28 setembro 2009

Brasil Caboclo - Literatura de Cordel - Por: Mundim do Vale



BRASIL CABOCLO
Literatura de cordel

Aqui a independência
Ficou só naquele grito
E o dito pelo não dito
Acumulou mais carência.
Reformaram a previdência
Maltratando o ancião
Tirando de uma pensão
Que já era muito pouco
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

Lugar que o índio foi dono
Mas hoje é descriminado
Chega até a ser queimado
Quando quer dormir um sono.
Vive em total abandono
Sem mandar mais no seu chão
Servindo de diversão
Para uma gangue de louco.
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

Foi aqui que um juiz
Por nome de Nicolau
Furtou até tribunal
E se mandou do país.
Mas hoje vive feliz
Curtindo a sua mansão
E faz até gozação
Do judiciário broco.
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

Foi aqui que um deputado
Furtou merenda escolar,
Fez estudante chorar
E ainda não foi cassado.
Foi manchete no estado
De rádio e televisão
Mas não teve punição
E ainda faz é pouco
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.


Os anões do orçamento
Longe da branca de neve
Fizeram furto de leve
Nas contas do parlamento.
Só não rendeu cem por cento
Porque tinha outro ladrão
Sem ser da gangue de anão
Que também comia toco.
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

Foi aqui que o Lula-lá
Elegeu-se presidente
E foi até o oriente
Pagar promessa a Alá.
Vive mais lá do que cá
Passeando de avião
E não vem cá no sertão
Pra vê como tem sufoco.
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

Foi aqui que o P.T.
Com o apoio da gente
Elegeu um presidente
Que mudou não sei porque.
Chamou o P.M.D.B.
Pra fazer composição
E deu como gratidão
Um ministério de troco.
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

Tem aqui um deputado
Que não teve o que fazer
Foi inventar de vender
Alvará a condenado.
Procurou um magistrado
Pra garantir proteção
E o tribunal sem visão
Também tá ficando mouco.
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.


Aqui tem um senador
Com uma grosa de processo
Já lhe chamam no congresso
De colecionador.
E ainda tem eleitor
Desprovido de noção
Que no dia da eleição
Esquece de dar o troco.
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

Ou é oito ou é oitenta
Na região do nordeste
Se não chove vira peste
Se chove tudo arrebenta.
O governo não atenta
Pra tanta destruição
E por conta da omissão
O nordeste fica oco.
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

Um americano zangado
Com raiva não sei de que
Jogou água num bebê
Que chorava do seu lado.
O pai ficou revoltado
Com a fúria da agressão
Sem entender a razão
Da estupidez do louco.
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.

É aqui que o brasileiro
Fala o idioma inglês
Esquecendo o português
Querendo ser estrangeiro.
Aqui todo companheiro
Trata bem o cidadão
Mas piloto de avião
Chega aqui dando cotoco.
NESSE BRASIL DE CABOCLO
DE MÃE PRETA E PAI E JOÃO.

Por: Mundim do Vale Várzea Alegre-Ceará

Um comentário:

  1. Muito Bem!
    Muito Bem!
    Muito Bem!

    Não vi nada do que está escrito aí que não fosse a pura verdade. Imaginei aqui como seria, se fosse cantado pelos nossos cantores e violeiros, por sinal, uma tradição que está se acabando, infelizmente...

    Um grande abraço,

    Dihelson Mendonça

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