01 setembro 2009

Casos de tuberculose diminuem no Brasil, mas doença ainda contamina 70 mil por ano


Rio de Janeiro - O número de pessoas infectadas com tuberculose caiu 27,58% no Brasil entre os anos de 1999 e 2008. No período, o índice de contaminação diminuiu de 51,44 casos por 100 mil habitantes, em 1999, para 37,12, em 2008. Entre os motivos da melhora, está a redução do número de pobres, beneficiados pelos programas sociais do governo, e também pelo aumento do salário mínimo. A análise foi apresentada ontem (31) pelo médico do Ministério da Saúde, Draurio Barreira, durante a 8a Reunião de Gerentes da Parceria Global Stop TB, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no Rio de Janeiro. Apesar dos números favoráveis, o médico mostrou que o Brasil ainda registrou 70.379 casos de tuberculose no ano passado, contra 82.934 em 1999. O líder em incidência da doença é o Amazonas, com 68,93 tuberculosos para cada 100 mil habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 66,56, Pernambuco, 47,69 e o Ceará, 42,60. Na capital fluminense, o índice chega a 90 por 100 mil.

Draurio explicou que na cidade do Rio a doença está concentrada nas favelas, onde é grande a pobreza e o excesso de pessoas vivendo juntas no mesmo ambiente. “No Rio a desigualdade social é muito gritante, onde você tem comunidades extremamente carentes convivendo dentro de bairros de classe média alta, como é o caso de Pavão-Pavãozinho [Copacabana], Santa Marta [Botafogo] e Rocinha [São Conrado]”, afirmou. Segundo ele, a Favela da Rocinha chama a atenção pelos altíssimos índices de contaminação. Embora tenha registrado declínio nos últimos anos, caindo de 600 casos por 100 mil para 300 por 100 mil, o número ainda e muito elevado. “Só é achado em países africanos, como a África do Sul”, comparou.

Um agravante apontado pelo médico é a infecção de tuberculose em pacientes com aids, o que agrava os efeitos da doença. “A taxa de mortalidade no Brasil de pessoas com tuberculose é de 5%. Dos que tem a doença e aids, 20% morrem”. Um dos motivos que aumentam a mortalidade, segundo ele, é o abandono do tratamento por 8% dos pacientes.

“O tratamento tem que ser levado até o final dos seis meses. Porque as pessoas melhoram muito em pouco tempo e em duas semanas acham que estão curadas. Mas elas vão voltar com a doença e pior, resistente aos medicamentos”, afirmou.

Uma das novidades, que deve começar a ser implantada nos próximos meses, é o uso de um medicamento chamado de 4 em 1, que em uma única dose reúne quatro remédios usados contra a doença, o que deve ajudar na aderência dos pacientes ao tratamento. O medicamento vai começar a ser importado da Índia e, dentro de dois anos, passará a ser fabricado pela Fundação Oswaldo Cruz.

Os sintomas da tuberculose são tosse por mais de 15 dias, suor noturno, febre baixa, dor nos pulmões e catarro com sangue. Aos primeiros sinais, a pessoa deve consultar imediatamente um médico e iniciar o tratamento, que é de graça e dura seis meses, até a cura completa.

Vladimir Platonow Repórter da Agência Brasil

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