagear os Mestres da Cultura como referencial de cada uma delas, remete a uma temática original, num dos maiores celeiros de artistas do Nordeste.

Crato

Neste município, as praças são importantes atrativos. E podem ser motivo de grandes polêmicas também. Exemplo disso, foi a reforma realizada ano passado na Siqueira Campos. Desde os bancos ao piso e até o relógio foi alvo de críticas. Algumas mudanças foram feitas no local, mas a perda do referencial histórico, com as reformas ao longo das décadas, fez com que o espaço perdesse o romantismo de tempos passados. Dentro do Plano de Requalificação Urbana (PRU), foram incluídas reformas em várias praças da cidade, entre elas Alexandre Arraes, Praça da Sé, Siqueira Campos, São Vicente, a da Prefeitura e São Francisco. Segundo o prefeito Samuel Araripe, é um grande trabalho porque envolve a recuperação de seis praças. "Acaba com a poluição visual entre uma praça e a outra, corrige o acesso entre elas, aplica a lei da acessibilidade, que tem que ser aplicada, e normatiza o trânsito", explica. Um dos pontos importantes nesses novos projetos é a participação da comunidade, em audiências públicas, para dizer como querem o empreendimento.

Mas um dos grandes problemas enfrentados pela administração tem sido a ocupação irregular dos espaços das praças. Exemplo tem sido a principal praça do Crato, a da Sé, uma das mais belas da região, já foi morada de índios, e atualmente está com diversos camelôs sobre o seu chão. Alguns praticamente chegaram a se apropriar dos espaços públicos.

ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter do Jornal Diário do Nordeste
Colaboradora do Jornal Chapada do Araripe

2 comentários:

  1. Dihelson, aquela praça dos "pombos",Cristo-rei, esqueci o nome, que coisa feia é aquela? tenho até medo de alma quando passo ali! rsrsrsrs, escura, as fontes só acumulam lixo, ali sim , se tem a impressão que o Crato parou em 1920, é uma pena,porque é a entrada da cidade pra quem vem de outras redondezas, é triste!

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  2. Sim, Janinha.

    O projeto de recuperação das praças centrais prevê inclusive a volta da fonte luminosa para essa famosa praça do Crato, que era tão linda, mas agora virou um local sombrio, iluminação POBRE DE JÓ, o relógio não funciona...

    Mas o desejo é que essa restauração comece o mais breve possível.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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